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Controle

TCU manda parar obra superfaturada em R$ 34,7 mi

Contratos para o rebaixamento da linha férrea que corta Maringá apresentam 15 irregularidades

O TCU mandou suspender o pagamento dos contratos da obra de rebaixamento da linha férrea que corta a região central de Maringá | Fábio Dias/Gazeta do Povo
O TCU mandou suspender o pagamento dos contratos da obra de rebaixamento da linha férrea que corta a região central de Maringá (Foto: Fábio Dias/Gazeta do Povo)

Maringá - O Tribunal de Contas da União (TCU) determinou quarta-feira a paralisação no pagamento dos contratos referentes às obras de rebaixamento da linha férrea, que corta Maringá, após indícios de superfaturamento de R$ 34.701.720,08 e outras irregularidades.

A decisão unânime dos ministros, com base em relatório apresentado pela Secretaria de Controle Externo do Estado do Paraná (Secex-PR), cita como responsáveis o prefeito Silvio Barros (PP), o ex-prefeito João Ivo Caleffi (PT), o De­­­partamento Nacional de Infra­­­es­­­­trutura de Transportes (Dnit) e duas empresas responsáveis pela execução da obra.

Ao todo são 15 irregularidades em cinco contratos. Dois deles foram firmados sem licitação e os outros três teriam sido "viciados" para restringir a competitividade. O relatório indica que exigências ilegais impediram que mais empresas participassem da competição. Embora 17 empreiteiras tenham comprado o edital, apenas duas foram habilitadas.

A C.R. Almeida S/A venceu a dis­­­­puta por um valor muito próximo ao do máximo que poderia ser pago. O edital previa teto de R$ 43,2 milhões e a construtora fe­­­chou por R$ 42,9 milhões. Segundo a Secex, a falta de concorrência resultou no valor alto.

Já a Vega Engenharia e Con­­­­sultoria fechou dois contratos, sem licitação, para elaborar o projeto básico e depois supervisionar a execução pela empreiteira. Con­­­tudo, o projeto feito pela Vega foi alterado após a contratação da C.R. Almeida, o que resultou num aditivo que elevou ainda mais o repasse de recursos. No entendimento da Secex, o aditivo era irregular e beneficiou a C.R. Almeida.

Segundo o relatório, outro aditivo firmado sem amparo legal re­­­­sultou na construção da Via Ex­­­pres­­­sa, que passa ao lado do rebaixamento da linha férrea. Para a Secex essa situação já é irregular, já que para essa finalidade outra licitação deveria ter sido lançada, não cabendo aditivo. A obra estava or­­­­çada em R$ 14.694.830,15.

Defesa

Silvio Barros é citado co­­­­mo responsável porque assinou os aditivos irregulares, autorizou a execução de um projeto considerado ineficiente e ainda fez o pagamento às empresas. O procurador da prefeitura, Luiz Carlos Manzato, res­­­pondeu pela administração. Ele ale­­­­gou que a obra foi licitada antes da gestão de Barros e que o prefeito apenas deu seguimento ao projeto.

O ex-prefeito João Ivo Caleffi se pronunciou por meio de seu advogado, Valter Toledo. Segundo o de­­­­fensor, o texto foi feito com maior cuidado, inclusive visando au­­­­mento na competitividade.

A Vega informou que os diretores estão viajando e que não tem conhecimento das informações. Já a C.R Almeida disse que só irá se pronunciar depois de ter conhecimento do acórdão do TCU.

O Dnit foi procurado pela reportagem, mas não respondeu ao pedido de entrevista até o fechamento desta edição.

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