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Mirante

Verbas da Eletrobrás foram parar nas contas de empresas da família Sarney

Investigação do Ministério da Cultura aponta fraude em patrocínio de R$ 220 mil para o Instituto Mirante, presidido por filho do senador

O Instituto Mirante, ONG presidida por Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e alvo de investigações da Polícia Federal (PF), recebeu R$ 220 mil da Eletrobrás para financiar projetos culturais no Maranhão, com base na Lei Rouanet, mas R$ 116 mil foram parar em contas de empresas ligadas à família Sarney, informa reportagem desta quinta-feira (30) no jornal O Globo. Auditores do Ministério da Cultura (MinC) descobriram ainda que parte dos gastos declarados pela ONG não confere com os extratos bancários do instituto. O MinC ameaça levar o caso ao Tribunal de Contas da União (TCU). Por causa dos problemas, a ONG chegou a ser declarada inadimplente seis vezes.

Ao conferir as notas fiscais do processo, o jornal O Globo constatou que o instituto usou empresas ligadas à família Sarney para justificar o uso de mais da metade dos recursos. Só a TV Mirante emitiu recibos no valor de R$ 67 mil, a título de venda de publicidade para os dois projetos. A Rádio Mirante teria recebido R$ 7,2 mil, e a Gráfica Escolar, R$ 6 mil. A lista de notas inclui até a Associação dos Amigos do Bom Menino das Mercês (Abom), uma das ONGs da família suspeitas de desviar recursos públicos. A Abom emitiu duas notas no valor total de R$ 9 mil.

Diogo Adriano, ex-secretário-executivo do Instituto Mirante, foi lacônico ao falar sobre o fato de a maior parte do dinheiro ter parado em contas de empresas da família: "São os veículos líderes daqui. A questão ética eu apresentei ao ministério, mas eles disseram que não havia problema algum".

O advogado Eduardo Ferrão, que defende Fernando Sarney, disse não conhecer os documentos do MinC.

Bom Menino das Mercês e Fundação José Sarney teriam feito triangulação

Ao mesmo tempo em que pede intervenção na Fundação José Sarney, depois de rejeitar suas contas, a Promotoria de Justiça Especializada em Fundações, no Maranhão, aponta a mira para outra instituição da família Sarney, também suspeita de irregularidades. A promotora Sandra Lúcia Mendes Alves Elouf deu um prazo de 30 dias para que a Abom apresente documentos de sua contabilidade. As duas instituições têm o senador como presidente de honra.

Na análise das contas da Fundação Sarney foram encontrados casos de triangulação de recursos entre ela e a Abom, o que a promotora acha suspeito e, em alguns casos, irregular.

Em nota, o presidente da Fundação José Sarney, José Carlos Souza e Silva, questionou a reprovação das contas da entidade. Ele afirmou que a reprovação é somente um ato administrativo, sem caráter de condenação. Silva disse, ainda, que, no seu entendimento, as contas da Fundação estão corretas.

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