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Eleições 2004

PF diz ter provas de caixa 2 em Londrina

Documentos apreendidos ontem comprovariam despesas não declaradas

A Polícia Federal de Londrina (PF) disse ontem ter comprovado com documentos e testemunhos a existência do caixa 2 durante a campanha de reeleição do prefeito Nedson Micheleti (PT) no ano passado. A confirmação foi feita pelo próprio delegado-chefe da PF, Sandro Vianna dos Santos, no fim da tarde de ontem, após análise de documentos obtidos durante todo o dia.

Munidos de 22 mandados de busca e apreensão, 40 agentes da PF, acompanhados de promotores, apreenderam 48 caixas de documentos em empresas de Londrina e Apucarana que teriam fornecido serviços ao Partido dos Trabalhadores nas eleições de 2004. Em um dos documentos, o nome do próprio Nedson aparece como condutor de um veículo cuja locação não consta na prestação de contas do PT à Justiça Eleitoral.

"A avaliação das buscas é extremamente positiva porque está comprovado o esquema de caixa 2 aqui em Londrina", declarou o delegado. Segundo ele, "a PF conseguiu amealhar vasta documentação que não estava na prestação de contas eleitoral da campanha no ano passado".

O valor do caixa 2 atestado pela PF ainda não foi calculado, já que ontem os documentos apreendidos davam conta apenas de parte dos gastos. "Reunimos provas documentais e testemunhais da existência da contabilidade paralela", afirmou Santos.

Desde as 9 horas de ontem, a ex-assessora financeira da campanha petista Soraya Garcia permaneceu na sede da PF auxiliando na análise dos documentos que chegavam a todo momento. Ela é a autora da denúncia de que o PT gastou R$ 6,5 milhões a mais na campanha – e não R$ 1,3 milhão, como está declarado oficialmente. "O papel da Soraya foi importante porque alguns dos documentos foram assinados por ela, que também é fonte de dados e detalhes dos locais das buscas", explicou o delegado-chefe.

Dizendo-se "aliviada", a ex-assessora declarou que não é "mais a mentirosa que diziam". "Agradeço a todos os que comprovaram o que falei, principalmente os donos de postos (de combustíveis)."

Além da apreensão de documentos, oito donos de postos de combustível confirmaram ontem à PF a venda de combustível para a campanha com a emissão de notas fiscais que não constam da prestação oficial de gastos do PT.

Nome do prefeito

Entre os papéis apreendidos em uma das quatro locadoras de veículos da cidade, está um documento em que o prefeito Nedson aparece como condutor de um veículo alugado que não aparece na prestação de contas oficial. "Realmente existe um documento, assim como outros com nomes de secretários e pessoas ligadas ao partido (PT) que alugaram veículos", disse o delegado. "No campo para condutor do veículo está escrito Nedson Micheleti, mas não sei se é a letra dele. O que se sabe é que não foi a locadora que aparece na prestação de contas oficial", apontou o delegado da PF.

Na declaração do PT à Justiça Eleitoral, apenas a Rentauto Locadora aparece com gastos declarados de R$ 8.171,35 feitos em sete pagamentos entre os dias 14 de setembro e 12 de novembro do ano passado.

A ex-assessora reafirmou ontem que mais de R$ 40 mil foram gastos em locações não declaradas na campanha. A maioria delas, de acordo com os documentos recolhidos pela PF, está no nome de Augusto Dias Júnior e Jacks Dias. "Digo que existem carros locados nos nomes de secretários municipais, mas ainda não conseguimos amealhar toda a documentação e os dados cadastrais das locadoras", confirmou o delegado, sem revelar mais detalhes.

A PF aguarda que locadoras que têm sede fora de Londrina entreguem em breve os documentos originais. A PF também fez uma cópia de segurança de dados dos computadores em uma das empresas. "Posso afirmar que existia locação de veículos em grande volume e que não consta oficialmente da prestação de contas."

Segundo o delegado, ainda será necessária uma análise mais aprofundada nos dados "para podermos identificar completamente todas as pessoas, inclusive as questões sobre o nome do prefeito". Para Santos, "a comprovação do caixa 2 está patente".

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