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Ligações perigosas

Prefeitura rompe contratos com empresa de ex-líder do PP

Quase três meses depois de denúncias, prefeitura decide rescindir os contratos que mantinha com Iguatemi e Catedral

Alberto Klaus deixou o comando do PP municipal após as irregularidades das construtoras virem à tona. O advogado dele vai recorrer | Jonathan Campos/Gazeta do Povo
Alberto Klaus deixou o comando do PP municipal após as irregularidades das construtoras virem à tona. O advogado dele vai recorrer (Foto: Jonathan Campos/Gazeta do Povo)

A Prefeitura de Curitiba rescindiu os contratos que mantinha com a Catedral Construções e com a Construtora Iguatemi – esta última que tem como donos familiares de Alberto Klaus, ex-presidente do PP em Curitiba. As empresas foram consideradas inidôneas pela administração municipal, tiveram as obras suspensas e estão proibidas – a Iguatemi por 180 dias e a Catedral por 90 – de participar de licitações públicas.

A assessoria da prefeitura informou ainda que a a Catedral ainda terá de pagar uma multa de R$ 18,5 mil – referente a quebra de contrato. A decisão é do dia 3 de abril e foi assinada pelo secretário de Obras Públicas, Mário Yoshio Tookuni, após consulta à Procuradoria-Geral do Município.

O contrato em questão, que rendeu a multa à Catedral, é justamente o que provocou, em fevereiro desde ano, as denúncias envolvendo a prefeitura e as duas construtoras. A Iguatemi é suspeita de falsificar documentos para que, em 2006, pudesse participar de uma licitação da Secretaria Municipal de Obras Públicas. Apesar de não vencer a concorrência pública, a empresa foi subcontratada pela Catedral – vencedora do processo licitatório. Pelo contrato, a Catedral recebia R$ 46.436,94 por mês da administração municipal – serviço interrompido pela decisão da prefeitura.

A Iguatemi firmou dez contratos com a prefeitura, o que lhe rendeu mais de R$ 6 milhões. No entanto, apenas dois ainda estavam vigorando: um firmado com a Urbs, que previa a aplicação de sinalização horizontal nas ruas, e o outro com a Secretaria de Obras. Somados, os dois serviços foram orçados em cerca de R$ 4,8 milhões e estavam previstos para terminar até o fim do mês de abril. A construtora será paga, informou a assessoria da prefeitura, pelo serviço prestado até a última sexta-feira – quando saiu a decisão.

A prefeitura informou que não está descartada a possibilidade de aplicação de multa contra a construtora dos familiares de Klaus por quebra dois dois contratos. Os serviços interrompidos, por conta das rescisões contratuais, serão concluídos pelas equipes da própria prefeitura.

Outro lado

Tanto a Iguatemi quanto a Catedral foram procuradas ontem pela reportagem para comentar a decisão da prefeitura de romper os contratos ainda vigentes, mas nenhum diretor foi encontrado para comentar o caso.

Alberto Klaus também foi procurado, mas desde que o escândalo veio à tona, somente o advogado dele, Antônio Figueiredo Bastos, fala sobre o assunto. Bastos disse que não teve acesso à decisão da prefeitura e lamentou que tenha sido informado pela imprensa. O advogado adiantou que vai cobrar imediatamente da prefeitura os valores referentes aos serviços prestados e que vai tentar impugnar a decisão na Justiça. "É uma decisão estritamente política para atender aos anseios da mídia", afirmou.

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