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Moro e Fachin (dir.): ministro paranaense do STF irá decidir se tira novamente a investigação de Lula das mãos do juiz da Lava Jato. | André Rodrigues/Gazeta do Povo
Moro e Fachin (dir.): ministro paranaense do STF irá decidir se tira novamente a investigação de Lula das mãos do juiz da Lava Jato.| Foto: André Rodrigues/Gazeta do Povo

Após ser escolhido para relatar pedido de Lula, o ministro Luiz Edson Fachin declarou-se suspeito e devolveu o pedido para o presidente do STF, Ricardo Lewandowski. Quem assumiu a relatoria foi a ministra Rosa Weber.

O pedido da defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para anular a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, que devolveu as investigações contra o petista para o juiz Sergio Moro, será relatado pelo ministro paranaense Luiz Edson Fachin. O habeas corpus apresentado pelos advogados de Lula havia sido direcionado ao presidente do STF, Ricardo Lewandowski, mas, pelas regras do tribunal, esse tipo de ação só é julgada pelo presidente no recesso do Judiciário.

A movimentação dos defensores de Lula pode enfrentar um problema processual, uma vez que a maioria do Supremo fixou, em fevereiro, que não cabe habeas corpus contra decisão monocrática (individual) de um ministro. Fachin também é relator de outro habeas corpus pedindo um salvo conduto para Lula não ser preso, mas que foi apresentado por um advogado que não é ligado à defesa do ex-presidente.

Receio de prisão

Com receio de que Moro possa deflagrar uma nova ação contra Lula, a defesa tenta anular a decisão do ministro Gilmar Mendes que, ao suspender a posse do ex-presidente como ministro da Casa Civil, determinou que as investigações do petista ficassem a cargo da Justiça no Paraná.

Nos bastidores, integrantes do governo e líderes do PT admitem que há receio de que Moro possa determinar a prisão de Lula. A defesa argumentou ao STF que cabe ao ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato, avaliar a competência para analisar as ações contra o ex-presidente.

Os defensores ainda alegam que Mendes se antecipou e tratou do mérito do caso antes de proferir decisão, abordando a questão fora dos autos. O governo e o PT iniciaram uma ofensiva para garantir a posse do petista na Casa Civil e impedir que ele seja alvo de pedido de prisão. Para dar peso à ofensiva, a ação deve ser assinada por juristas como Celso Antônio Bandeira de Mello, Fábio Konder Comparato, Pedro Serrano, entre outros.

Pressa

Ao longo do fim de semana, a Advocacia-Geral da União (AGU) e o PT debateram medidas para tentar garantir o foro privilegiado a Lula. A AGU pediu pressa do Supremo para suspender todas as ações e decisões envolvendo a posse do petista no governo Dilma. Segundo fontes da AGU, o governo discute até se vai pedir a suspeição de Mendes para atuar no caso já que em uma das ações em que despachou proibindo Lula de assumir o ministério foi assinada por uma advogada que integra a coordenação do Instituto Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP). Gilmar é coordenador acadêmico do IDP.

O governo quer agilizar uma posição de Teori porque o STF não tem sessão marcada para esta semana por causa do feriadão da Páscoa. A próxima reunião do plenário do Supremo está marcada para o dia 30. Mas a data do julgamento depende do relator do caso liberar a ação para análise dos 11 ministros - ainda não há previsão. Porém, não é comum que um ministro suspenda decisão liminar de outro.

Em sua decisão, Gilmar afirmou que a posse de Lula pode configurar “uma fraude à Constituição”, sendo que houve desvio de finalidade por parte da presidente Dilma Rousseff. Isso porque, segundo o ministro, há indícios de que Dilma indicou o ex-presidente para o governo com o objetivo de que as investigações contra ele fossem examinadas pelo Supremo e não mais por Moro.

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