
Protegido pela base aliada da presidente Dilma Rousseff, o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, negou ontem no Congresso que tenha praticado nepotismo, loteado a pasta e privilegiado aliados políticos na distribuição de dinheiro público. Usou números que eram favoráveis a ele para tentar dar um caráter técnico às suas decisões. Afirmou que fez tudo com o aval de Dilma. Disse que as acusações contra ele são orquestradas para macular a imagem de seu partido, o PSB. Foi defendido por aliados que o colocaram no papel de vítima do preconceito contra os nordestinos.
Bezerra é acusado de destinar 90% dos recursos de 2011 para prevenção de desastres a Pernambuco, seu estado, governado por Eduardo Campos, presidente nacional do PSB. O ministro beneficiou também seu filho, o deputado federal Fernando Coelho (PSB-PE), com o maior volume de liberação de emendas de sua pasta em 2011.
O ministro é acusado ainda por ter loteado a estatal Codevasf ao indicar integrantes do PSB para cargos importantes e por manter seu irmão, Clementino Coelho, na presidência o que caracteriza nepotismo e é ilegal. Ele ainda teria direcionado uma licitação da Codevasf para que a empresa de um amigo e correligionário, a Projetec, fosse vencedora.
Outros números
Para tentar se defender do uso político de dinheiro público, o ministro usou números de empenhos (compromisso de pagamentos) em vez de pagamentos efetivos para obras contra desastres. Neste critério, dos R$ 218 milhões destinados a prevenção em 2011, foram direcionados R$ 98 milhões para Pernambuco (45% ). Bezerra disse que a destinação do dinheiro obedeceu critérios técnicos.
O ministro falou ainda em números totais de empenho dentro do sistema federal de Defesa Civil para dizer que o Rio de Janeiro foi quem mais recebeu, com 20% dos recursos. Santa Catarina ficou com 17% e Pernambuco com 16%.
Atribuiu ainda baixa execução orçamentária dos projetos antidesastre a deficiências em projetos enviados por estados e municípios R$ 500 milhões da verba não foram investidos.
Nepotismo
Em relação ao fato de ter mantido o irmão na presidência da Codevasf quando assumiu o ministério, disse que se baseou no estatuto da estatal, que indicava que Clementino era quem deveria comandar a empresa. Negou ter privilegiado seu filho, o deputado Fernando Coelho, na liberação de emendas. Informou que 54 deputados tiveram todas as emendas empenhadas mas não pagas, o que só ocorreu com o filho. Bezerra colocou-se ainda no papel de vítima, ao lado do PSB, ao comentar as denúncias.
"O que se quer é atacar a imagem, não só minha, mas do meu partido, que preserva valores de impessoalidade, moralidade de conduta ética na execução de cargos públicos."
"Vossa excelência está sendo vítima pelo fato de ser nordestino. (...) Isso só acontece quando se trata do Nordeste", disse o senador Humberto Costa (PT-PE).
A oposição criticou o ministro. O líder do PSDB, senador Alvaro Dias (PR), disse que Bezerra deu "respostas superficiais". O deputado Arnaldo Jardim (PPS-SP) criticou o governo "pela incompetência no gerenciamento de catástrofes".
Com o depoimento, o Planalto espera encerrar a crise e pôr panos quentes no atrito com o PSB partido que vem sendo cortejado pela oposição para a eleição de 2014. O PSB vinha acusando, nos bastidores, o PT de alimentar as denúncias.



