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Quatro pessoas foram presas temporariamente acusadas de lesar os cofres da Prefeitura de Corumbá, cidade de Mato Grosso do Sul na fronteira com a Bolívia. De acordo com as investigações, elas faziam parte de um esquema montado na prefeitura em que foram desviados recursos públicos através de licitações fraudulentas ou direcionadas e pagamento de propina.

As investigações começaram há mais de um ano pela Polícia Federal, Controladoria Geral da União (CGU) e os Ministérios Públicos Federal (MPF) e Estadual (MPE). O prédio da Prefeitura foi fechado para que fossem cumpridos os mandados de busca e apreensão, e por isso o pagamento do salário dos servidores, previsto para esta quinta-feira (31), só deverá ser feito nesta sexta-feira.

A Operação denominada Decoada teve início ao amanhecer do dia, mobilizando 100 policiais federais, 16 técnicos da CGU e quatro integrantes da Força Nacional. Foram presos temporariamente o secretário de Administração e Finanças, Daniel Martins Costa, o assessor de gabinete Carlos Porto, o ex-presidente da Fundação de Cultura e Turismo, Rodolfo Assef Vieira e a servidora municipal Camila Campos Carvalho Faro. O prefeito de Corumbá, Ruiter Cunha (PT), informou através da sua assessoria de imprensa, que só vai falar sobre o assunto nesta sexta-feira, em entrevista coletiva à imprensa. Até o final da tarde, apenas dois dos presos haviam prestado depoimento, mas o delegado Alexandre do Nascimento, não quis dar informações sobre o assunto.

Atendendo ao pedido do MPF, a Justiça também determinou o afastamento de oito ocupantes de cargos na administração municipal de Corumbá. De acordo com o MPF, a Força Tarefa montada para apurar o caso identificou fraudes e direcionamento em licitações, corrupção, falsidades, desvio de recursos públicos e pagamento de propinas, que envolviam servidores municipais e empresários. Não foi informado o montante de dinheiro subtraído dos cofres públicos, mas o Ministério Público Federal diz que são "milhões". Pelo esquema eram desviados recursos federais destinados ao Sistema Único de Saúde (SUS), educação básica e obras de infraestrutura.

Ainda de acordo com a PF, a Decoada é desdobramento da Operação Questor, realizada em maio do ano passado, cujo alvo foi a Prefeitura de Ladário, cidade vizinha a Corumbá. Na Questor foram presas sete pessoas, sendo seis funcionários públicos e um empresário. O desvio de recursos era nas áreas de saúde e educação, por meio de licitações direcionadas a empresas fantasmas ou que tinham como sócios-proprietários servidores da Prefeitura. As investigações apontaram que algumas empresas envolvidas na fraude em Ladário, também estavam operando no esquema fraudulento em Corumbá.

Na Operação Decoada foram cumpridos, ainda, 36 mandados de busca e apreensão e 28 conduções coercitivas (situação em que as pessoas são levadas para a polícia para prestar depoimento). A operação levou esse nome em analogia ao fenômeno que ocorre todos os anos no Pantanal, em que os peixes morrem por falta de oxigênio, por causa da decomposição da vegetação no período da cheia. No caso da operação, os acusados estariam submetendo a população à asfixia, ao desviar recursos que deveriam ser aplicados em saúde, educação e infraestrutura.

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