Medo de Papai Noel é normal durante a infância; saiba como lidar

Crianças reagem com medo ao que lhes é estranho e muito diferente do cotidiano. Se há choro ou ansiedade, o recomendado é respeitá-lo

Foto: Bigstock

A criança passa a semana toda falando sobre o presente que quer pedir ao Papai Noel. Gosta de assistir aos filmes e desenhos em que aparecem o personagem. Mas, quando chega perto do senhor de barba longa e vestes vermelhas, a criança fica paralisada. Ou começa a chorar. Não quer sair do colo dos pais, nem chegar perto do bom velhinho. E agora?

Criança com medo de Papai Noel (ou outra figura peculiar, como o palhaço) é normal: é a resposta natural a algo estranho, e pode acontecer entre os 3 e 7 anos, mais ou menos. Acostumadas com seu entorno — pai, mãe, professora, avós, amigos da escola –, a aparição de uma figura caricaturizada faz com que ela demore a associar a pessoa ao personagem.

“Quando a criança vê alguém com uma aparência e em um ambiente com iluminação e decoração tão diferentes do cotidiano, ela demora um tempo para reconhecer e entender. A resposta fisiológica e emocional é o medo”, diz Tatiana Leite, psicóloga especialista em família. O comportamento faz parte do desenvolvimento humano e esse medo nunca some: ele se desloca para outros objetos ou pessoas e, conforme a criança cresce, ela aprende a lidar com essa emoção de outra forma.

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Crianças reagem com choro e ansiedade quando estão na presença de figuras que não reconhecem. Foto: Bigstock

Por isso é indicado trabalhar a imaginação e o lúdico com os pequenos. “Contar histórias e trazer a fantasia e o mundo da imaginação são atividades importantes para que ela consiga imaginar e, quando começar a verbalizar, contar histórias do jeito dela”, diz Juliane. Essa troca entre pais e filhos pode ajudar a descobrir que característica ou o que aconteceu que fez a criança sentir medo do personagem. “Às vezes é a barba longa, a roupa. Os pais podem dar exemplos de outras coisas similares para que ela se acostume. Se for a barba, dar exemplo de alguém que ela conhece que também tem barba”, indica Juliane.

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Incluir a criança em atividades como a decoração de Natal da casa, cantar músicas temáticas, ajudá-la a escrever uma carta para o Papai Noel e envolvê-la no clima é uma maneira de aproximá-la desse “estranho” personagem. “Mostre fotos e imagens do Papai Noel, para que ele reconheça e se sinta seguro quando o encontrar. Mesmo crianças mais extrovertidas, que não costumam ser tímidas, podem se surpreender e se assustar num primeiro momento”, explica Tatiana.

Às vezes, nem é medo. Pode ser desconforto, alerta a psicóloga, como no caso de filas longas no shopping (para onde todos os Papais Noéis se mudam em dezembro). “Criança tem baixa tolerância para espera e ambientes com barulho e muito movimento. Quinze minutos para ela é uma eternidade”, ensina Tatiana.

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“A criança não tem recursos para se acalmar e entender o que ela sente. Tire a criança da situação, passe um tempo observando de longe, mostre que outras crianças falam com o Papai Noel. Pergunte se ela quer dar uma volta, se ela quer voltar depois”, ensina Tatiana Leite, psicóloga especialista em família.

“As pessoas sentem as mesmas coisas em intensidades diferentes e é preciso respeitar a individualidade da criança”, pontua Juliane Krametz, psicanalista infantil. Não há motivos para se preocupar, mas que se o medo impedir a criança de atividades corriqueiras, como ir ao shopping (por associar o lugar com a presença do Papai Noel), recomenda-se procurar ajuda. “As pessoas tendem a pensar que a criança vai lidar melhor com o medo se for aproximada do que lhe causa isso. Não funciona bem assim. Precisa respeitar o medo dela senão pode até virar uma fobia no futuro”, diz Juliane.

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