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Senado

Sarney quer plebiscito sobre desarmamento em outubro deste ano

Presidente do Senado diz que situação do país hoje é diferente da que existia em 2005, quando foi realizado referendo

Sarney: tudo em paz. | José Cruz / Agência Brasil
Sarney: tudo em paz. (Foto: José Cruz / Agência Brasil)

Brasília - O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), acertou ontem com os líderes partidários a apresentação de um projeto de decreto legislativo convocando um plebiscito para outubro deste ano sobre o desarmamento. Sarney afirmou que o plebiscito é melhor do que o referendo por agilizar o processo. No formato escolhido, o eleitor vai autorizar ou não o Congresso a aprovar uma lei proibindo o comércio de armas.

"Todos os líderes estiveram de acordo e apoiaram o projeto que eu vou apresentar estabelecendo para o mês de outubro, no primeiro domingo, um plebiscito", disse o presidente da Casa.

O projeto apresentado por Sarney é de um decreto legislativo convocando a consulta popular. A proposta terá de ser apreciada pelo Senado e pela Câmara para se tornar viável. A pergunta a ser feita ao eleitor seria "O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?".

Para Sarney, o fato de em 2005 a maioria dos eleitores ter se posicionado de forma favorável ao comércio de armas não indica que o resultado se repetirá. "Eu acho que a sociedade muda. O que nós estamos vivendo hoje não é o que vivíamos há alguns anos. Precisa­­­­mos repensar o que foi decidido. Acho que hoje nós temos opinião diferente."

O presidente do Senado afirmou que a continuação do co­­mércio de armas foi nociva para o Brasil. "A população brasileira foi induzida a um erro porque nós estamos verificando que a venda de armas no país de nenhum modo atingiu aquilo que eles julgavam, que era garantir o cidadão. Pelo contrário, ela só torna mais vulnerável o cidadão, porque cada um que tem arma passa a ser objeto de procura dos bandidos e infratores para que com essa arma cometa crimes que a sociedade repudia."

A ministra da Secretaria de Di­­­­reitos Humanos, Maria do Rosário, manifestou apoio à proposta de Sarney.

Ela também defendeu a nova campanha de desarmamento que será lançada pelo governo em maio, por iniciativa do Mi­­nistério da Justiça. As medidas foram propostas após o massacre na escola Tasso da Silveira, no Rio de Janeiro, que deixou 12 crianças mortas.

Maria do Rosário afirmou que a consulta popular feita em 2005, que optou pela continuação do comércio de armamentos, não pode ser tomada como "palavra final" sobre o assunto. "O referendo já realizado é uma referência, mas não deu a palavra final, porque nós temos vidas a salvar todos os dias", declarou.

Maria do Rosário disse acreditar que a po­­pulação "vai amadurecendo" e afirmou que o foco do governo deve ser na apreensão de armas ilegais e na conscientização de quem tem armas legais que elas podem parar nas mãos do crime organizado.

A ministra afirmou que há atualmente no país cerca de 16 milhões de armas, sendo que 50% delas são clandestinas ou não estão legalizadas. Ela disse que é preciso reduzir o número de mortes por armas de fogo e destacou o baixo preço de armas e munições no Brasil. "Uma bala custa R$ 5. Uma arma no mercado clandestino custa R$ 50 ou R$ 100. É possível vivermos com isso? Não, não é possível".

O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) lembra que não há recurso previsto no orçamento da União para fazer o plebiscito.

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