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Saída de Olívio Dutra deflagra nova crise no governo

Comunicado de Lula ao ministro das Cidades de que precisava do seu cargo causa protestos

Brasília (AE) – A comunicação pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na manhã de ontem, ao ministro das Cidades, o petista Olívio Dutra, de que precisava do seu cargo para colocar Márcio Fortes como representante do PP no primeiro escalão do governo, abriu nova crise no Planalto, com a revolta dos funcionários da pasta e os líderes dos movimentos sociais.

Lula chegou a oferecer o comando da Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária (Infraero) para Olívio, que rejeitou o cargo.

Mais tarde, foi ofertada o Ministério do Desenvolvimento Agrário, ocupado por Miguel Rosseto. Olívio, definitivo, avisou que só fica no governo se for no Ministério das Cidades, onde considera que tem "uma missão a cumprir". Caso contrário, avisou, "prefere" voltar para Porto Alegre.

Enquanto isso, Márcio Fortes, que teve um encontro com Lula logo depois de Olívio, deixou o Planalto comunicando ao presidente da Câmara, Severino Cavalcanti, seu padrinho do PP, que o presidente Lula lhe convidou para o cargo de Ministro de Cidades, que aceitou, e que a posse será amanhã. Os pepistas comemoravam pela cidade afora e o gabinete de Márcio Fortes, que hoje é secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio, confirmava a saída de seu titular.

Mais tarde, não só o discurso dos pepistas mudava, como o das assessorias no Ministério, porque começaram a circular notícias de que poderia haver problemas na sua indicação. Por outro lado, no Planalto, a informação era de que o nome dele tinha resistência dos gaúchos e estava sendo reavaliado por causa de processos que poderiam existir e que uma decisão só sairia amanhã, apesar de se considerar que a saída de Olívio estava sendo considerada inevitável para abrir espaço para a base aliada.

O presidente teria confessado que preferia outro nome ligado ao partido, como o do embaixador José Botafogo Gonçalves.

Ao regressar ao Ministério das Cidades e comunicar ao seu staff direto que o presidente pediu seu cargo, Olívio provocou uma revolta entre os colegas da pasta, que ameaçavam entregar todos os cargos DAS, que somam cerca de 200, criando um novo problema para o governo, principalmente entre os movimentos sociais e prefeitos. Um ingrediente a mais neste problema é que, no dia anterior, Olívio esteve com Lula, em um café da manhã e este lhe confirmou que estava garantido no cargo o que foi transmitido ao seu pessoal.

Pouco antes das 13 horas, avisado da revolução, ainda antes de embarcar para São Paulo, o presidente Lula destacou a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, petista e gaúcha, para ligar para Olívio Dutra e pedir que ele se acalmasse, que cancelasse a entrevista que avisou que daria mais tarde anunciando sua saída e que esperasse até amanhã.

A princípio, este recado foi entendido como algum sinal positivo, ainda mais que, no fim do dia, não havia mais tanta certeza do que poderia acontecer com Olívio, apesar das inúmeras manifestações de solidariedade que vinham de todos os lados, inclusive do Banco Mundial.

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