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(Crédito: André Rodrigues/Gazeta do Povo)
(Crédito: André Rodrigues/Gazeta do Povo)| Foto: Gazeta do Povo

A tartaruga Godofredo chegou à residência da família Helferich há cerca de dois meses, para a alegria dos pequenos Henrique e Sofia. Resgatado pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP), o animal pode ser “adotado” pelo economista Jean Carlos Helferich graças à portaria nº 137/2016, publicada em julho pelo órgão, permitindo que voluntários devidamente cadastrados possam assumir a responsabilidade por animais silvestres nativos sob cuidados do IAP.

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Conforme o presidente do IAP, Luiz Tarcísio Mossato Pinto, a medida serve para desafogar os Centros de Triagem de Animais ligados ao órgão e combater o tráfico de animais silvestres. “A partir do momento em que a pessoa pode realizar essa adoção ou comprar animais ‘doados’ a comerciantes autorizados, ela não deve recorrer a animais do tráfico”, diz.

Para a família do economista, ela foi também uma saída encontrada para atender um desejo dos filhos, que queriam muito ter um animal de estimação, mas não poderiam ter um gato ou cachorro, devido à rinite. “A criança não pode ter aquele contato tão direto [quanto teria com um cão], mas é um animal que atende às nossas necessidades e às nossas expectativas”, afirma Helferich.

Espécie e cuidados

De acordo o IAP, todos os animais silvestres nativos cuja criação e comercialização como animal de estimação estiver autorizada pelo IAP (portaria nº 246/2016) poderá ser encaminhado a voluntários. Entre eles estão tartarugas, jabutis, papagaios e outras aves, e macacos. Animais que oferecem riscos às pessoas não devem ser doados. “Não posso dar uma cascavel para a pessoa por dentro de casa”, exemplifica o presidente do órgão.

Para que haja total harmonia entre o animal e o novo dono, o voluntário indica no cadastro quais espécies gostaria de adotar. “Eu coloquei lá que poderia ser um papagaio ou uma tartaruga, daí o IAP entrou em contato oferecendo a tartaruga. Dentro do cadastro, você pode colocar a opção. Poderia ser uma cobra e tal, mas isso já cortei”, diz Helferich.

Cada espécie exigirá de seu novo responsável cuidados específicos. Contudo, por poderem ser criadas e comercializadas, a expectativa é que o acesso a alimentos e outros produtos destinados a essas espécies não seja difícil – embora a variedade de produtos disponíveis seja menor do que para cães e gatos, por exemplo. Helferich conta que, após adotar Godofredo, descobriu o mercado destinado a tartarugas e jabutis e que, com isso, ainda não notou qualquer diferença entre cuidar de um animal doméstico “mais comum” e um silvestre.

Como funciona?

Para adotar um animal silvestre, é preciso preencher um cadastro no site do IAP, o qual será avaliado pelo órgão, assim como os locais onde os animais devem ser mantidos. Se tiver seu cadastro aprovado, o voluntário deverá aguardar contato do IAP informando que há um animal à disposição. Não serão considerados cadastros de pessoas condenadas por crimes contra a fauna nos últimos cinco anos ou de posse de animais silvestres nativos sem autorização legal.

Assim que forem apreendidos, resgatados ou entregues ao instituto, os animais passarão por uma triagem. Se estiverem aptos a retornarem para a natureza, serão devolvidos. Porém, se não estiverem, serão encaminhados aos voluntários de acordo com a ordem dos cadastros (quem faz antes, recebe antes).

Um médico veterinário deverá ser designado para acompanhar o animal e, se ele perceber que os cuidados não estão adequados, o órgão ambiental será comunicado e o animal poderá ser retirado da pessoa que tem sua guarda.

Novo pet center também abrigará animais silvestres “doados” pelo IAP

Inaugurado no fim de outubro, o pet center Hiper Zoo também receberá animais silvestres apreendidos, resgatados ou entregues ao IAP, seguindo as normas estabelecidas pela portaria 137/2016. Para isso, o empreendimento também fez um cadastro, o qual foi avaliado e recebeu a autorização do Ibama.

“Todo o projeto Hiper Zoo foi criado de acordo com as normas do próprio IAP, respeitando a legislação vigente de ambientação, iluminação natural, etc. Temos um espelho d’água, um sistema de resfriamento via água, ao invés de ar condicionado, uma arquitetura que favorece a presença dos animais. Agora o espaço está aberto para recebê-los”, diz a sócia do Hiper Zoo Patrícia Maeoka.

Nem Patrícia, nem o presidente do IAP sabem ao certo que espécies serão disponibilizadas ao pet center, mas eles acreditam que a maioria delas será de aves. De acordo com a proposta do local, parte dos animais será mantido ali apenas para visitação. Porém, conforme Pinto, o Hiper Zoo poderá vender algumas espécies. “Eles poderão comercializar aves que não podem ser reintroduzidas nas florestas ou os filhotes dessas aves”, explica.

 

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