
O prefeito de Londrina, Barbosa Neto (PDT), e a mulher dele, Ana Laura Lino, estariam envolvidos no suposto esquema de desvio de dinheiro da área da saúde investigado pela Operação Antissepsia.
De acordo com o promotor Cláudio Esteves, coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Londrina, Barbosa e a primeira-dama podem ter participado das irregularidades apontadas contra o Instituto Atlântico.
Entre os indícios que apontam a participação de Barbosa está a ação do publicitário Ruy Nogueira contra o Atlântico (que seria fruto de um acordo) e a entrega de R$ 20 mil por Bruno Valverde, diretor do instituto, a um secretário da gestão municipal. Os promotores suspeitam de Fábio Góes, do Planejamento. O destino do dinheiro seria a primeira-dama e o prefeito.
O promotor afirmou que os fatos que envolveriam o prefeito teriam ocorrido entre novembro e dezembro do ano passado, antes da assinatura do contrato com as entidades prestadoras de serviço de saúde terceirizados que estão sendo investigadas. Como Barbosa tem foro privilegiado, o inquérito da Operação Antissepsia envolvendo as denúncias contra o Atlântico foi encaminhado para o Tribunal de Justiça do Paraná (TJ).
Pelo entendimento do Gaeco, a decisão de não contratar a Santa Casa e a Fundação de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico do Hospital Regional Norte do Paraná (HUTec), que era a vontade de alguns secretários, teria partido de alguém acima deles. Como a primeira-dama não tem cargo na administração municipal, essa decisão teria passado pelo prefeito Barbosa Neto. Foi da negativa de contratar a Santa Casa e o HUTec que apareceram os institutos Gálatas e Atlântico no processo de contratação dos serviços terceirizados na saúde.
O advogado de Bruno Valverde, Vinícius Borba, confirmou à reportagem que o cliente entregou R$ 20 mil para o secretário Fábio Góes. O dinheiro foi pedido em uma reunião, na qual participou a primeira-dama Ana Laura. Borba contou que o montante, a princípio, seria referente a um empréstimo, pelo qual Valverde recebeu como garantia um cheque de R$ 40 mil. Como o cheque não apresentava fundos, no momento do saque, Borba afirmou que o cliente dele procurou a primeira-dama. "Neste encontro, ela teria dito que os R$ 20 mil ficariam como comissão pela assinatura do contrato", disse.
A reportagem procurou o prefeito Barbosa Neto, mas o Núcleo de Comunicação do município informou que ele não iria se manifestar. A primeira-dama Ana Laura não atendeu às ligações no celular. Fábio Góes está em férias e também não atendeu a reportagem.
Ontem, o MP informou que fez a denúncia criminal de 15 pessoas, todas ligadas ao Instituto Gálatas, um dos investigados. Segundo o Gaeco, o desvio de recursos dos cofres de Londrina foi de cerca de R$ 318 mil.



