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Armas

Possível exportação de mísseis pode causar problema diplomático

Venda de armas para inimigo da Índia, que é parceira estratégica do Brasil, poderia causar mal-estar diplomático

Avalizada em 2008 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a exportação de mísseis fabricados pela companhia brasileira Mectron ao Paquistão poderá transformar-se em nova dor de cabeça para o governo. A empresa estaria em negociações com Islamabad para a venda de mais um lote desses armamentos ao Paquistão, país que tem como inimigo e alvo a Índia, parceira estratégica do Brasil e sócia em dois foros emergentes.

"Ainda não tenho notícias desse negócio. Não recebemos nenhum pedido de autorização. Mas, se aparecer, cada dia com a sua agonia", afirmou o ministro da Defesa, Nelson Jobim, logo depois de confirmar a transação entre a Mectron e o Paquistão no ano passado.

A venda de um lote de 100 mísseis, em 2008, teria totalizado 85 milhões de euros, conforme informou hoje o jornal "Folha de S. Paulo". Os dados desse comércio, entretanto, foram omitidos das estatísticas oficiais brasileiras por se tratar de um bem altamente sensível, como explicou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

Como se trata de uma exportação controlada pelo governo, esse processo foi submetido à avaliação do Itamaraty, que desaconselhou o negócio por seu potencial de gerar problemas bilaterais entre o Brasil e a Índia. O Ministério da Defesa, a outra área do governo que deve se manifestar sobre o comércio exterior de armas e munições, deu seu aval. Diante do impasse entre os dois ministérios, a questão foi levada ao presidente Lula, que liberou o embarque.

Jobim justificou nesta segunda-feira que, como o contrato já havia sido firmado e submetido à Câmara de Comércio Exterior (Camex), teria de ser honrado. Na ocasião, as reclamações encaminhadas pelo governo indiano ao Brasil acabaram contornadas com o argumento de que Nova Délhi também poderia se valer do Brasil como provedor de mísseis e de que os Estados Unidos fornecem armas para ambos os países em conflito, a Índia e o Paquistão.

No início de 2010, o ministro deverá visitar a Índia e terá de enfrentar prováveis queixas contra um eventual contrato novo entre a Mectron e Islamabad. No ano passado, as reclamações não chegaram a repercutir no andamento dos projetos bilaterais nem no encaminhamento do Foro Ibas (Índia, Brasil e África do Sul) e do Foro Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), que são duas das frentes de convergência de economias em desenvolvimento de especial relevância na política externa brasileira.

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