Projeto desenvolvido no Paraná ajuda deficientes visuais a identificar cores

Por meio de um sistema baseado no braile, uma pesquisadora de Curitiba está ajudando deficientes visuais a serem mais autônomos

Uma pesquisadora da área de engenharia mecânica da UFPR criou um código que permite que deficientes visuais identifiquem cores e possam se vestir sozinhos. Foto: VisualHunt/Reprodução

O mergulho de uma artista plástica no mundo da engenharia mecânica deu origem a um código universal para que pessoas com deficiência visual possam identificar cores. O trabalho é fruto dos estudos feitos por Sandra Regina Marchi para seu doutorado na Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Baseado no sistema braile, o código criado por Sandra pode ser aplicado em qualquer objeto, aumentando a autonomia de pessoas com problemas de visão. De acordo com o censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 6,5 milhões de brasileiros têm grande dificuldade ou incapacidade de enxergar. Uma população que, hoje, precisa de ajuda para escolher, por exemplo, que roupa usar. “Por mais que eles não conheçam a cor, eles vivem em um mundo de cores, usam roupas e objetos coloridos. Quanto mais autossuficientes essas pessoas forem, melhor para elas. Isso contribui com a autoestima e a autoconfiança”, avalia Sandra.

Antes de colocá-lo em braile, Sandra testou o código usando palitos e isopor. Foto: Sucom/UFPR

Antes de colocá-lo em braile, Sandra testou o código usando palitos e isopor. Foto: Sucom/UFPR

Artista plástica, ela decidiu cursar seu mestrado e doutorado na área da engenharia mecânica, sempre se dedicando ao estudo das cores. A ideia para o código veio de conversas com o professor Milton José Cinelli, da Universidade Estadual de Santa Catarina (Udesc). A UFPR e a Udesc fazem parte de uma rede de tecnologia assistiva junto à Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Universidade de São Paulo (USP), em Bauru e Universidade Federal de Santa Catarina (Ufsc). O objetivo do grupo é estudar tecnologias que melhorem a vida de portadores de deficiência.

Embora já existam outros códigos de cores para deficientes visuais, o paranaense se destaca por dois motivos importantes: cabe em qualquer lugar e é universal, por ter como base o braile. Para Emília Cussama, 25 anos, o sistema criado pela pesquisadora é de grande ajuda. Ela diz que não teve grandes dificuldades para se adaptar ao código. “Para mim, funcionou muito bem. Só tive dificuldades bem no começo, até aprender o código. Depois, foi bem fácil de usar.” Emília enxerga apenas vultos. Ela perdeu ainda na infância, em decorrência de um sarampo.

Para a idealizadora do sistema, incluir um viés mais humano às ciências exatas é uma oportunidade única. “Eu tenho essa personalidade artística e, hoje, estou em um mundo de pessoas para quem a gente tem que mostrar que o produto funciona. E, nesse projeto, estamos nos dedicando ao humano, usando as máquinas para criar coisas para o cotidiano dos humanos.”

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