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Saúde e Bem-Estar

“Alguém faz piada com quem tem câncer?”, diz ator sobre brincadeiras com Fabio Assunção

Levado para o centro das brincadeiras sobre exageros na hora da diversão, o ator é defendido por colegas. Saiba mais sobre dependência química em drogas, álcool e cigarro

  • PorCarolina Kirchner Furquim, especial, com Estadão Conteúdo
  • 25/02/2019 17:33
Fabio Assunção é defendido por colegas. Foto: Reprodução.
Fabio Assunção é defendido por colegas. Foto: Reprodução.| Foto:

 

Problema de saúde pública Tido como um verdadeiro problema de saúde pública devido aos riscos que oferece ao organismo e à saúde mental, bem como por estar associado a uma série de problemas sociais, o vício em drogas, álcool e cigarro representa um desafio difícil de ser manejado em qualquer parte do mundo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera droga qualquer substância, natural ou sintética, com capacidade de modificar uma ou mais funções do organismo. Com tipos e efeitos dos mais variados, essa classificação compreende tantos drogas lícitas (como medicamentos para dormir, emagrecer, álcool e tabaco, por exemplo) como ilícitas (maconha, cocaína, crack, ecstasy e muitas outras). >> Tendência fitness: os 10 exercícios que estarão em alta em 2019 Parte da história natural da humanidade, o abuso de substâncias com efeitos estimulantes, depressores ou alucinógenos, geralmente acontece pela busca de prazer e bem-estar, socialização, alívio de dores, da ansiedade e de outras alterações do nível de consciência, e tentativa de fuga de uma realidade adversa. A adolescência, uma época marcada por transformações e experimentações, é vista por especialistas como particularmente preocupante, pois se trata de uma fase em que o indivíduo, em busca de autonomia, não aceita bem qualquer recomendação, facilitando a abertura para a instalação de vícios. Viver Bem reuniu dados atuais sobre o consumo de álcool, cigarro e drogas, e conversou com especialistas sobre consequências e tratamento. As drogas causam dependência que exige tratamento para ser abolida. Foto: Bigstock. Drogas Adicção é o nome dado ao vício em drogas ilícitas (embora compreenda outros tipos de dependência e compulsão). Segundo o médico psiquiatra Arthur Guerra de Andrade, coordenador do Núcleo de Álcool e Drogas (NAD) do Hospital Sírio-Libanês, para cada cinco pessoas que procuram assistência médica, uma tem problema com álcool e drogas. “Nos hospitais os pacientes não admitem o problema, que só é descoberto quando surgem os sinais de abstinência”, diz. Segundo o Relatório Brasileiro sobre Drogas, uma publicação do Governo Federal em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), em 2007 o Brasil registrou 135.585 internações associadas a transtornos mentais e comportamentos decorrentes do uso de drogas, sendo 23% delas devido ao uso de múltiplas substâncias e 5% ao uso isolado de cocaína. Sobre as consequências do uso sobre a saúde e segurança públicas brasileiras, o documento relata o aumento de casos de AIDS entre usuários, infecções por hepatites virais, mortalidade direta, afastamentos por aposentadoria e crimes de posse e tráfico. Mais de uma década depois da publicação do relatório, o Brasil segue com números alarmantes. Segundo o IBGE, o uso de cocaína, crack e opioides saltou de 0,8% para 7,3% nos últimos dez anos, com consumo e produção substancialmente aumentados. O Relatório Mundial sobre Drogas 2018, publicado pela United Nations Office on Drugs and Crime (UNODC) registra uma crise de opioides, abuso de medicamentos sob prescrição e níveis recordes no consumo de cocaína e ópio. A maconha – droga mais consumida em todo o mundo – teve 192 milhões de usuários em 2016, uma expansão de 16% na última década anterior àquele ano. Em 2016, no mundo, 275 milhões de pessoas, cerca de 5,6% da população global entre 15 e 64 anos, usaram drogas ao menos uma vez, sendo 18 milhões de usuários de cocaína. Ao todo, foram pouco mais de 200 mil mortes no planeta decorrentes do uso de substâncias ilícitas. A vulnerabilidade, segundo o relatório, é determinada por idade e gênero. A ONU estima que o tráfico movimenta 400 bilhões de dólares no mundo. Ele ainda destaca o perigo das drogas sintéticas, também em alta no Brasil. “Estamos falando de substâncias que não sabemos como são feitas e quais riscos exatos trazem para a saúde”, comenta. Geralmente produzidas a partir de uma ou várias substâncias químicas psicoativas, como anfetaminas e metanfetamina, essas substâncias, ao serem ingeridas, inaladas, fumadas ou injetadas, provocam alucinações porque afetam o sistema nervoso central, levando a sintomas imediatos como aceleração da frequência cardíaca e do ritmo respiratório, agitação extrema, perda de reflexo, aumento da pressão arterial, convulsão, diminuição da temperatura corporal e redução de sensibilidade no corpo. A longo prazo, os riscos envolvem infarto agudo do miocárdio, insuficiência renal aguda, acidente vascular cerebral (AVC), danos aos vasos sanguíneos e danos ao fígado. “O UNODC estima que entre 2008 e 2013 surgiram 350 novos tipos de drogas sintéticas, que se juntaram a outras mais antigas, como ecstasy e LCD. A maior parte do consumo das drogas sintéticas no Brasil ocorre entre os jovens e em contextos festivos. Isso acaba associando o produto principalmente a momentos de prazer e glamour. Algumas pessoas nem lembram que estão usando uma droga”, diz o médico. Em se falando em prevenção, a abordagem do assunto é de complexidade única e passa por aspectos médicos, educacionais, econômicos, políticos, sociais, históricos e morais, mas que sempre desaguam em uma coisa certa: é preciso haver informação de qualidade, desde cedo. O tratamento deve ser feito por uma equipe de profissionais multidisciplinar, que vai atuar na avaliação, diagnóstico, tratamento e reinserções social e laboral. Tratar de modo personalizado, levando em conta as variáveis individuais de cada paciente, é essencial. “No NAD, na primeira consulta ambulatorial, o paciente é recebido por um médico psiquiatra especializado que levanta informações essenciais para o primeiro diagnóstico. É a partir dessa avaliação que será desenhado um plano de tratamento individualizado de acordo com as necessidades de cada paciente”, explica o médico. Seja qual for o método de escolha, que pode envolver até internação em clínicas especializadas na recuperação de dependentes químicos e terapia medicamentosa, é difícil estimar a duração do tratamento. De modo geral, o acompanhamento regular deve acontecer por seis meses a um ano, ainda que o paciente necessite de acompanhamento espaçado por tempo indeterminado. O álcool está em todo lugar e é responsável por boa parte das adicções no país. Foto: Bigstock. Álcool A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com o Ministério da Saúde e apoio do Ministério da Educação, investiga informações que permitem conhecer e dimensionar os fatores de risco e proteção à saúde dos adolescentes. Em 2015, a pesquisa constatou que 55,5% dos alunos do 9º ano do ensino fundamental afirmaram já terem experimentado pelo menos uma dose de bebida alcoólica, sendo que 54,8% dos meninos e 56,1% das meninas responderam positivamente. Sem níveis considerados seguros para o consumo do álcool (e sem qualquer benefício em seu uso moderado), essa substância responde, anualmente, por 2,8 milhões de mortes em todo o mundo, segundo a prestigiada revista médica científica The Lancet. A pesquisa conduzida pela revista levou em conta dados coletados em 195 países e concluiu que o consumo de bebidas alcoólicas e as doenças associadas a elas estão entre os principais fatores de risco e incapacitação evitáveis. Uma em cada dez mortes de pessoas com idades entre 15 e 49 anos está ligada ao uso do álcool. Para a saúde, há uma forte associação entre álcool e os riscos de câncer, ferimentos, doenças infecciosas, isquêmicas e respiratórias, cirrose e diabetes, além de acidentes interpessoais e acidentes de trânsito. Cultuado no passado e associado ao sucesso, o álcool é, hoje, encarado pela medicina como um dos vícios mais difíceis de largar. “Assim como outros tipos de dependência, a dependência do álcool se apresenta em diferentes padrões e níveis. O simples e controlado consumo não sinaliza qualquer tipo de dependência, mas o uso abusivo, que começa a manifestar necessidade de reposição ou sintomas físicos e mentais de abstinência, alerta para um vício instalado”, comenta a psicóloga Juliana de Oliveira Pierin, especialista em psicanálise e saúde mental, e mestranda pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) em psicologia clínica, cuja linha de pesquisa é clínica psicanalítica e política de redução de danos. Ainda que alguns dependentes da bebida consigam reconhecer o vício e procurar ajuda especializada por si só, quanto mais severo o grau da dependência, menos o indivíduo é capaz de discernir e tomar essa decisão.“Normalmente é um familiar que procura ajuda e tratamento, muitas vezes quando o vício em álcool já evoluiu para outros tipos de dependência”, continua a psicóloga. Segundo ela, diferentes estudos na área apontam que a abordagem individualizada em três vias – biológica, psíquica e social – é o tratamento mais recomendado. “Tudo deve ser analisado, inclusive o contexto em que o paciente vive e suas relações sociais e com familiares. Um tratamento bem instituído conta com acompanhamento psiquiátrico, assistência social, enfermeiros, terapeutas ocupacionais e até mesmo medicamentos. Enfim, é multidisciplinar”, diz Juliana. A redução de danos, linha de pesquisa da psicóloga, segundo a Associação Internacional de Redução de Danos (IHRA) é definida como “políticas e programas que tentam principalmente reduzir, para os usuários de drogas, suas famílias e comunidades, as consequências negativas relacionadas à saúde e a aspectos sociais e econômicos decorrentes de substâncias que alteram o temperamento” – sendo o álcool uma delas. Essa estratégia, na prática, foca nas consequências do ato e não nos comportamentos em si, sem julgar o consumo. Estratégia pragmática, ela não busca políticas ou alternativas que sejam inatingíveis ou que criem mais danos que benefícios, e está calcada na aceitação da integridade e responsabilidade individuais. Vista como inovadora, essa abordagem, que não promove a abstinência, vem sendo bem-sucedida há alguns anos, especialmente em países em transição, que ainda vêm delineando suas políticas em relação ao álcool. “Exigir abstinência total ou impor outras condutas que o paciente não tem condições de suportar não é mais o caminho. Uma vez que não falamos em cura dentro do alcoolismo, a política de redução de danos vem se revelando uma ótima prática, que foca no manejo, no apoio da família, na reeducação das relações sociais e considera, inclusive, as recaídas e reincidências”, comenta Juliana. O vício no cigarro é um dos que mais causam problemas de saúde. Foto Bigstock Cigarro Não é novidade para ninguém que o hábito de fumar está atrelado a vários tipos de câncer, além de doenças inflamatórias das vias respiratórias (como rinite, sinusite, otite, faringite, laringite, traqueíte, pneumonia e enfisema), cardiovasculares (infarto, hipertensão, derrame ou AVC), digestivas (boca seca, gastrite, diabetes), urinárias e sexuais. O relatório “A Epidemia Mundial do Tabaco 2015”, da Organização das Nações Unidas (ONU), aponta que uma pessoa morre de doenças relacionadas ao tabaco a cada seis segundos, o equivalente a cerca de 6 milhões de pessoas por ano. Até 2030, as estatísticas tendem a crescer para 8 milhões de mortes por ano, caso medidas drásticas não sejam tomadas para o controle do tabagismo. No Brasil, felizmente, dados do Ministério da Saúde apontam que o hábito de fumar caiu 36% em 11 anos. Segundo a pasta, 15,7% da população adulta brasileira era fumante em 2006, taxa que caiu para 10,1% em 2017. Segundo Ricardo Sales dos Santos, cirurgião torácico do Centro de Oncologia e Hematologia Einstein, do Hospital Israelita Albert Einstein, o tabagismo é considerado a principal causa de morte evitável no mundo. “Cerca de um terço da população mundial adulta, algo em torno de 1 bilhão e 200 milhões de pessoas, fumam regularmente. Houve uma considerável diminuição desde a década de 1980, quando quase metade da população fumava. Contudo, a indústria do tabaco lucra bem mais devido ao aumento populacional. Esse lucro, entretanto, representa um enorme prejuízo para a saúde da população”, diz. O cigarro carrega mais de 4 mil substâncias tóxicas. Somente no alcatrão há cerca de 40 substâncias cancerígenas. Os locais do corpo atingidos por essas substâncias são progressivamente danificados, resultando em doenças crônicas, tais como a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), doenças do coração, vasculares, renais e do sistema nervoso central. “As horas de prazer diário do cigarro resultam em perda da qualidade de vida a médio e longo prazo e diminuição do tempo de vida em cerca de 10 a 15 anos em média, sendo pior para as mulheres”, continua Ricardo. Segundo ele, cerca de 30% dos pacientes diagnosticados com câncer têm o cigarro como sua causa principal. No caso do câncer de pulmão, essa proporção varia de 80% a 90%. “A população fumante precisa e merece saber dos riscos para agir e tomar as providências adequadas, com apoio da família e de um time multiprofissional de saúde. Parar de fumar hoje pode significar assistir futuramente ao nascimento dos netos, à formatura dos filhos ou simplesmente apreciar a aposentadoria com boa saúde e por mais tempo. Além disso, a ausência do vício em casa e ambientes públicos é medida protetora para a sociedade, pois o fumo passivo é causa de doenças respiratórias em crianças e adultos expostos ao tóxico alheio”, avalia o médico. Os benefícios da cessação do tabagismo começam imediatamente após o último cigarro, com a melhora dos batimentos cardíacos, da respiração, da circulação, da oxigenação, da pressão e da capacidade de realização de exercícios, e se prolongam por toda a vida. No caso do câncer, após 10 a 15 anos, o risco de desenvolver a doença começa a se assemelhar ao da população não fumante. Porém, parar de fumar não é uma tarefa fácil. Quem toma essa decisão pode e deve ser assistido por uma equipe multidisciplinar para garantir a manutenção da decisão. E todo recurso é válido nessa empreitada. A psicóloga Ana Merzel Kernkraut, coordenadora de psicologia do Hospital Israelita Albert Einstein, conduz um programa de cessação do tabagismo no hospital, criado a partir da experiência de anos da instituição no acompanhamento de pessoas dependentes do tabaco. “Esse programa tem duração de 12 semanas e consiste em três consultas psiquiátricas e 12 consultas psicológicas. A primeira consulta é presencial, com psiquiatra e psicólogo, e as demais acontecem à distância, semanalmente, com psicólogo”, detalha ela. E a tecnologia, nesse processo, trabalha a favor do paciente. “A nossa porta de entrada é o call center da reabilitação. Além disso, os pacientes também recebem suporte da equipe de tecnologia e mídias do hospital, para que todo o acompanhamento à distância funcione, inclusive através de mensagens, que tornam tudo mais ágil”, explica Ana. Ou seja, para participar, basta estar conectado à rede através de um smartphone, tablet ou computador, sem desculpas em relação a horários, compromissos e deslocamentos. “É um programa que integra tecnologia, inovação, psiquiatria e psicologia, e que visa a um objetivo único: auxiliar o paciente nessa jornada de parar de fumar. Todos os pacientes que atendemos foram beneficiados, seja reduzindo ou interrompendo o uso de tabaco”, diz a psicóloga. Na rede pública, o tratamento de tabagismo no Brasil é desenvolvido com base nas diretrizes do Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT), que está sob a coordenação e gerenciamento da Divisão de Controle do Tabagismo e Outros Fatores de Risco do Instituto Nacional de Câncer (INCA) e do Ministério da Saúde. Segundo o INCA, quem não consegue parar de fumar por conta, deve buscar tratamento especializado nas secretarias estadual e municipal de saúde. A abordagem tem por base o modelo cognitivo comportamental é a técnica recomendada para o tratamento do tabagista. Entre as premissas está o entendimento de que o ato de fumar é um comportamento aprendido, desencadeado e mantido por determinadas situações e emoções, que levam à dependência devido às propriedades psicoativas da nicotina. O tratamento objetiva, portanto, a aprendizagem de um novo comportamento, através da promoção de mudanças nas crenças e desconstrução de vinculações comportamentais ao ato de fumar, combinando intervenções cognitivas, treinamento de habilidades comportamentais e apoio medicamentos. De acordo com o INCA, o uso de medicamentos tem um papel bem definido no processo de cessação do tabagismo, que é o de minimizar os sintomas da síndrome de abstinência à nicotina, facilitando a abordagem intensiva do tabagista. LEIA TAMBÉM
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