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Violência

Tamires pode ter sido morta em semáforo por menor de idade, diz polícia

Vídeo | RPC TV
Vídeo (Foto: RPC TV)

A polícia não descarta a participação de um menor de idade na morte da jovem Tamires Silva Pança Burlani, assassinada por ladrões num semáforo de Diadema. A hipótese é baseada no exemplo do que ocorreu com o casal Marta e Glauber Shiba Paiva , morto na frente do filho de 7 anos em junho passado. Três adolescentes foram detidos e acusados pelo duplo assassinato.

Para a polícia, o assassino tem características de um bandido inexperiente, que se apavorou ao achar que a vítima teria tentado uma reação.

No boletim de ocorrência foi registrada a presença de apenas um assaltante. Testemunhas, porém, disseram que os ladrões agiram em dupla e um deles fugiu enquanto outro roubava o carro de outra vítima, uma mulher grávida. O caso foi encaminhado ao 1º Distrito Policial de Diadema como latrocínio. As buscas foram concentradas na região de Americanópolis, onde foi encontrado o carro roubado.

Tamires também era inexperiente. Nunca havia sido assaltada e tinha tirado carteira de motorista há menos de um ano e, talvez por este motivo, tenha demorado a se livrar do cinto de segurança. É isso que imaginam amigos e parentes de Tamires, que aguardavam a liberação do corpo pelo IML. O sepultamento ocorreu em Diadema, município onde a jovem morava com a avó e um irmão de 14 anos.

Tamires dirigia um Corsa roxo, ano 1993, e foi abordada por dois assaltantes na esquina das avenidas Conceição e Presidente Kennedy, por volta de 21h30m. Para a polícia, ela teria se assustado e, por isso, se atrapalhou ao tentar tirar o cinto.

Com o movimento brusco, um dos assaltantes deu um tiro no rosto, que atravessou a boca da jovem. Tamires morreu na hora. Mesmo assim, a dupla não desistiu de seu propósito de roubar um carro. Um fugiu. O outro simplesmente foi ao carro parado atrás, um Uno prata, também dirigido por uma mulher, e o roubou. A nova vítima está grávida e foi internada em estado de choque.

Tamires havia acabado de sair da casa da amiga Luciana Oliveira, que mora no Jabaquara, na zona sul de São Paulo. Ela tinha dito a Luciana que iria para casa ver o filme 'Irmão Urso', que lhe fora emprestado pela amiga.

As duas passaram o dia juntas. Tamires foi à casa de Luciana bem cedo e foram em busca de um emprego numa loja em Diadema. Apesar da carta de motorista recente, Tamires levou Luciana até a casa dela depois de terem feito a entrevista de emprego e marcou para voltar mais tarde, para jantar.

- A Tamires cursou um ano de Educação Física e estava com matricula trancada para procurar emprego, mas o sonho dela era ser veterinária - conta Luciana.

A mãe de Tamires, uma funcionária pública, morreu quando ela tinha 13 anos. Tamires e o irmão mais novo foram criados pela avó. O pai é separado e tem outra família.

A jovem voltou à casa de Luciana por volta de 17h30m para jantar.

- Foi um dia muito diferente. Parecíamos duas crianças, jogamos bola, baralho e brincamos de pega-pega - diz Luciana.

Tamires saiu da casa da amiga perto das 21 horas. Luciana teve de ajudar a dar ré no carro. Segundo Luciana, Tamires viu um rapaz que ela não gostava, na namorado da irmã de Luciana, num orelhão próximo e ficou amedrontada.

Para Luciana, o medo de Tamires lhe pareceu uma espécie de premonição. Ela conta que, apesar de ter perdido a mãe cedo, Tamires não era uma pessoa triste. Ao contrário, era alegre e comilona. Mensagens no Orkut, de amigos e desconhecidos, pedem justiça.

De janeiro a junho, 67 vítimas de latrocínio

No primeiro semestre deste ano, 67 pessoas perderam a vida na Grande São Paulo em assaltos , entre elas o casal Glauber Alexandre Shiba Paiva e Marta Maria Sena de Oliveira, assassinado na frente do filho de 7 anos no Morumbi .

Em vários assaltos, mais de uma pessoa foi morta, pois o número de vítimas supera os 35 casos de latrocínios registrados em toda a Grande São Paulo no período.

Enquanto a maioria dos crimes registra queda na Grande São Paulo, o latrocínio, que é o roubo seguido de morte, fez 3 vítimas a mais do que no primeiro semestre de 2006.

Os dados fazem parte das estatísticas da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo.

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