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Cheio de estilo e dono de uma assinatura única no cenário da arte paranaense, João Turin batiza o concurso que revela talentos das escolas de moda do estado



Acácio Pereira Neto, da Universidade Estadual de Maringá, e suas criações vencedoras da sétima edição do Prêmio João Turin, em 2010: as portas do mercado se abrem para os participantes do concurso paranaense
Nas mãos dele, o pinhão é estampa, as araucárias tornam-se modelagens esguias e a pinha transforma-se em textura. Os tons das telas mesclam o azul da gralha, o verde de copas e campos e o vermelho da terra fértil.

As obras de João Turin, artista plástico e escultor paranaense que se destacou na primeira metade do século passado e integrou o movimento paranista, revelam o seu apreço pelo Paraná.

Não por acaso, ele é reconhecido como o precursor do design de moda no estado e batiza um concurso de grande importância para a indústria fashion do Paraná.O Prêmio João Turin de Incentivo aos Novos Designers de Moda revela talentos das escolas de moda e os lança para o mercado com o aval do Paraná Business Collection.

No sábado, 19 de fevereiro – último dia do evento – 12 promissores estilistas pisarão na passarela do PBC. Às 21 horas, será conhecido o vencedor do prêmio, que este ano é regido pelo tema “Minha Cidade Vira Moda”.

Nesta oitava edição, 172 estudantes inscreveram seus projetos. Os croquis desenhados apresentam dois looks – um co­­mercial e um conceitual –sobre a temática sugerida.

Para avaliar os trabalhos, a comissão julgadora composta por estilistas, empresários e jornalistas considerou itens como criatividade, adequação ao tema e harmonia entre a proposta comercial e conceitual.

Antes de subir à passarela do Paraná Business Col­­lec­­tion, os finalistas apresentam os looks para o júri, em espaço fechado. Momento crucial: é quando os participantes explicam suas criações, justificam a escolha dos ma­­teriais usados, comentam sobre a inspiração e a paixão pelo que fazem e respondem questionamentos da comissão julgadora.

Desde o início, o concurso traz temas que destacam símbolos e representações marcantes do Paraná. Na primeira edição, em 2003, quatro instituições de ensino participaram. Agora, 21 escolas que ofertam cursos técnicos, de graduação e de especialização em moda, estilismo e design estão envolvidas no concurso.

“É um crescimento significativo, comprovando que o objetivo de valorizar a cultura paranaense no desenvolvimento de coleções de modatambém se transformou em meta e entrou na pauta dos centros formadores de profissionais para o setor da confecção”, afirma Nereide Michel, uma das idealizadoras do Prêmio.

Mercado competitivo e em ascensão exige ideias inovadoras e posicionadas, observa Paulo Martins, o outro criador da premiação.

“Em tempos globalizados, manifestações inspiradas na cultura regional – como é a proposta do Prêmio – ganham destaque. Roupas e acessórios com identidade personalizam produtos e aguçam o desejo de um consumidor exigente e que foge da mesmice”, completa Paulo.

Com mais instituições oferecendo cursos na área, aumentam também a diversidade e a competitividade do concurso, aponta a designer de moda Dulce Nunes, professora do Senai/PR.

Dulce acredita que ao in­­vestir no setor de moda e confecções, o Paraná se firma como um estado que entende a sua economia e está preocupado com a formação de criadores e profissionais técnicos preparados para o mercado. Esse status agrega valor aos estudantes.

Ela entende os concursos de moda como uma espécie de estágio, onde o aluno ganha experiência praticando. “Para participar de eventos como o Prêmio João Turin, o estudante deve conciliar várias habilidades: ir para a rua escolher matéria-prima, identificar mão de obra qualificada, criar conceitualmente e olhar para o mercado. O amadurecimento que esse processo traz é inigualável”, avalia a professora do Senai. Segundo Dulce, o perfil de aluno que arrisca participar de um concurso é valorizado pelos empresários.

João Turin: Desde que o artista plástico e escultor deu início ao movimento do design de moda em seus desenhos, esboços, telas e esculturas, quase tudo mudou, da tecnologia às máquinas que constroem o mundo fashion. Mas o foco permanece o mesmo: valorizar talentos e símbolos genuínos do Paraná.

Histórias vencedoras

Depois dos aplausos e da emoção em conquistar um prêmio importante, abrem-se as portas para o início de carreiras promissoras.

Além do prestígio e do troféu, o vencedor do Prêmio João Turin ganha a esperada viagem para Milão e Paris, in­­tegrando a missão empresarial organizada pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), através do Centro Internacional de Ne­­gócios (CIN). É o primeiro passo para um horizonte de realizações. As histórias falam por si.

Efervescência

Após a conquista, Francesca Córdova – vencedora da primeira edição do João Turin – foi para São Paulo, onde viveu a efervescência total da indústria: ritmo acelerado das máquinas de costura, teste de modelos, fotos, criação, passarela e holofotes.

Agora experiente, com sete anos na bagagem, Francesca investe na marca que leva seu nome e se diz empolgada porque, além de mostrar suas peças no desfile de novos talentos do PBC (Ideia Moda), ela integra a comissão julgadora desta edição do Prêmio.

Ascensão

Rodrigo Orizzi, vencedor da quinta edição como aluno da Universidade Tuiuti do Paraná, conheceu mercados internacionais e aprendeu a conviver com pessoas experientes no ramo.

“Logo depois de ganhar, comecei a trabalhar com a marca Miss Cecile, que vem se firmando no mercado nacional, e ajudei a desenvolver a segunda marca da empresa, a L’enfant du Rock, onde sou responsável por todo o desenvolvimento criativo”, conta ele, que este ano participa do desfile de novos talentos.

Iniciativa

No período do concurso, Mi­­chel­­le da Silva, finalista da quinta edição do prêmio, em 2008, teve de aprender a lidar com imprevistos – por exemplo, a falta de materiais específicos. Isso a ensinou a compreender melhor com o mercado. Ainda cursando o Senai/PR, Michelle iniciou estágio numa marca de roupas. Logo depois de formada, uniu-se a uma sócia. Nasceu então a grife Lady Louca, que estreia este ano na grade oficial de desfiles do Paraná Business Collection.

“Logo no início, montamos uma coleção pequena, com pouco mais de dez looks. Estreamos em julho de 2009, em um bazar. Fomos a marca mais vendida do evento, chamamos a atenção de lojistas e vimos que tínhamos futuro. Desde então não paramos mais”, conta Michelle.

Sem fronteiras

Segundo a estilista Fran­­cesca Cór­­dova, os olhares estão voltados para o Brasil no que diz respeito às confecções. Por isso, aponta a profissional, o traçado das fronteiras não pode limitar a fluidez das criações.

“Minha essência é regional, mas o meu trabalho é global. Se a possibilidade não existe, eu crio. Esse conselho eu dou para qualquer pessoa que está co­­meçando”, diz Francesca.

Minha cidade virou moda

Veja os trabalhos dos 12 finalistas do 8º Prêmio João Turin:

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