Ovos, xingamentos, socos e pontapés transformaram em confusão a diplomação do governador, vice-governador, senador e deputados estaduais e federais eleitos, ontem no Teatro Guaíra, em Curitiba. Indignados com o reajuste salarial de 90,7%, os manifestantes não pouparam os deputados, que foram recebidos aos gritos de ladrão, sem-vergonha e bandido. Nem a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de revogar o aumento acalmou os ânimos dos cidadãos.
Irritados com a manifestação, os deputados federais Reinhold Stephanes (PMDB) e Max Rosenmann (PMDB), os estaduais Antônio Anibelli (PMDB) e Fábio Camargo (PFL) e o primeiro-suplente de deputado federal Marcelo Almeida (PMDB) partiram para cima dos manifestantes, que usavam nariz de palhaço, apitos e cartazes pedindo o "dinheiro de volta". Stephanes agrediu uma mulher que o xingava. "Considero-me intocável sob o ponto de vista de honestidade. Eu votaria contra o aumento. Saí do local sozinho e calmo. Mas daí começaram a me chamar de ladrão e, assim, me achei no direito de revidar. Fazer protestos sim, mas agredir moralmente, não."
Anibelli e Camargo, ao saírem do Teatro Guaíra, foram recepcionados com ovos e trocaram agressões físicas com manifestantes. "É um absurdo eles receberem esse salário e ainda brigarem com a gente. Vivemos uma vergonha", afirmou o servidor público municipal Carlos Castorino Rodrigues, de 48 anos, que levou um soco de Anibelli. "Dei um tapa na cara de um vagabundo. Na minha cara ninguém bate", disse o parlamentar, que foi seguido pela população indignada por mais de três quadras.
Outro que reagiu de forma mais agressiva à manifestação foi Fábio Camargo. A esposa e a filha do deputado saíram chorando do local da diplomação e cercadas de manifestantes que chutavam o carro em que estavam. "Eu entendo manifestação pacífica. Agora, agressiva desse jeito eu respondo à altura. Não respeitaram minha esposa e minha filha", disse o pefelista, que criticou a Polícia Militar e outros deputados pelo ocorrido. "Houve falha de segurança, que não soube agir."
Segundo a Polícia Militar, não havia muito o que ser feito, uma vez que os deputados não solicitaram escolta e alguns, inclusive, dispensaram os policiais que os protegiam.



