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Para analistas políticos ouvidos pelo G1, o espaço de inserção do PSDB no Nordeste se reduziu à medida que o PT "engoliu" as alianças locais.

O coordenador do Núcleo de Estudos Eleitorais da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Michel Zaidan, avalia que, seguindo uma lógica de garantir espaço em qualquer grupo que esteja no poder, nenhum partido quer "ficar na chuva".

"Os partidos mais conservadores estão na base do governo. Esse é um grande problema para qualquer outro partido que queira ganhar a eleição. Vai fazer alianças com quem? Com PP? Com o PR? Esses partidos estão na base do governo. As oligarquias mais tradicionais do interior estão na base do governo. (...) O pessoal não quer entrar numa coligação que vai perder no estado e no país e não vai ter direito a nada."

Neste sábado (12), o PSDB lança oficialmente a candidatura de José Serra à Presidência da República. Segundo tucanos ouvidos pelo G1, o partido tem uma meta mínima de alcançar 35% dos votos da região e, para isso, aposta em palanques locais que deem sustentação ao tucano.

O cientista político Paulo Fábio Dantas Neto, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), afirma que, ao chegar no poder, o PT rapidamente adquiriu "traquejo" para lidar com a política tradicional e isso, segundo ele, retirou margem de manobra para a aliança DEM-PSDB na região.

Ele aponta também que o Democratas, antigo PFL, perdeu espaço no Nordeste quando passou a ter ambições nacionais. Isso porque, para garantir lugar em alianças maiores, às vezes é preciso fazer concessões locais. "Quando o PFL começou a ter projeto nacional, ele definhou nos estados a ponto de se tornar um partido bem menor", diz.

"Partido de classes médias do Sul e Sudeste"

Para Zaidan, ainda falta ao PSDB mais identificação com a região e isso, ao menos em parte, segundo ele, se deve a um processo histórico.

"Com exceção do Ceará, por conta da oligarquia de Tasso, esse PSDB não é um partido do Nordeste, é um partido de classes médias urbanas, sobretudo do Sul e Sudeste. (...) O antigo MDB era de centro-esquerda e, depois da redemocratização, começou a perder espaço. Esse lugar estava disponível para que uma força política pudesse empolgar o eleitorado. Em São Paulo, o PSDB ocupou bem esse espaço. Mas no Nordeste, não. Quem ocupou foi o PT. O PSDB não tem discurso para essa população", afirma.

Some-se a isso o que ele chama de uma "boa alquimia" feita pelo governo Lula: contemplar a população pobre com políticas sociais e aumento da renda e as camadas mais altas de renda com taxas de juros baixas que incentivaram o crédito e atraíram investimentos. Um espaço possível para a inserção dos tucanos, segundo ele, estaria na faixa central da pirâmide social.

"O eleitorado da classe média, de profissionais liberais, pode reclamar da carga tributária. A questão da moralidade administrativa é outro ponto forte. E outro ponto é a reforma política. O governo Lula tergiversou sobre isso e tirou partido da miséria do Congresso Nacional. Esses eleitores são os formadores de opinião, os que lêem jornais, ouvem debates, acompanham um pouco o Senado e a Câmara. Esses são os mais suscetíveis a terem uma postura crítica em relação ao governo Lula", avalia.

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