Depois de oito anos sem candidato próprio à Presidência da República, o PMDB tenta um pacto de união para superar divergências internas e chegar ao Palácio do Planalto. O partido reuniu ontem em Curitiba a cúpula nacional para lançar um documento com o programa de governo para a campanha de 2006. O eixo central da proposta é uma mudança radical na política econômica, com a redução da taxa de juros de 13% para 4% ao ano.
Na apresentação do programa "Para mudar o Brasil", no plenarinho da Assembléia Legislativa, estiveram presentes três pré-candidatos a presidente: o governador do Paraná, Roberto Requião; o secretário Especial do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho; e o ex-governador de São Paulo Orestes Quércia. Participaram também do encontro a governadora carioca, Rosinha Matheus, e o governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos. A programação foi encerrada à noite com um encontro no auditório da Fiep, onde também estiveram presentes o governador de Santa Catarina, Luiz Henrique; o presidente nacional do partido, deputado Michel Temer e o presidente do Senado, Renan Calheiros (representante do PMDB governista).
Assediado pelos governadores do Sul para trabalhar sua candidatura a presidente, Roberto Requião disse que não é o momento de falar em nomes, mas de realizar um esforço concentrado num projeto alternativo para o país.
Aliado de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desde o início da campanha eleitoral, Requião está cada vez mais distante do presidente e é um dos mais ferrenhos críticos da política econômica. Para o governador, o programa do PMDB visa a resgatar a esperança no governo. "Me sinto frustrado com o PT porque o programa anunciado não foi cumprido", afirmou.
Apesar de o PMDB ser o maior partido da base de sustentação do presidente Lula no Congresso Nacional e participar do governo com três ministros Silas Rondeau (Minas e Energia), Hélio Costa (Comunicações) e Saraiva Felipe (Saúde) os discursos do grupo que encabeça a candidatura própria são de oposição ao PT.
Anthony Garotinho reprova o não cumprimento das promessas de campanha e descarta a repetição de uma aliança entre os dois partidos em 2006. "Lula teve todas as oportunidades, mas não fez o que prometeu. Acho pouco provável que um projeto nacionalista empolgue a cúpula do PT porque o governo segue a velha cartilha do neoliberalismo", afirmou o pré-candidato, que aparece bem colocado nas pesquisas de opinião pública para a sucessão presidencial.
Para viabilizar um projeto eleitoral próprio, a ordem no partido é contornar as divisões internas. "Em vez de ficarmos brigando com os companheiros que estão no governo, estamos somando. Todos estão unidos para evitar qualquer separação e eleger o próximo presidente da República", disse o ex-governador Orestes Quércia, que preside o partido em São Paulo.
O mesmo grupo que participou do ato político em Curitiba vem defendendo o afastamento do PMDB do governo. Em novembro do ano passado, quatro dos seis governadores do partido Roberto Requião (PR), Joaquim Roriz (DF), Rosinha Matheus (RJ) e Germano Rigotto (RS) lançaram um manifesto exigindo a saída dos ministros do PMDB do primeiro escalão de Lula.
Diante da resistência em entregar os cargos, a direção do partido chegou a cogitar a expulsão dos ministros, mas decidiu acatar a proposta de Anthony Garotinho para que fossem retiradas as representações apresentadas ao Conselho de Ética. O presidenciável argumentou que a medida poderia ter um efeito desagregador, dificultando o projeto de candidatura própria em 2006.
A eleição prévia para escolher o candidato do partido à Presidência da República será no dia 5 de março de 2006. As inscrições serão abertas no dia 20 de setembro.



