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Petrobras admite que balanço pode mostrar prejuízo com Abreu e Lima

O resultado decorre do aumento dos investimentos para construir a refinaria

A Petrobras admite que balanço pode mostrar prejuízo com a construção da refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco | Petrobras / Divulgação
A Petrobras admite que balanço pode mostrar prejuízo com a construção da refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco (Foto: Petrobras / Divulgação)

A Petrobras admitiu nesta quarta-feira (21) que seu balanço financeiro referente ao terceiro trimestre pode registrar, além das perdas provocadas pelo escândalo de corrupção da Operação Lava Jato, prejuízo relacionado à refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco. No domingo, a Folha de S.Paulo noticiou, com base em auditoria interna da própria empresa, que a refinaria pernambucana vai gerar uma perda de US$ 3,2 bilhões para a Petrobras. Com a explosão de custos, estimada em US$ 18,5 bilhões, as receitas futuras geradas pelo projeto serão incapazes de pagar os investimentos.

O prejuízo decorre do aumento dos investimentos para construir a refinaria. Os gastos subiram tanto que as receitas previstas para o projeto gerar ao longo do tempo, corrigidas para valores atuais, são insuficientes para pagar o que foi investido. A obra de Abreu e Lima é a mais cara em curso no Brasil: deve chegar aos US$ 18,5 bilhões. O custo inicial estimado era de US$ 2,4 bilhões.

Na segunda-feira, a estatal admitiu que o aumento de custos deve-se a alterações no projeto original sugeridas pelo ex-diretor Paulo Roberto Costa. O executivo é um dos principais investigados pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério Público Federal (MPF) na operação Lava Jato. Ele é suspeito de participar de um grupo que teria se organizado para fraudar licitações e fechar contratos com sobrepreço em troca de vantagens financeiras para dirigentes da estatal e partidos políticos. Paulo Roberto Costa fez um acordo de delação premiada em troca da redução de pena e teria colabora com as investigações contando como o suposto esquema funcionava.

Conforme a nota desta quarta, "a Petrobras está realizado as análises necessárias para a divulgação das demonstrações financeiras do terceiro trimestre de 2014, incluindo a avaliação de ativos e projetos cuja constituição se deu por contratos de fornecimento com as empreiteiras citadas na Operação Lava Jato, inclusive a Rnest (Abreu e Lima), o que poderá resultar no reconhecimento de perdas e consequente revisão do seu ativo imobilizado atual".

Mão no fogo

A divulgação do balanço da Petrobras está atrasada, porque a PwC, auditoria externa que avaliza as contas, se recusa a assinar o documento. A estatal promete soltar os números em breve, mesmo sem a concordância dos auditores.

A Petrobras foi questionada pelos órgãos reguladores sobre a reportagem, que demonstrava que a continuidade das obras foi aprovada pelo conselho de administração em junho de 2012, junto ao plano de negócios da empresa de 2012 a 2016. Os investimentos em Abreu e Lima chegavam então a US$ 17 bilhões e a perda estimada já estava em US$ 3,2 bilhões.

De acordo com o comunicado, o relatório da auditoria interna citado na matéria "não permitia subsidiar a decisão de continuidade do projeto". A estatal afirma que "a refinaria já estava com 60% das obras concluídas" e que continuava em linha com os "objetivos estratégicos" de aumentar a margem de refino através da agregação de valor ao petróleo pesado e de crescimento de demanda nacional por diesel, nafta e GLP, principalmente nas regiões Norte e Nordeste do país.

No domingo (18), a Petrobras emitiu nota responsabilizando o ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa pela explosão de custos na refinaria. Ele é um dos principais delatores do esquema de corrupção na estatal. Costa defendeu-se e disse, por meio de seu advogado, que não é o "algoz" de perdas bilionárias para a empresa. "Dessa forma, parece que ele é o algoz de uma perda bilionária para a Petrobras.

Isso não é verdade", disse o advogado de Costa, João de Baldaque Mestieri. "Ele não tinha autonomia para autorizar esse tipo de gasto". De acordo com o advogado de Costa, o plano de antecipação da refinaria foi autorizado por toda a diretoria executiva da empresa em 2007. "Ele nunca poderia ter feito isso sozinho", disse Mestieri.

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