
Entrevista com Ângela Khury Munhoz da Rocha, desembargadora eleita do Tribunal de Justiça do Paraná
A promotora Ângela Khury Munhoz da Rocha é a nova desembargadora do Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná. A escolha foi feita pelo governador Roberto Requião (PMDB), ontem pela manhã, menos de 24 horas após a eleição do pleno do TJ, que indicou uma lista tríplice formada também pelo procurador de justiça Valério Vanhoni e pelo promotor Ramatis Fávero.
A escolhida ficou em primeiro lugar com o voto de 87 dos 100 desembargadores, mas qualquer um dos três poderia ter sido indicado pelo governador para preencher a vaga aberta com a aposentadoria de Antônio Lopes de Noronha.
Aos 45 anos de idade, mulher do médico Luiz Eduardo Munhoz da Rocha e com uma filha de 10 anos, a nova desembargadora teve ascensão rápida. Um ano depois de se formar em Direito pela Universidade Federal do Paraná, em 1986, já entrava para o Ministério Público como promotora de justiça substituta em São José dos Pinhais. Passou por comarcas no interior e desde 1990 está em Curitiba. O pai, Nipton Khury, já falecido, era irmão do ex-presidente da Assembleia Legislativa Anibal Khury, que morreu há 9 anos. Apesar do sobrenome influente, ela diz que o parentesco não teve influência na sua carreira profissional.
A sua indicação já era prevista, chegou a surpreender?
Estava confiante de que entraria na lista tríplice, mas nunca se sabe o resultado de uma eleição. Sempre segui o ensinamento do meu pai que dizia: "Trabalhe para entrar em primeiro para ter a chance de ficar em último". Isso serve para tudo. É uma honra sair de uma instituição como o Ministério Público e assumir a magistratura. Pretendo trabalhar arduamente e gostaria de tomar posse o mais rápido possível.
O que considera ter sido decisivo para sua indicação?
Todos nós candidatos trabalhamos com alguém que era juiz conosco e muitos hoje são desembargadores. O conhecimento do trabalho influenciou e embasou a decisão na hora do voto. Tenho 45 anos de idade, maturidade, tempo de trabalho e contribuição para o MP.
Poderia destacar algo marcante na sua atuação como promotora?
Com 23 anos de Ministério Público tive oportunidade de passar por quase todas as áreas. Considero fundamental ter sido chefe de gabinete do ex-procurador (Milton Riquelme de Macedo) por quatro anos, me considero conhecedora da instituição na parte administrativa.
E qual a sua avaliação dos desembargadores?
É difícil avaliar porque estou fora da magistratura, mas eles se empenham para prestar o melhor trabalho possível e acho que cumprem a função. O que prejudica a prestação jurisdicional não é o magistrado, mas as regras processuais, formalistas e morosas. Não somos nós que preparamos a legislação, só temos que aplicar a lei.
O fato do sobrenome político influente ajudou na sua eleição e na indicação pelo governador?
O quinto constitucional prevê a lista sêxtupla, a lista tríplice e a escolha do governador. A regra do jogo é essa, se tenho ou não parentes na política não vejo como problema. Qualquer outra pessoa que pleiteasse essa vaga talvez precisasse de apoio político para obter a nomeação porque é um processo político, democrático, onde se pretende democratizar o Judiciário, abrindo as portas para outras classes como OAB e MP indicarem representantes. (A vaga é reservada ao Quinto Constitucional, uma exigência da Constituição Federal de que 20% do quadro de desembargadores dos Tribunais de Justiça seja reservada a advogados ou membros do Ministério Público.) Acabo tendo mais ônus do que bônus sendo parente de político, mas isso não me inibe de continuar meu caminho.



