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Partidos

Supremo livra a maioria dos políticos “infiéis”

Legendas precisam pedir os mandatos para que suplentes assumam

Aparelhos de GPS estão com o preço em queda e se popularizando | Reprodução/Globo Online
Aparelhos de GPS estão com o preço em queda e se popularizando (Foto: Reprodução/Globo Online)

A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que determinou a perda de mandato aos parlamentares que trocaram de partido após 27 de março livrou a maioria dos "infiéis" de Curitiba, mas vai atingir cinco vereadores e o deputado federal Hidekazu Takayama. A regra estabelecendo que o mandato pertence ao partido e não ao eleito provocou uma correria geral ontem no meio político. Centenas de vereadores em todo o estado tentaram retornar aos partidos de origem para não perder suas cadeiras nas câmaras municipais.

Em Curitiba, os vereadores que correm o risco de perder o mandato são Jair Cézar (PSDB), Mestre Déa (PRTB), Pastor Gilso (PSDB), Tico Kuzma (PSB) e Valdemir Soares (PSB). Todos mudaram de legenda recentemente.

Apesar da ameaça de perda de mandato, o vereador Mestre Déa comemorou a filiação ontem no Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB) com uma festa. Ele deixou o PP em julho e vai apostar numa negociação entre os dois partidos para escapar da nova regra que exige fidelidade partidária. "A direção do PP e do PRTB entraram num acordo e ninguém deve requerer meu mandato na Justiça. Todo mundo é da base do prefeito Beto Richa e a mudança é só uma acomodação política", explicou.

A grande surpresa no troca-troca partidário foi o vereador Jair Cézar, que saiu do PTB e está no PSDB desde o dia 25 de setembro. Ele só anunciou a mudança ontem porque temia que os outros vereadores interessados em migrar para o ninho tucano criassem problemas para ele. Agora diz que vai assumir as conseqüências. "Não esperava que o STF fosse tão radical, mas vou ter de enfrentar essa barreira e me defender na Justiça se o partido pelo qual me elegi pedir minha vaga", disse. Ele foi filiado ao PTB por 20 anos e saiu por incompatibilidade com novos integrantes do partido. O vereador Pastor Gilso também entrou no PSDB na última hora e de forma discreta. Eleito pelo PL, atual PR, não teme perder o mandato e afirmou que vai recorrer à Justiça.

Outro que arriscou mudar de partido mesmo sabendo da tendência do STF de exigir a fidelidade partidária é o pastor Valdemir Soares, que deixou o PR por não concordar com o ingresso de novas lideranças no partido. A intenção do vereador era ingressar no PRB, mas até o final da tarde de ontem não havia formalizado sua filiação. Valdemir Soares disse ser favorável à fidelidade partidária, mas também cobra que sejam criadas punições aos partidos que não consultam os filiados e muitas vezes, forçam a saída de lideranças. "Nosso grupo decidiu sair porque o partido foi tomado por outras pessoas sem nenhum tipo de consulta às bases", disse. O futuro do vereador Tico Kuzma vai ser definido pela executiva estadual do PPS, que deve pedir a devolução de seu mandato após reunião na segunda-feira. Ele pediu desfiliação depois de março para entrar no PSB.

Por ter sido eleito pelo PPS, um dos partidos que impetrou mandado de segurança no STF contra os infiéis e detonou a discussão sobre a fidelidade partidária, Kuzma não deve ser anistiado pelo partido. O PSDB e o DEM, que deflagaram o processo junto com o PPS, têm pressa em reaver os mandatos dos que trocaram de legenda.

O PDT ainda está avaliando como proceder. Já o PP e o PTB estão abertos a negociações e até aceitaram o retorno dos ameaçados de perder o mandato.

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