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Rio de Janeiro

Polícia confunde míssil com projétil de canhão

Artefato apreendido na Cidade de Deus é projétil de canhão, sem carga explosiva. Inicialmente a polícia informara tratar-se de míssil que seria usado contra blindado da PM

Policiais do Serviço de Repressão a Entorpecentes da Zona Oeste (SRE-Oeste) apreenderam um artefato de guerra de cerca de 50 centímetros de comprimento na Cidade de Deus, em Jacarepaguá, na Zona Oeste da cidade, na manhã desta sexta-feira. Inicialmente a polícia informou tratar-se de um míssil. No fim da tarde, porém, a assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança esclareceu que, na verdade, o material apreendido é um projétil de canhão de artilharia, sem carga explosiva.

Consultado pela reportagem do jornal 'O Globo', o especialista Ronaldo Leão, diretor do Núcleo de Estudos Estratégicos da Universidade Federal Fluminense (UFF), confirmou que o material não é letal e não oferece perigo de explosão. Segundo ele, o artefato jamais serviria para atacar carros blindados, porque não tem pólvora e, caso tivesse, somente poderia ser utilizado se colocado num lançador.

Ao mostrar o material apreendido na favela, o delegado Tulio Pelosi, titular da SRE-Oeste, informara, pela manhã, que a operação tinha sido desencadeada após a polícia receber uma denúncia de que traficantes pretendiam utilizar o suposto míssil contra o blindado da PM. Seria, segundo a denúncia, uma represália à operação realizada na noite de quarta-feira pelo 18º BPM (Jacarepaguá) que resultou na morte de três traficantes do local.

O projétil foi apreendido numa casa na localidade conhecida como Karatê, no interior da favela. Três homens foram detidos. Houve rápida troca de tiros com a chegada da polícia na comunidade, mas sem feridos. Segundo o delegado Pelosi, dois dos detidos foram liberados e um bandido conhecido como Marcha Lenta continua preso. Ele tem duas passagens pela polícia por tráfico de drogas. O artefato foi enviado à Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (DRAE) para análise.

Em 2002, Beira-Mar negociou compra de míssil

Não é de hoje que se fala em uso de mísseis por traficantes, sem no entanto, que as informações fossem comprovadas. Em novembro de 2002 o Serviço Reservado (PM-2) da Polícia Militar investigou a suposta compra de mísseis pelo traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar. Na época, desconfiava-se que os foguetes seriam usados em atentados contra o Aeroporto Internacional Tom Jobim. Segundo a denúncia recebida pela PM-2, os mísseis comprados por Beira-Mar estariam escondidos em Duque de Caxias. A polícia fez uma série operações na Favela Beira-Mar, principal reduto do traficante, mas não encontrou nada.

Em junho do mesmo ano, o Ministério Público divulgou gravações feitas no presídio de segurança máxima Bangu 1 que registravam negociações de Beira-Mar para a compra de um míssil Stinger, usado pela organização terrorista al-Qaeda, de Osama bin Laden. A conversa foi entre Marcos Marinho dos Santos, o Chapolim, homem forte de Beira-Mar, e um bandido paulista.

Dois anos depois, em junho de 2004, Policiais do 22º BPM (Maré) apreenderam uma bazuca num terreno baldio no Morro do Adeus, em Ramos. A bazuca era um lança-míssil de fabricação suíça, usado pelo Exército.

Em março de 2006, nova apreensão: policiais do 12º BPM (Niterói) encontraram no Morro Chapa Quente, no Complexo do Caramujo, em Niterói, um lança-míssil com as inscrições "Talibã" e "Bonde da Grota". Além disso, recolheram artefatos semelhantes a mísseis e sete granadas artesanais. O comandante do 12º BPM, tenente-coronel Marcus Jardim, disse na ocasião ter certeza de que "alguém com conhecimento sobre explosivos" trabalhava para os traficantes da área.

Antes, em janeiro deste ano, a polícia se deparou com um mistério: uma caixa de um míssil Surface Attack M 222 foi encontrada por homens da 71ª DP (Itaboraí), com apoio do Serviço Reservado (P-2) do 35º BPM (Itaboraí). A caixa estava junto a armamentos apreendidos com cinco traficantes naquele município. O delegado Marcello Maia, titular da 71ª DP, enviou ofício para as Forças Armadas com a numeração do petardo. Mas o míssil não foi localizado.

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