O deputado Wanderval Santos (PL-SP), que responde processo de cassação no Conselho de Ética, reafirmou nesta terça-feira que seu motorista, Célio Siqueira, sacou R$ 150 mil das contas do empresário Marcos Valério no Banco Rural. Wanderval disse aos integrantes do conselho que o motorista sacou o dinheiro sem seu conhecimento e que o fez por determinação do então coordenador da bancada da Igreja Universal, o ex-deputado Carlos Rodrigues (PL-RJ).
De acordo com Wanderval, os funcionários de seu gabinete atendiam normalmente os pedidos do ex-bispo Rodrigues. Ele disse, entretanto, que não pensava que o ex-deputado Carlos Rodrigues usaria seus funcionários para obter benefícios e que este já lhe pediu perdão. O ex-parlamentar fluminense era uma espécie de orientador espiritual e político dos deputados eleitos pela Igreja Universal, afirmou Wanderval.
- Rodrigues tomava atitudes severas e rígidas, exercendo uma liderança incontestável - disse ele.
Wanderval Santos ressaltou que foi envolvido injustamente na denúncia do saque nas contas do empresário Marcos Valério, o que levou à abertura de processo contra ele. O deputado lembrou que Rodrigues demorou a assumir sua responsabilidade no caso.
- Pensei em demitir o motorista, mas entendi que ele não tinha culpa, já que apenas cumpriu ordens - disse Wanderval.
Ele garantiu que não existe mais o mecanismo de subordinação de mandato entre os deputados da bancada da Igreja Universal do Reino de Deus.
O parlamentar adiantou que não vai disputar as eleições do ano que vem, nem em São Paulo, nem em Roraima, onde vai fixar residência. Ele informou que transferiu seu título de eleitor para Roraima para abrir uma filial da Igreja do Espirito Santo, uma dissidência da Universal.
Ao final do depoimento, o relator do processo, Chico Alencar (PSol-RJ), observou que Wanderval joga a culpa no ex-deputado Carlos Rodrigues, que ainda não foi depor no conselho, embora tenha sido convidado duas vezes para isso. Chico Alencar disse que pretende dar mais tempo para que o ex-bispo Rodrigues venha dar sua versão do saque dos R$ 150 mil e das ordens que eram dadas aos funcionários de Wanderval.







