
O aceno de partidos aliados do PSDB em São Paulo para que a senadora Marta Suplicy (PT) troque de legenda e seja candidata à prefeitura de São Paulo em 2016 foi feito com o consentimento de lideranças tucanas, entre elas, o governador Geraldo Alckmin.
As tratativas de Marta com o PSB e o Solidariedade começaram no fim do ano passado, e Alckmin foi informado da articulação pessoalmente por dirigentes das duas legendas. Em conversas reservadas, ele tem dito que, quanto mais candidatos houver na disputa do ano que vem, melhor. Por sua vez, o PT tenta segurar ao máximo a senadora na legenda.
Não existe ainda uma definição sobre o destino de Marta, mas é majoritária a avaliação no PSDB de que uma entrada da senadora na sucessão municipal seria um ótimo negócio para os tucanos porque ela prejudicaria a candidatura do prefeito Fernando Haddad (PT), reduzindo o favoritismo que carregam projetos de reeleição.
"Tudo o que puder causar dissensão e divisão no PT será bom para nós", resumiu uma liderança do PSDB.
O PT sabe disso e escolheu o presidente estadual da legenda, Emídio de Souza, para tentar dissuadir Marta de sua saída.
Sem um nome forte para disputar a prefeitura paulistana as possibilidades até o momento são de candidatos de primeira viagem , o PSDB colocou como principal meta para 2016 tirar o PT do governo e não descarta uma aliança com Marta num eventual segundo turno para alcançar o objetivo. Por enquanto, é considerada remota a possibilidade do partido se engajar numa candidatura de terceiros no primeiro turno.
Os mais otimistas dentro do PSDB dizem que Marta aumentaria a chance de competitividade do próprio candidato tucano, já que a aposta é de que o cenário eleitoral seja bastante pulverizado. Há também aqueles que não acreditam numa saída da senadora do PT e avaliam que o interesse dela seria pressionar para garantir o posto de candidata ao governo de São Paulo em 2018 pelo PT.
A aproximação de Marta com o PSB foi iniciada pelo marido da ex-ministra, Marcio Toledo, ex-presidente do Jockey Club de São Paulo. A senadora já teve uma primeira conversa com o presidente do PSB de São Paulo e vice-governador, Márcio França. Dirigentes nacionais do PSB têm sondado os líderes locais para saber se a petista seria bem aceita no partido. Na conversa que o vice-governador teve com Alckmin, este avaliou Marta como um "bom quadro", segundo pessebistas.
PT foge da briga
No PT, a ordem é não fomentar a briga com a senadora. Recentes declarações do ex-ministro e aliado de Lula Paulo Vanucchi, condenando as críticas de Marta, foram repudiadas pelas lideranças petistas. O PT teme o prejuízo político com a saída da senadora e vê uma ameaça à candidatura de Haddad.
Por isso, já acenou com a possibilidade de a senadora concorrer pelo PT ao governo paulista, em 2018. Também não está descartado que, caso queira, Marta vá às prévias contra o prefeito Haddad para a disputa à Prefeitura em 2016. Essa possibilidade, no entanto, é a que mais desagrada os dirigentes petistas.
Os petistas também têm deixado claro que, mesmo que Marta deixe o partido, não irão reivindicar sua vaga no Senado. "Eu não quero isso, não vou pedir isso. Para mim, sinceramente, a vitória é ter Marta no PT", disse o suplente da senadora, Paulo Frateschi, que é um dos dirigentes mais próximos da ex-ministra.



