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Crise no Planalto

Protegido pela base, Bezerra nega acusações e diz ser vítima

Ministro da Integração usa números favoráveis a ele para justificar decisões suspeitas

Bezerra (à dir.): acusações orquestradas para macular o PSB. Para base, ministro é vítima de preconceito contra nordestinos | Jose Cruz/Agência Br
Bezerra (à dir.): acusações orquestradas para macular o PSB. Para base, ministro é vítima de preconceito contra nordestinos (Foto: Jose Cruz/Agência Br)

Protegido pela base aliada da presidente Dilma Rousseff, o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, negou ontem no Congresso que tenha praticado nepotismo, loteado a pasta e privilegiado aliados políticos na distribuição de dinheiro público. Usou números que eram favoráveis a ele para tentar dar um caráter técnico às suas decisões. Afirmou que fez tudo com o aval de Dilma. Disse que as acusações contra ele são orquestradas para macular a imagem de seu partido, o PSB. Foi defendido por aliados que o colocaram no papel de vítima do preconceito contra os nordestinos.

Bezerra é acusado de destinar 90% dos recursos de 2011 para prevenção de desastres a Per­nam­buco, seu estado, governado por Eduardo Campos, presidente na­­cional do PSB. O ministro beneficiou também seu filho, o deputado federal Fernando Coelho (PSB-PE), com o maior volume de liberação de emendas de sua pasta em 2011.

O ministro é acusado ainda por ter loteado a estatal Codevasf ao indicar integrantes do PSB para cargos importantes e por manter seu irmão, Clementino Coelho, na presidência – o que caracteriza nepotismo e é ilegal. Ele ainda teria direcionado uma licitação da Codevasf para que a empresa de um amigo e correligionário, a Projetec, fosse vencedora.

Outros números

Para tentar se defender do uso político de dinheiro público, o ministro usou números de empenhos (compromisso de pagamentos) em vez de pagamentos efetivos para obras contra desastres. Neste critério, dos R$ 218 milhões destinados a prevenção em 2011, foram direcionados R$ 98 milhões para Per­­nambuco (45% ). Bezerra disse que a destinação do dinheiro obedeceu critérios técnicos.

O ministro falou ainda em números totais de empenho dentro do sistema federal de Defesa Civil para dizer que o Rio de Janeiro foi quem mais recebeu, com 20% dos recursos. Santa Catarina ficou com 17% e Pernambuco com 16%.

Atribuiu ainda baixa execução orçamentária dos projetos antidesastre a deficiências em projetos enviados por estados e municípios – R$ 500 milhões da verba não foram investidos.

Nepotismo

Em relação ao fato de ter mantido o irmão na presidência da Co­­de­­vasf quando assumiu o ministério, disse que se baseou no estatuto da estatal, que indicava que Cle­­mentino era quem deveria comandar a empresa. Negou ter privilegiado seu filho, o deputado Fernando Coelho, na liberação de emendas. Informou que 54 deputados tiveram todas as emendas empenhadas – mas não pagas, o que só ocorreu com o filho. Bezerra colocou-se ainda no pa­­pel de vítima, ao lado do PSB, ao co­­­mentar as denúncias.

"O que se quer é atacar a imagem, não só minha, mas do meu partido, que preserva valores de impessoalidade, moralidade de conduta éti­­ca na execução de cargos públicos."

"Vossa excelência está sendo vítima pelo fato de ser nordestino. (...) Isso só acontece quan­­do se trata do Nordeste", disse o senador Humberto Costa (PT-PE).

A oposição criticou o ministro. O líder do PSDB, senador Alvaro Dias (PR), disse que Bezerra deu "respostas superficiais". O deputado Arnaldo Jar­­dim (PPS-SP) criticou o governo "pela incompetência no gerenciamento de catástrofes".

Com o depoimento, o Pla­nal­­to espera en­cerrar a crise e pôr panos quentes no atrito com o PSB – partido que vem sendo cortejado pela oposição para a eleição de 2014. O PSB vinha acusando, nos bastidores, o PT de alimentar as denúncias.

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