Duzentos homens do Batalhão de Choque da Polícia Militar de Pernambuco entraram por volta das 16h desta terça-feira no Presídio Aníbal Bruno, em Recife, e se juntaram aos agentes que já estavam dentro da unidade, onde presos já fizeram três rebeliões desde domingo. Pelo menos três detentos morreram e 43 ficaram feridos. O clima é tenso no lado de fora, onde parentes aguardam informações sobre os presos. Segundo a PM, a situação é "relativa tranqüilidade". Ainda não se sabe se o motim terminou.
Uma força-tarefa reunindo policiais de vários batalhões da PM e de diversas delegacias especializadas da Polícia Civil, além de soldados oriundos dos grupos de ação especial - como a CIOE e o GOE - já estava dentro do presídio, que é o maior de Pernambuco, com capacidade para 1.400 detentos. A unidade, no entanto, acomoda 3.600 mil condenados.
A terceira rebelião deixou mais dois detentos mortos na madrugada desta terça-feira. Eles morreram a facadas e depois tiveram os corpos queimados. No domingo, outro detento já tinha sido morto. Vários pavilhões foram destruídos e os presos não podem retornar para as celas. Desde domingo, o total de feridos chega a 43.
Segundo peritos do Instituto de Criminalística, que entraram na unidade na noite de segunda, pode haver mais corpos dentro do presídio.
- Falam que nas imediações dos pavilhões A, B e C existem mais três corpos, mas até o momento não temos como chegar até o local, por falta de segurança. Não há energia e os detentos estão livres, então não tem como chegar ao local - disse o perito Luciano Lyra.
A intenção da polícia é fazer um cordão de isolamento, para evitar que presos dos outros pavilhões que não estão envolvidos no motim possam aderir à manifestação. Os presos rebelados estão espalhados pelo campo e pelo pátio interno, armados com paus, facas, armas artesanais e instrumentos usados para agricultura.
- Não há lugar para os presos, porque as celas de dois pavilhões foram destruídas, o rancho [cozinha], a escola, a disciplina. Eles estão sob a supervisão da PM, porque a polícia está nesse esforço coletivo para trazer a situação de volta ao normal - disse o sargento Ricardo Lima, chefe da guarda interna do presídio Aníbal Bruno.
Os dois detentos que morreram nesta terça foram identificados como Fábio Batista da Fonseca, de 30 anos, que estava preso por assalto e formação de quadrilha, e Michel da Silva Correia, de 20 anos, preso por porte ilegal de arma de fogo.
O secretário estadual de Ressocialização , coronel Humberto Viana, afirmou que a situação ainda não está controlada.
- A gente está até cauteloso em dizer que a situação está sob controle porque a cada seis horas surge um movimento novo. Toda agitação hoje é provoca por presos de vários pavilhões que querem matar outros detentos de alta periculosidade do pavilhão N. Já retiramos e isolamos esses presos para evitar que eles morram - disse.
O juiz de Exucuções Penais, Adeildo Nunes, acredita que a situação no presídio ocorre principalmente devido a superlotação. Ele assegurou que será aberta uma sindicância pela Secretaria Executiva de Ressocialização para apurar responsabilidades pelas ocorrências. Nunes disse ainda que é inevitável a transferência de pelo menos 800 detentos para outras unidades prisionais, uma vez que cinco pavilhões foram danificados.
Primeira rebelião aconteceu no domingo e deixou um morto e 40 feridos
A primeira rebelião no presídio aconteceu no domingo à tarde e deixou um morto e 40 feridos, quando dois mil presos se rebelaram. Na manhã de segunda-feira, uma nova revolta começou. Mais de 300 policiais militares do Batalhão de Choque, da Companhia Independente de Operações Especiais, da Rádio-Patrulha e da Companhia Independente de Policiamento com Cães, além de agentes penitenciários, entraram na unidade para conter os presos. Do lado de fora, era possível ouvir barulho de tiros e bombas de efeito moral. Uma mulher passou mal e foi acudida por outras que estão na porta da unidade.
No domingo, a revolta durou das 16h às 22h30m. O preso Thiago Batista de Lima, de 19 anos, morreu, e Leandro da Silva estava em estado grave após ser atingido por um tiro na boca. A esposa de um deles também foi atingida por disparos, e dois pavilhões ficaram completamente destruídos. Todos os presos foram colocados, nus, no pátio interno da unidade. Muitas armas brancas foram encontradas, mas nenhuma arma de fogo.
Causas da revolta ainda não foram esclarecidas
As duas hipóteses iniciais para a rebelião de domingo são uma briga entre detentos e o chaveiro do pavilhão D, que estaria cobrando uma taxa dos presos para permitir que eles se isolassem com suas companheiras nos dias de encontro íntimo; ou a revolta dos internos devido à transferência de um outro detento.
Entre os presos feridos na primeira rebelião, foram divulgados os nomes de cinco: Fábio Benedito dos Santos, 27 anos; Manoel Januário da Silva, 37 anos; Júlio César Pereira Lemos, 25 anos; e Thiago Alexandre de Moraes, 22 anos, foram levados para o Hospital Otávio de Freitas. Iranildo Tavares Félix, 20 anos, também foi levado para o hospital, mas já voltou para o presídio.



