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Probiótico fermentado contribui para a saúde do intestino. Foto: Bigstock
Probiótico fermentado contribui para a saúde do intestino. Foto: Bigstock| Foto:

De origem chinesa, o kombucha é uma bebida gaseificada, ácida e levemente adocicada feita a partir do chá verde ou do chá preto com a adição de bactérias, leveduras e açúcar – que entram com a função de fermentação. Desconhecida por aqui há alguns anos, a bebida tornou-se febre entre os adeptos da alimentação saudável – e não é para menos.

A nutricionista e coordenadora do curso Cozinheiro Funcional, Bianca Oliveira, explica que o kombucha oferece qualidades probióticas, ou seja, possui micro-organismos importantes para biota intestinal, e é justamente aí que mora a grande importância da bebida. “Os probióticos fornecem ao intestino bactérias saudáveis, que melhoram muitos aspectos da saúde, incluindo a digestão, a inflamação e até a perda de peso”, observa.

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Aline Quissak, que é nutricionista, pesquisadora em nutrição terapêutica e fundadora da Nutri Secrets, reforça a importância dos alimentos probióticos pelo fato de possuírem as chamadas “bactérias do bem”, que contribuem para o funcionamento correto do intestino, facilitando a absorção de vitaminas, minerais e antioxidantes. “Com isso, o corpo consegue absorver melhor a qualidade nutricional da comida ingerida.”

Estudos preliminares também apontam outros benefícios do consumo do kombucha: como a produção pelos micro-organismo de vitaminas do complexo B e K, propriedades antibacterianas – particularmente contra bactérias causadoras de infecções e da levedura cândida –, efeitos antioxidantes no fígado, além de melhorar dois marcadores de doença cardíaca, LDL (colesterol “ruim”) e o HDL (colesterol “bom”).

Intestino: segundo cérebro

Considerado hoje pela medicina como o “segundo cérebro”, o intestino tem função primordial para a saúde, como a regulação da produção de hormônios. Aline explica que é o intestino o responsável por produzir 95% da serotonina, que é o chamado hormônio da felicidade. Dessa forma, o consumo do probiótico também ajuda nessa função importante, que é o controle do humor.

Além disso, a biota intestinal está intimamente ligada a diversos controles em nosso organismo, sendo um dos mais importantes o sistema imunológico. “Logo, ter uma boa saúde intestinal, com microbioma e microbiota de qualidade, é fundamental para um estado pleno de saúde. Hoje sabemos que desde problemas básicos como constipação/diarreia até disfunções metabólicas importantes estão relacionadas à saúde intestinal”, pondera Bianca.

Na hora de escolher seu kombucha, é importante verificar nos ingredientes se existe a presença de açúcar adicionado. Isso porque as bactérias nocivas se alimentam de açúcar, podendo levar a uma desbiose, que é o desequilíbrio da biota (flora intestinal) e que tem consequências prejudiciais para a saúde.“A desbiose pode ser causa para diversos problemas de saúde, como queda de cabelo, oscilação de humor, vontade exagerada de doce”, diz Aline, que reforça que o açúcar usado para a fabricação da bebida é consumido pelas bactérias para o processo de fermentação.

Chá, suco ou refrigerante?

O kombucha apresenta aspecto semelhante a um refrigerante, é feito a partir do chá e consumido como um suco. O processo de fermentação produz ácido acético e outros compostos ácidos, tornando a bebida carbonatada, ou seja, com gás. Bianca conta que o kombucha também é conhecido como “chá de cogumelos” porque durante o processo de fermentação as bactérias e leveduras formam uma película semelhante a um cogumelo na superfície do líquido, que recebe o nome de scoby.

Foto: Bigstock
Foto: Bigstock

Algumas pessoas comparam o produto ao conhecido yakult e ao kefir, mas são produtos com diferenças importantes. “Na minha opinião o kombucha é o melhor e yakult o pior. O kefir não contém cafeína, enquanto o kombucha tem. Já o yakult é produzido apenas com um tipo de lactobacilo que fermenta leite desnatado e contem açúcar”, diferencia.

Quanto beber

O produto pode ser consumido diariamente, desde que não  haja desconforto gastrointestinal: recomenda-se começar com 100 ml por dia e ir aumentando. Vale ressaltar que o kombucha não tem uma validade determinada, porém, por ser fermentado, o ideal é consumi-lo em até 60 dias após o engarrafamento e 7 dias após aberto. Aline sugere consumir, pelo menos, três vezes na semana. “Ou o kombucha ou outros produtos fermentados. Um nutricionista consegue fazer a indicação mais assertiva de quantidade e até do melhor horário de consumo”, orienta.

Cuidados necessários com as opções caseiras

O kombucha na sua versão industrializada pode ser encontrado em supermercados e em casas de produtos naturais, em diversos sabores. É possível, ainda, fazer a versão caseira. Na internet existem diversas opções de receitas. O alerta das especialistas é em relação à possibilidade de contaminação. Por isso, use equipamentos esterilizados, mantenha o espaço limpo e sempre opte por ingredientes de alta qualidade.

“Pessoas com imunidade severamente comprometida precisam ter cuidado com o consumo de kombucha caseiro, pois existe a possibilidade de que o fermento possa desenvolver bactérias nocivas que podem causar doenças em pessoas com sistema imunológico prejudicado”, diz Bianca.

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