Três hidrelétricas em Caconde e São José do Rio Pardo, na região central do estado de São Paulo, abriram as comportas nesta quinta-feira para dar vazão ao excesso de água das chuvas. Em São José do Rio Pardo e Caconde, os moradores que vivem às margens do Rio Pardo estão sendo alertados pela Defesa Civil sobre a possibilidade de enchentes devido à abertura das comportas das hidrelétricas.
O Rio Pardo está quatro metros acima do nível normal, o que também fez a vazão nas hidrelétricas aumentar. Na usina de Caconde, a vazão dos vertedouros passou de 78 mil para 217 mil litros por segundo. Com a abertura das comportas, o rio deve subir ainda mais e há possibilidade de enchentes.
Nesta quinta, o reservatório de água da hidrelétrica recebeu 370 mil litros por segundo e está liberando 217 mil litros por segundo. As hidrelétricas de Euclides da Cunha e Limoeiro, em São José do Rio Pardo, não possuem reservatórios e toda a água que chega é devolvida ao rio.
A vazão na barragem do Limoeiro está em 339 mil litros por segundo e a de Euclides da Cunha com 342 mil litros por segundo.
As cidades de Campinas, Hortolândia e Amparo decretaram estado de alerta devido às ocorrências das últimas 24 horas. Nesse período, em Campinas, choveu mais que as médias dos meses de junho e julho somados. Campinas contabiliza cinco bairros inundados devido a 24 horas de chuva praticamente ininterruptas. Segundo a Defesa Civil, a cidade registrou 84 milímetros entre quarta e esta quinta-feira.
Em alguns dos bairros inundados, a enxurrada invadiu as casas e subiu até 1,5 metro nas paredes. Alguns moradores, como o pedreiro Juarez Soares, dizem que esta foi a pior enchente em 22 anos.
Técnicos da prefeitura e da Defesa Civil avaliam a possibilidade de interdição de uma ponte no centro, onde um grupo de pessoas ficou ilhado pela enxurrada e precisou ser retirado por bombeiros.
Em Americana, também na região de Campinas, cinco árvores caíram e atingiram casas, sendo que uma ficou destelhada.
O meteorologista Hilton Silveira, do Cepagri, afirma que em apenas 18 dias, a média histórica do mês de janeiro, que é de 268 milímetros de chuva, já foi superada em cerca de 26%. Segundo ele, foram registrados 338 milímetros de chuva neste janeiro. A pluviosidade também está próxima de atingir o recorde desde 1989, ocorrido em 2005, quando choveu 425 milímetros.
- É difícil associar essa quantidade de chuva a fenômenos como o El Niño - diz ele sobre possíveis causas para tanta chuva.
- No mês passado, por exemplo, o El Niño estava mais ativo e não choveu tanto - lembra Silveira.
Segundo o meteorolista do Cepagri, a precipitação deve continuar até sexta.



