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Santana com Dilma em foto de 2010. | ANDRÉ DUSEK/ESTADÃO CONTEÚDO
Santana com Dilma em foto de 2010.| Foto: ANDRÉ DUSEK/ESTADÃO CONTEÚDO

Após analisar relatório referente a uma conta de e-mail do publicitário João Santana em 2015, a Polícia Federal (PF) chegou à conclusão de que o marqueteiro “possui relação de muita proximidade” com a presidente Dilma Rousseff e “certa influência sobre as ações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva”.

O documento não traz acusações e nem levanta suspeitas sobre os interlocutores de Santana – responsável pela campanha da reeleição de Lula à Presidência, em 2006, e das duas campanhas de Dilma, em 2010 e em 2014. Mostra como esses interlocutores se valiam de uma conta de e-mail do publicitário, com sua anuência, para tentar se comunicar com a presidente ou com o ex-presidente.

A peça, de 21 de janeiro, foi encartada pela PF nos autos da Operação Acarajé, deflagrada nesta segunda-feira, 22, com ordem de prisão contra Santana, sua mulher, Monica Regina Cunha Moura, e outros investigados.

Um dos contatos é o ex-ministro de Assuntos Estratégicos Roberto Mangabeira Unger. No dia 25 de outubro de 2015, Mangabeira mandou mensagem para Dilma, usando o endereço eletrônico do marqueteiro.

“Senhora presidente. Renovo meu pedido de audiência – se for possível na segunda-feira, 9 de novembro, ou na terça-feira, 10 de novembro, quando estiver em Brasília desde as 7 da manhã daquela segunda-feira, vindo dos Estados Unidos. Ficarei, senhora presidente, triste e inconformado se não puder levar adiante a colaboração que a senhora me propôs. As dificuldades por que passam o país e o governo só reforçam o meu desejo de ajudá-la.”

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O delegado Filipe Hille Pace, que subscreve o relatório, anotou: “A conclusão possível de ser tirada da simples leitura das mensagens trocadas é a de que Roberto Mangabeira Unger utiliza João Santana para repassar mensagens à Presidente da República. Além disso, pede, explicitamente, que o investigado (Santana) interceda junto à Presidente em seu favor, solicitando, inclusive, que João Santana empreenda esforços a fim de viabilizar um encontro pessoal entre Mangabeira e Dilma Rousseff.”

Em outro trecho, o relatório policial diz que “nas mensagens corrobora-se a conclusão já alcançada de que João Santana possui relação de muita proximidade com a Presidente da República, sendo indicado por ela, através de ministros e de assessores, para tratar de assuntos relevantes para o governo federal, dentre elas a CPMF e a Olimpíada de 2016”.

No dia 15 de novembro, Mangabeira envia recado para Lula, via e-mail de João Santana. O ex-ministro comenta sobre textos que publicou na imprensa e se queixa de não ter recebido atenção da presidente.

“Curioso é que Mangabeira, para encaminhar os textos ao ex-presidente, enviou-os para o e-mail de João Santana. A conclusão lógica é que o investigado (Santana) também possui relação extremamente próxima com Luiz Inácio Lula da Silva até os dias atuais. O mesmo tipo de relação é partilhado com a atual Presidente da República”, finaliza o delegado. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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