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 | Fotos: Letícia Akemi / Gazeta do Povo
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Carência examinada

Para saber se a pessoa sofre de carência de vitaminas e nutrientes, o ideal é fazer uma investigação médica ou nutricional a partir dos sinais clínicos, da avaliação de quanto se come, do cálculo das necessidades e dos objetivos da pessoa. Também é importante saber qual o gasto da pessoa em exercícios físicos.

Mais vendidos

Os dez suplementos mais vendidos em Curitiba:

1º Whey Protein (proteína do soro do leite)

2º Bcaa (aminoácidos de cadeia ramificada)

3º Glutamina (aminoácido)

4º Hipercalórico (a base de carboidratos, proteínas, vitaminas e minerais)

5º Termogênicos (a base de cafeína ou outra substância estimulante, como taurina)

6º Pré-treinos (a base de cafeína ou creatina)

7º Carboidratos (waxy maize, maltodextrina e dextrose)

8º Óleo de Cartamo (acelerador metabólico)

9º Albumina (proteína da clara do ovo)

10º - Polivitamínicos

Imunidade comprometida

Sob estresse, os níveis de cortisol aumentam, bem como adrenalina e hormônios, abalando nossos mecanismos de defesa. Isso acontece principalmente nos atletas que estão sob treinamentos intensos, que muitas vezes precisam de um reforço na nutrição esportiva com fins antioxidantes, como as vitaminas, minerais, glutamina, pré e probióticos.

Contraindicação

A suplementação é contraindicada principalmente a pessoas com doenças no fígado e nos rins, além daqueles com problemas cardiológicos. Doentes crônicos, como diabéticos tipo 1, que necessitam de insulina, se forem atletas podem fazer uso de suplementação hipercalórica, desde que seja calculado e avaliado o contexto de treinos e alimentação, necessidades e riscos.

Fisicamente ativa

150 minutos de atividade física moderada por semana ou 75 minutos de atividade intensa classifica a pessoa como fisicamente ativa, segundo a Organização Mundial da Saúde. As necessidades nutricionais dessas pessoas são normalmente atendidas por meio de uma alimentação saudável e convencional, sem necessidade de qualquer suplemento, seja de macro ou micronutrientes.

O tanque de combustível do carro está pela metade. Você apenas completa ou prefere que a gasolina extrapole, para garantir que não irá faltar? Os suplementos nutricionais, comuns em academias e entre atletas profissionais, funcionam da mesma forma. E se ingeridos sem necessidade, as proteínas, aminoácidos e carboidratos podem atrapalhar a função dos rins, fígado e coração, além de transformar o excesso em gordura, contrariando os resultados esperados por muitos dos que recorrem à suplementação.

Para a maioria das pessoas que fazem academia, o organismo de quem se alimenta corretamente e faz exercícios leves a moderados se ajusta às mudanças: caso o corpo necessite de mais nutrientes, isso se reflete em um aumento da fome. "Uma pessoa que come normalmente e gasta energia com um pouco de atividade física não cria nenhum tipo de alteração metabólica ou deficiência nutricional que precise de uma suplementação", explica o médico nutrólogo, mestre em nutrição pela Univer­sidade Federal de São Paulo e diretor da Funzionali, clínica especializada em distúrbios alimentares, Andrea Bottoni.

Mesmo quando a pessoa apresenta uma deficiência, a primeira medida de nutrólogos e nutricionistas é procurar corrigi-la pela própria alimentação. "Em casos de se buscar objetivos específicos, a suplementação pode ajudar, como pessoas que desejam aumentar a força muscular, mas com horários e consumo adequados", explica o professor e pesquisador em efeitos fisiológicos e nutrição associada ao exercício da Universidade Federal de Grande Dourados, Pablo Christiano Lollo.

A ingestão de suplementos, quando desnecessária, traz principalmente prejuízo financeiro (um suplemento de proteína, muito utilizado em academias, custa a partir de R$ 60/90 cápsulas). Em doses altas, pode comprometer a absorção de outros nutrientes, como no caso da proteína, que em excesso afeta o funcionamento dos rins e reduz a absorção de cálcio pelo organismo. Uma pessoa sedentária precisa de 1g de proteína por kg de peso, por dia. Se fizer atividade física regular, a necessidade chega a 1,4g ou até 1,6g de proteína, não ultrapassando 2g, segundo a sub-coordenadora de atendimento ambulatorial nutricional de atletas no Centro de Trei­namento Esportivo da Uni­versidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Janaina Goston. "No contexto dos suplementos, o exagero é comum porque o acesso à substância torna-se fácil, sem precisar de receita para a compra do produto", diz.

Não se engane

Não existe na legislação brasileira a categoria de suplementos alimentares, de acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Os suplementos alimentares ou dietéticos, como são conhecidos internacionalmente, devem se enquadrar nas categorias de novos alimentos; alimentos, substâncias bioativas isoladas ou probióticos com alegação de propriedade funcional e ou de saúde; alimentos para atletas; suplementos vitamínicos e ou minerais. Não há uma lista de substâncias permitidas ou proibidas, mas a Resolução RDC n.º 18/10 indica que os alimentos para atletas não podem conter substâncias estimulantes, hormônios e as consideradas "doping" pela Agência Mundial Antidoping (Wada).

O único suplemento que é contraindicado, em qualquer idade ou objetivo, é o termogênico. Segundo o diretor da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte (SBME), regional do Paraná, Marcelo Bichels Leitão, para que o suplemento termogênico resulte em grande consumo energético, acelerando o metabolismo e reduzindo o peso, a dose deveria ser tão alta que passaria a ser tóxica. "Eles ainda podem fazer com que a pessoa com predisposição a problemas cardíacos manifestem a doença pela ingestão elevada. A cafeína é um exemplo. Você usa um suplemento em pílulas que equivale a cinco, seis xícaras de café. Tomar cinco, seis xícaras ao longo do dia é uma coisa, mas de uma vez só a concentração é muito elevada e os efeitos colaterais podem aparecer", explica o diretor especialista em medicina do exercício e esporte pela SBME.

No caso das proteínas e carboidratos, se bem controlados, o efeito colateral pode ser reduzido ou evitado. "A pessoa deve se questionar se deseja o mesmo efeito de uma alimentação balanceada, só que pagando mais caro, pois é isso o que acontece quando você suplementa. Fora as situações que ainda não passaram por estudos científicos", diz Leitão.

O mais utilizado é o whey protein, uma proteína de alto valor biológico, retirada do soro do leite. "Aquele soro que sobra no pote de queijo em nossa casa é um whey protein. A diferença é a variação da concentração de lactose e gordura. A função dele é ser rapidamente absorvido pelo organismo e seus aminoácidos estarem prontos e disponíveis para a síntese muscular", diz Guilherme Giorelli, médico nutrólogo do Serviço de Diabetes e Metabologia da UERJ e coordenador da Liga Nacional de Nutrologia da Abran. "Há os whey in natura (soro do leite encontrado no pote de queijo), concentrado ( ate 80% de proteína), isolado( ate 95% de proteína) e hidrolizado (ate 99% de proteína)", diz.

Cobaias

"Crianças e adolescentes que utilizam suplementos estão servindo de cobaias", diz o diretor da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte, Marcelo Leitão. Isso porque ainda não se sabe os efeitos dessa ingestão, nem para o lado negativo, nem para o positivo. "Na fase da adolescência, em que o indivíduo goza de franco desenvolvimento, crescendo hormonalmente, a musculatura ganha força, e o adolescente melhora seu desempenho de qualquer jeito. Não será um suplemento que o fará ser um bom atleta ou um atleta mediano", afirma.

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