
Para manter a base unida, o governador Beto Richa sacrificou candidaturas de seu partido, o PSDB, em várias cidades importantes do Paraná. Ainda assim, partidos aliados ao governo estadual devem se enfrentar na maioria dos dez principais colégios eleitorais do estado. Apenas em Curitiba, com a candidatura de Luciano Ducci (PSB), e em Ponta Grossa, com Marcelo Rangel (PPS), os seis principais partidos do grupo político de Richa (PSDB, PSB, PP, PPS, DEM, PSD) devem caminhar juntos nas eleições de 2012.
Não é segredo que o PSDB visa, nas eleições municipais, fortalecer a base para garantir a reeleição de Richa, mesmo que isso signifique sacrificar candidaturas próprias do partido. O próprio governador chegou a mencionar que a legenda abdicaria de indicar o candidato a vice-prefeito de Luciano Ducci em prol do fortalecimento das alianças atuais. A mesma estratégia da capital se repetiu nas maiores cidades do Paraná. Dos dez municípios mais populosos do estado, os tucanos terão candidatos a prefeito apenas em Colombo e Paranaguá.
Isso não evitou, entretanto, pequenos "rachas" entre os partidos do bloco. Em alguns casos, apenas um ou dois partidos deixaram o candidato apoiado pela maioria, como no caso de Londrina, onde o PPS apoiará o PT e o PSD terá candidato próprio. Em outros casos, entretanto, o bloco se dividirá em até quatro candidaturas, como em Cascavel, onde PPS, PP e PSD terão candidatos próprios e o PSDB apoiará o PDT. Ao todo, os tucanos sairão coligados com o PSB em sete cidades, com o PP em seis, com o DEM em cinco, com o PSD em quatro e com o PPS em apenas três.
Já com o PMDB, maior bancada de apoio ao governo na Assembleia, o PSDB mostra bem menos afinidade nos maiores municípios. Tucanos e peemedebistas devem caminhar juntos, oficialmente, apenas em Colombo e Maringá. Os dois partidos estavam em campos opostos nas eleições de 2010, mas a maior parte dos deputados do PMDB aderiram ao governo Richa já no primeiro ano.
Para o presidente estadual do PSDB, o deputado Valdir Rossoni, o processo de alianças foi "altamente positivo" para o partido e também para o grupo político de Richa. "Conseguimos compor com a maior parte dos nossos aliados nas principais cidades", afirma. Ele diz ainda que as disputas políticas locais às vezes são intransponíveis e que isso explica alguns confrontos de aliados estaduais em grandes cidades.
Petistas
Principal partido de oposição ao governo Richa, o PT adotou estratégia oposta à do PSDB e lançou candidatos na maioria dos principais municípios. Apenas em Curitiba, São José dos Pinhais, Colombo e Foz do Iguaçu a legenda não terá candidatos. O partido não esconde seu projeto de lançar uma candidatura forte para enfrentar Richa em 2014, além de fortalecer a base da presidente Dilma Rousseff no estado. Segundo o presidente do PT no Paraná, o deputado Ênio Verri, foram priorizadas alianças com partidos da base de apoio do governo federal principalmente PDT e PMDB.
Entretanto, o PT não atingiu plenamente esse objetivo. Em apenas uma das dez maioes cidades, Foz do Iguaçu, os três partidos estarão juntos. PT fará coligação com o PDT em quatro municípios. Com o PMDB, serão em três. "Embora tenhamos uma estratégia estadual e nacional, não é possível estarmos juntos em todas as cidades. Temos que levar em conta as disputas locais", justifica Verri.
Campanha às prefeituras inicia a disputa pelo Palácio Iguaçu
As eleições de 2012 vão eleger prefeitos e vereadores. Mas um dos principais fatores levados em consideração pelos partidos paranaenses na composição das chapas é quem deve ocupar o Palácio Iguaçu depois de 2014. Não chega a ser um segredo: tanto políticos da ala governista quanto opositores deixam claro que a estratégia é consolidar nestas eleições bases de apoio fortes para o próximo embate estadual.
Para o cientista político Mário Sérgio Lepre, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), para ter mais dinheiro e espaço em uma campanha para o governo, os principais postulantes precisam garantir o apoio de muitos partidos. Isso explica, por exemplo, porque o PSDB preferiu sacrificar candidaturas para favorecer aliados. "O jogo não é bem partidário; é mais um jogo de governo", afirma ele.
Nem só a unidade do grupo político, entretanto, importa na hora das alianças. O cientista político Doacir Quadros, do grupo Uninter, afirma que uma eventual vitória de um aliado em um município favorece a campanha seguinte, já que a máquina da prefeitura se torna favorável à candidatura. "Na campanha passada, foi justamente Curitiba que desequilibrou e garantiu a vitória para o Beto Richa [ao governo do estado]", relembra Quadros.
Um exemplo disso é a campanha em Cascavel: o PSDB preferiu se aliar com o PDT e deixou de lados candidaturas de aliados próximos, como o PP, o PSD e o PPS. O cálculo foi estratégico: há mais possibilidade de vitória do atual prefeito, Edgar Bueno (PDT). Se apoiasse outro candidato, o partido correria o risco de perder apoio em um colégio eleitoral importante em 2014.
Atração
A proximidade do poder também influencia na composição das chapas. Candidaturas governistas tendem a atrair mais partidos do que as de oposição. É o caso, por exemplo, de Curitiba: a chapa de Luciano Ducci (PSB) será composta por 15 partidos, contra quatro de Ratinho Jr. (PSC) e três de Gustavo Fruet (PDT).
Para Quadros, isso é um reflexo do poder de barganha dos governistas. A possibilidade de oferecer cargos e distribuir o poder favorece essas candidaturas, que podem ceder vantagens imediatas para a adesão, enquanto os opositores podem oferecer apenas vantagens futuras.
Já Lepre afirma que a possibilidade de vitória também influencia. Um exemplo é a situação de Londrina: a chapa do atual prefeito, Barbosa Neto (PDT), conta com o apoio de apenas três partidos; enquanto a de Marcelo Belinati (PP), da oposição, é apoiada por 14. Nesse caso, a baixa popularidade do prefeito fez com que os partidos se concentrassem em uma candidatura de oposição com apoio do governo estadual.






