A Polícia Federal realiza nesta quarta-feira uma grande operação em quatro estados e no Distrito Federal para prender 29 pessoas acusadas de envolvimento num esquema de clonagem de cartões bancários. Entre os envolvidos há policiais e bancários. A operação, batizada de Piraíba (peixe da Amazônia difícil de ser pescado), está sendo realizada em Brasília, São Paulo, Recife, Fortaleza e Uberaba e envolve 250 policiais federais e dez civis de Minas Gerais. Já foram presas 20 pessoas.
Segundo a PF, integrantes da organização instalavam equipamentos em caixas eletrônicos e faziam cópias dos cartões magnéticos usados pelos clientes. Com o equipamento, eles obtinham o número da conta e em muitos casos até o número das senhas e, a partir daí, faziam saques ou transferências de dinheiro das contas invadidas.
Em alguns casos, integrantes da quadrilha tinham a colaboração de funcionários dos bancos. Um dos bancos mais visados pelo grupo era a Caixa Econômica Federal.
Só em Minas Gerais, o golpe rendeu mais de R$ 5,5 milhões nos últimos dois anos. De acordo com Rodrigo Morais, delegado federal de Uberaba, no Triângulo Mineiro, um dos suspeitos de chefiar a quadrilha, Rodrigo Fernandes, de 27 anos, conhecido como o Rei do Cartão, agia há cinco anos. Outras 14 pessoas foram presas, entre elas, três policiais civis da cidade, suspeitos de garantir a impunidade dos golpistas e até realizando saques ilegais. Em Uberaba, foram apreendidos eletrodomésticos, TVs de plasma, carros de luxo e até uma lancha, comprados pelos suspeitos com dinheiro de clientes que tiveram cartões clonados.
Segundo a polícia, a quadrilha fabricava dispositivos eletrônicos, conhecidos como "chupa-cabras", que são instalados nos caixas para copiar e armazenar números de contas e senhas. Outro dispositivo, chamado de "luva", era usado com a ajuda de mini-câmeras, através das quais olheiros observavam a movimentação de clientes.
Em São José dos Campos, a PF prendeu um homem acusado de integrar a quadrilha. João Gonçalves Costa Irmão foi preso com documentos, disquetes, programa de computador para captura de senha e telefones celulares. Só na última ação em caixas eletrônicos, a fraude resultou em perda de R$ 26 mil para a Caixa Econômica Federal.
Em Fortaleza, o mandado de busca e apreensão foi cumprido na casa da companheira de um homem acusado de participar da quadrilha. Ele está sendo procurado pela polícia, mas seu nome não foi revelado. Dois carros, uma moto, documentos e computadores foram apreendidos.
Além dos presos em Uberaba e São José dos Campos, agentes federais já fizeram quatro prisões em Brasília. De acordo com a polícia, os equipamentos de clonagem eram fabricados em Recife e Brasília e usados pela quadrilha em todo o país.







