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Rio de Janeiro

Um morto e 14 feridos em rebelião no Presídio Ary Franco

Atualizado em 07/12/2006 às 19h20

Cerca de 60 presos armados mantiveram funcionários reféns no Presídio Ary Franco, em Água Santa, na Zona Norte do Rio, durante uma rebelião - a segunda na prisão em menos de uma semana - na manhã desta quinta-feira. Um preso morreu e 14 detentos ficaram feridos. Segundo o presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários, Paulo Ferreira, quatro agentes penitenciários também foram feridos. Ele disse que os agentes foram espancados, espetados com pontas de estoque (lâminas de ferro cortante) e queimados com cigarro. São eles: Manuel Pedro Crispim, Jorge Alexandre Bernardino, André Luiz Pinto Silva e Ivins Mesias de Oliveira Pereira. Ainda não foi divulgado o número de presos feridos.

O secretário de Administração Penitenciária, Astério Pereira dos Santos, disse que os rebelados estão ligados aos detentos do Ary Franco acusados de integrar uma quadrilha que praticava golpes de extorsão por telefone e que querem montar uma nova facção. Ele contou que a rebelião começou por volta das 6h e durou apenas 25 minutos. No entanto, às 8h30m, era possível ouvir o barulho de bombas de efeito moral no interior da unidade. A rebelião terminou somente quando a equipe do Grupamento de Intervenção Tática (GIT) da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) entrou na unidade, três horas após o início do tumulto. Os presos revidaram a ação dos policiais com tiros.

De acordo com o coordenador de segurança da Seap, o coronel César Rubens Monteiro de Carvalho, a rebelião aconteceu porque houve falha humana, já que um agente entrou na carceragem armado e foi rendido pelos presos da galeria A. O secretário Astério dos Santos contou que os detentos renderam um agente penitenciário, quando ele distribuía o café da manhã para os presos. Com a arma do agente, os presos seguiram para a inspetoria do presídio e fizeram mais quatro agentes reféns. Mas segundo o presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários, os presos já estavam armados quando renderam os agentes. Paulo Ferreira afirmou que é muito fácil colocar uma arma dentro da unidade.

- O Ary Franco é um cofre. Em cima tem um solário vazado. Qualquer pessoa por cima pode jogar uma arma lá dentro (do presídio) - afirmou o sindicalista, alertando que, até o carnaval, devem ocorrer rebeliões em outras unidades prisionais.

O presídio foi cercado por policiais civis e militares e a área ao redor da unidade foi interditada. Policiais do Grupamento de Intervenção Tática (GIT) foram acionados e negociaram a liberação dos reféns. Aproximadamente 30 presos teriam negociado com a Polícia Militar no pátio do presídio. Durante as negociações foram ouvidas nove explosões dentro da unidade e os policiais lançaram bombas de efeito moral para acalmar os ânimos dos detentos. De acordo com o secretário, parte do presídio ficou sem luz, porque os rebelados atearam fogo em um colchão e as chamas atingiram a rede elétrica.

Dois homens, que afirmaram ser detentos do Ary Franco, mantiveram contato com a imprensa pelo telefone celular. Eles afirmavam que havia reféns no presídio e exigiam a presença de Astério dos Santos, que estava viajando para Brasília, e do secretário de Segurança Pública, Roberto Precioso, para as negociações. No início da manhã, também foi possível ver detentos dentro das guaritas de segurança e no telhado do presídio.

Familiares de internos se concentraram na porta da prisão. Eles procuravam informações sobre seus familiares. Uma mulher passou mal e foi atendida pelo Corpo de Bombeiros, que também foi para o local. Alguns moradores também acompanharam a movimentação da polícia em frente ao presídio. O Ary Franco possui atualmente 858 presos, distribuídos em 70 celas.

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