O prefeito de Foz do Iguaçu, Reni Pereira (PSB), preparava-se para assinar um convênio na sede da Fundação Cultural da cidade no Oeste do Paraná quando foi questionado por um repórter sobre o descontentamento da comunidade em relação ao trabalho dele à frente da prefeitura. Impaciente, saiu da frente da câmera do site A Fronteira sem responder a questão e xingando o repórter Yassine Ahmad Hijazi. Visivelmente irritado, sentou-se à mesa reservada às autoridades, quando Hijazi procurou-o novamente em busca da resposta. Proferindo palavrões, o prefeito quis afastar o repórter também ameaçando; "dá licença, sai daqui" e voltou a destratá-lo. Sem reagir, Hijazi levantou as mãos ao se afastar. "Pode deixar", disse.
A cena descrita acima aconteceu no último dia 7 de março e gravados pelo microfone de um outro repórter que estava ligado no momento da conversa. O trecho, em que é possível acompanhar o desentendimento, foi publicado pelo site A Fronteira e na manhã desta quarta-feira (19) já contabilizava mais de 50 mil acessos. Até então, o vídeo com maior repercussão no site criado em 2011 - tinha 10 mil visualizações. No Facebook, o vídeo "viralizo"u com 4 mil compartilhamentos.
Além do prejuízo à imagem, o prefeito também deve receber nos próximos dias, duas intimações. A primeira na esfera cível, por calúnia e constrangimento, e a segunda na esfera penal, por injúria e ameaça. "Essa é uma questão moral. Eu estava lá (evento) como jornalista, fazendo o meu trabalho. Fui ofendido e tenho o direito de me defender judicialmente", disse o jornalista.
As intimações devem levar 15 dias antes chegar ás mãos do prefeito, segundo o advogado de Hijazi, Wellington Ludke. Para a ação cível uma audiência de conciliação já foi marcada para o próximo mês de maio. Já a queixa crime, ficará a cargo do Tribunal de Justiça do Paraná.
Apoio
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná emitiu nota de repúdio à ação do prefeito. A equipe também tem recebido solidariedade de autoridades e de expectadores de países árabes, de onde descende o jornalista.
Na Câmara Municipal, vereadores da oposição prometeram exibir o vídeo na sessão desta quinta-feira (20). "A ação movida pelo Yassine é pelo pedido de respeito, reagindo dessa forma o prefeito não pode esperar que outras pessoas o tratem diferente", confirmou Sônia Inês Vendrame, mestre em Comunicação e Semiótica, membro da equipe do site.
A assessoria de imprensa da prefeitura comunicou por telefone que nenhuma nota será emitida pelo prefeito até o recebimento da chamada judicial. "O pedido de desculpas já foi feito na abertura do evento, em público", revelou um dos assessores. Hijazi discorda. "Ele (prefeito) pediu desculpas por não ter respondido à minha pergunta, não por ter me xingado".



