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TJ discute revisão das custas judiciais

Kfouri: sugestões só até a próxima quinta-feira | Daniel Castellano/ Gazeta do Povo
Kfouri: sugestões só até a próxima quinta-feira (Foto: Daniel Castellano/ Gazeta do Povo)

A tabela de custas judiciais do Paraná deve passar por uma revisão nos próximos meses, com aumento de 30% em alguns procedimentos de menor valor e elevação do teto para outros – como recursos de decisões envolvendo valores maiores. As mudanças fazem parte de um anteprojeto de lei que está sendo discutido pelo Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) e será encaminhado em breve à Assembleia Legislativa. A proposta, que cria novas faixas de custas processuais, é alvo de divergências dentro do próprio tribunal e de questionamentos por parte da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

O projeto seria votado ontem pelo Órgão Especial do TJ, mas acabou sendo adiado a pedido do desembargador Dartagnan Serpa Sá. Segundo o presidente do tribunal, Miguel Kfouri Neto, há muitas discordâncias sobre o projeto, o que pode fazer com que duas propostas sejam levadas à votação. Kfouri solicitou que até a próxima quinta-feira as sugestões de mudanças sejam encaminhadas à comissão especial que discute o projeto, que retorna para votação na segunda-feira. A pressa do presidente é pela necessidade de o anteprojeto seguir para aprovação da Assembleia Legislativa, com votação ainda este ano. Se for votada no ano que vem, o aumento só pode valer para 2014.

Na semana passada, a seccional Paraná da OAB encaminhou um oficio ao TJ, pedindo que o projeto seja reavaliado. De acordo com a OAB, a proposta não veio acompanhada de estudos econômicos sobre a arrecadação dos cartórios, do custo médio efetivo das ações e dos recursos. "Nós entendemos que é necessária a revisão de algumas custas, mas não concordamos com a maneira como isso foi colocado", explica o presidente da OABPrev da Seccional Paraná, Maurício Guimarães, que analisou o projeto.

Um dos pontos contestados diz respeito ao teto para ações judiciais, fixado em R$ 20 mil. Para a OAB, o valor é incompatível com os custos de qualquer processo e está fora dos padrões adotados nos demais estados do Sul. A entidade critica ainda a desconformidade nas diferentes custas, visto que demandas de menor valor pagam cifras proporcionalmente maiores que as de maior valor. A entidade acredita que, com o processo eletrônico, a tendência é de redução nas custas, não aumento.

Último reajuste

A última vez que houve reajuste nas custas judiciais do Paraná foi no início de 2011. À época, o TJ autorizou um reajuste de 45%, entendendo que, além dos 34% aprovados em lei pelos deputados no fim de 2010, era possível conceder mais oito pontos porcentuais de reajuste através de ato administrativo, como reposição da inflação. A medida foi revogada liminarmente pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o que fez com que o presidente do TJ, Miguel Kfouri, confirmasse o aumento em 34%.

A pedido do CNJ, a proposta agora apresentada foi discutida por uma comissão formada por servidores e membros do TJ, representantes da OAB e pelo deputado Tadeu Veneri (PT). Apesar de ter sido formada no início do ano passado, as discussões só foram feitas para valer no final deste ano e o projeto final apresentado no dia 22 de novembro. Alguns desembargadores reclamam que não tiveram tempo para conhecer a fundo e discutir o projeto.

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