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dinheiro público

Salários são absurdos, dizem especialistas

Especialistas ouvidos pela Gazeta do Povo criticaram os valores pagos pelo Tribunal de Justiça do Paraná (TJ) a determinados funcionários. Para o economista Gil Castelo Branco, coordenador da ONG Contas Abertas, que fiscaliza o poder público, os números divulgados pelo TJ revelam mais um dos absurdos cometidos pelo poder público que precisam ser corrigidos. Ele afirma que as quantias publicadas na internet são incompatíveis com a moralidade administrativa e também com a iniciativa privada.

"Não há como pagar esses valores aos cargos mencionados, mesmo a funcionários em final de carreira ou que estejam no último degrau da ascensão profissional", afirma ele. "Se uma empresa pagasse esses salários, já teria falido há muito tempo. Ninguém em sã consciência pagaria essas quantias aos funcionários."

Castelo Branco lembra ainda que o poder público não pode contrariar a opinião pública. "Em última análise, essas pessoas são nossos empregados. Afinal elas são pagas por nós", diz ele. "Isso precisa ser revisto para corrigir distorções absurdas – inclusive para evitar um desequilíbrio em outras categorias que também recebem recursos do estado, como médicos e professores."

A opinião é compartilhada pelo coordenador do curso de Admi­nistração da Universidade Positivo, Daniel Rossi. "Não há critérios que justifiquem esses salários. Nenhum motorista trilíngue, por exemplo, que dirija um carro blindado no Rio de Janeiro ganharia o mesmo que um motorista do TJ."

Rossi diz ainda que a população deve pressionar o poder público para que distorções como essa sejam corrigidas. "Esses valores não são um um demérito do funcionário público. A culpa não está nele, mas no modelo, no sistema. A culpa é dos gestores, de quem manda efetuar essas contratações. As distorções estão lá em cima, no nível estratégico, e não no nível profissional."

Rossi ainda elogia a decisão do Conselho Nacional de Justiça que impôs a transparência no Judiciário. "Com esse movimento (de transparência), agora estamos percebendo o tamanho das distorções na área pública. Se isso for feito nos outros dois poderes, vamos encontrar o mesmo problema."

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