O relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Grampo estará pronto até 11 horas de sexta-feira. Quem garante é o relator, deputado estadual Jocelito Canto (PTB). Se for aprovada pela CPI, a avaliação será levada à votação no mesmo dia, segundo com o presidente da Assembléia Legislativa, Hermas Brandão (PSDB).
"Vou fechar com o que tenho", disse Canto. Instalada no mês passado, a comissão só ouviu duas testemunhas. A primeira foi o coordenador da Promotoria de Investigação Criminal (PIC), Paulo Kessler, seguido pelo procurador Dartagnan Cadilhe Abilhôa.
Ontem o depoimento do técnico em telefonia Isaque Pereira da Silva foi cancelado. De acordo com o relator, a testemunha não havia sido encontrada para receber a convocação. Canto afirmou que havia recebido informações de que Silva estava solto.
Apenas um telefonema para o Centro de Triagem da Polícia Civil, em Piraquara, teria sido suficiente para achá-lo. O técnico em telefonia está preso no local desde setembro. Ele foi detido no mesmo dia que o policial civil Délcio Rasera, dentro da operação Pátria Nossa, da PIC.
Ambos são acusados de formação de quadrilha armada e realização de interceptações telefônicas clandestinas. Rasera seria o chefe de um grupo de até 21 pessoas. O policial tem depoimento marcado para amanhã, às 17 horas na CPI. Ele responderia aos deputados na segunda-feira passada, mas o encontro teve de ser adiado por falta de quórum na comissão.
A decisão de encerrar o relatório até sexta-feira foi uma resposta de Canto às declarações do deputado José Domingos Scarpellini (PSB). O parlamentar ironizou ontem, durante discurso em plenário, a condução das investigações. "Vão comer a pizza crua", afirmou, insinuando que o relatório será prematuro e não responsabilizará ninguém.
Scarpellini também sugeriu que o governador Roberto Requião (PMDB) preste depoimento à CPI. "No Fórum de Campo Largo há uma fita em que o Rasera garante que trabalha para o Requião. O governador deve nos dar explicações sobre isso", explica.
Convocação
Brandão afirmou que não via problema no fato de a Assembléia convocar Requião, mas que isso era legalmente inviável pelo cargo que ocupa. Scarpellini então declarou que o peemedebista deveria se afastar das funções para poder colocar um ponto final no assunto. "Queremos saber o que o Rasera fazia no Palácio Iguaçu, já que estava cedido para a Casa Civil. Ou será que ele só estava alugando uma sala para poder trabalhar?"
Para o deputado, a presença do governador é a única maneira de dar seriedade à comissão. Ele afirmou que a Assembléia sofreu um duro golpe em sua credibilidade com o andamento das investigações. "Tenho muitos documentos e gravações que poderiam ajudar, mas não vou enviar porque será uma perda de tempo. Transformaram algo muito sério em um jogo político, um faz-de-conta."



