
Moradores da região do Novo Mundo não se sentem representados na próxima legislatura da Câmara Municipal de Curitiba. Nenhum dos 38 vereadores eleitos vota na região, onde fica a 176ª Zona eleitoral, formada por Novo Mundo, Lindóia, Fanny, Vila Guaíra, Parolin, Prado Velho e Fazendinha. Esta é a zona eleitoral que reúne menos eleitores na capital (95,2 mil).
Já as zonas eleitorais com maior número de eleitores foram as que mais elegeram representantes. Seis vereadores eleitos votam na 3ª Zona, a maior de Curitiba, que compreende bairros como Cajuru e Uberaba, com 163,4 mil eleitores. A 175ª Zona, que reúne 113,2 mil votantes na região sul da Cidade Industrial de Curitiba (CIC), também elegeu seis vereadores.
Para o presidente da associação de moradores da Vila Parolin, Edson Pereira Rodrigues, apesar do número reduzido de eleitores na região do Novo Mundo, faltou organização dos moradores para não fragmentarem o voto. Rodrigues chegou a se candidatar a vereador para que o bairro tivesse alguém que "brigasse por nós". Não ganhou e estima que dos eleitos nenhum conheça o Parolin. O bairro é um dos mais violentos da capital.
Se o voto distrital misto fosse implantado, nenhum bairro ficaria sem representação, na avaliação do professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), Másimo Della Justina. Pela proposta, Curitiba seria dividida em distritos e em cada um haveria candidatos que representariam apenas aquele local. "Se tem voto distrital, qualquer cidadão que tem sugestão ou elogio se dirige ao representante do distrito e isso vai resolver o problema."
O professor critica os vereadores que dizem que representam todos os bairros. Segundo ele, na realidade esses candidatos acabam não representando nenhuma região.
Carências
Jaime João de Oliveira, presidente da associação de moradores da Vila Leão, no Novo Mundo, diz que como não vê nenhum vereador na região, é a população que tem de correr atrás do poder público para que suas reivindicações sejam atendidas. O líder diz que o principal problema da região é infra-estrutura, como pouca urbanização e habitação precária, que poderia ser resolvida com a pavimentação de um quilômetro de rua. "Tem vereador que deveria nos ajudar e não ajuda. Só vem aqui dar um jantar para o povo e volta daqui a quatro anos", afirma Oliveira.
O educador social Adilto José de Paulo, o Black Ginga Total, mora no Novo Mundo e trabalha no Parolin. Ele sente a falta de um representante, mas acredita que também a população deva ser mais participativa. "Vejo que tem que ter ajuda mútua. Não adianta vereador construir melhoria e a população não ajudar a conservar", conclui.





