O Brasil tem uma "democracia imperfeita" de acordo com estudo divulgado nesta semana pelo Economist Intelligence Unit, o braço de pesquisas da conceituada revista britânica "The Economist". Segundo a consultoria, o país aparece na 44ª colocação em um ranking com 167 países. O Brasil computa 7,24 pontos em uma escala que vai até 10.A lista é produzida desde 2006. No ano passado, o Brasil aparecia na 45ª posição, mas a pontuação continuou a mesma.
No ranking deste ano, países mais pobres como Timor Leste, Chipre e Botswana aparecem à frente do Brasil. As primeiras colocações da lista são ocupadas por países escandinavos: Noruega, Suécia e Dinamarca, além da Islândia.
O ranking é preparado a partir de 60 indicadores que são agrupados em cinco categorias. Em três delas, o Brasil aparece bem posicionado: processo eleitoral e pluralismo (9,58), funcionamento do governo (7,5) e liberdades civis (9,12).
O que coloca o país para baixo no ranking são a participação (5) e a cultura politica (4,38). Essas categorias avaliam indicadores como o percentual de participação da população nas votações. Como o voto é obrigatório, pelos critérios do levantamento, o país não pontua neste quesito.
Outro dado que derruba o Brasil é a participação das mulheres na política. Como no Congresso menos de 10% dos parlamentares são mulheres, a pontuação também é zero neste indicador.Também é avaliado o interesse da população pelo noticiário político, o percentual de filiados em partidos, o incentivo das autoridades para a promoção da política, o apoio popular ao regime democrático e até o grau de separação entre a igreja e o Estado. No Brasil, ainda é comum crucifixos em repartições públicos.
De acordo com o estudo, apenas 25 países podem ser considerados como "democracia plena", enquanto 54 são classificados como "democracia imperfeita". Entre os 88 países restantes, 51 são chamados pela consultoria de "regime autoritário" e 37, de "regime híbrido".
Economist Intelligence Unit lembra que as "democracias imperfeitas" estão concentradas na América Latina, leste da Europa e parte da Ásia.
Segundo a consultoria, apesar do progresso das últimas décadas nesses países, suas democracias são frágeis exatamente por cauda da participação e da cultura política.



