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Como lidar com a acne na adolescência e não transformar as espinhas em uma ruína social

“Por causa da acne, não conseguia me sentir confiante nem desenvolver meu estilo próprio”, conta adolescente. Saiba as causas e como lidar com as espinhas nessa fase

Adolescente e acneAs espinhas afetam a percepção do adolescente sobre si mesmo e podem aumentar o risco de depressão, ansiedade e isolamento social. Foto: Bigstock

No começo, Sophia Steinberg tinha espinhas esporádicas quando estava no oitavo ano. Mas em dois anos, contou, o rosto, o peito e as costas estavam cobertos de lesões embaraçosas causadas pela acne cística. “Eu me sentia muito constrangida, extremamente insegura e ansiosa. Acordava com vergonha do meu rosto, nunca me sentia atraente. Precisava usar muita maquiagem e vestir roupas que escondiam meu corpo. Evitava falar diante da sala. Por causa da acne, não conseguia me sentir confiante nem desenvolver meu estilo próprio”, me confessou Sophia, uma aluna do ensino médio do Brooklyn.

A adolescência é desafiadora para muitos jovens, mesmo nas melhores circunstâncias, mas se, além disso, o rosto que mostram ao mundo está arruinado por acnes protuberantes, os estresses emocionais e sociais corriqueiros dessa fase podem ser muito mais difíceis de suportar.

Como a dra. Andrea L. Zaenglein, professora de dermatologia e pediatria da Universidade Estadual da Pensilvânia, relatou recentemente na revista “The New England Journal of Medicine”: “Os efeitos psicológicos da acne podem ser profundos, e pessoas nessa situação correm o risco de sofrer consequências significativas e negativas na qualidade de vida.” Em uma entrevista, afirmou:

“As espinhas afetam a percepção do adolescente sobre si mesmo e podem aumentar o risco de depressão, ansiedade e isolamento social. A acne é muito visível – o rosto é a primeira coisa que as pessoas veem. Não é algo que pode ser escondido com facilidade. Mas, mesmo assim, nem sempre os filhos dizem aos pais quanto a acne os afeta.”

De acordo com o dr. Robert P. Dellavalle, professor de dermatologia na Universidade do Colorado, em Denver, “a acne é uma das doenças mais debilitadoras da dermatologia. Não mata, mas pode marcar uma pessoa tanto literal como psicologicamente. Se o tratamento puder curar a acne e prevenir as cicatrizes, poderá prevenir também a necessidade de um tratamento psicológico, o qual pode ser difícil de obter”.

Mitos e verdades

Um complicador são os muitos mitos e enganos sobre o que causa a acne e a falta de conhecimento generalizada sobre a eficácia dos tratamentos médicos modernos para controlá-la.

Exorbitantes 85% dos adolescentes são acometidos em algum grau. Apesar de a maioria dos casos ser leve e responder a remédios comuns, há outros mais severos, duradouros e que demandam tratamento profissional; quanto antes, melhor. Especialistas dizem que muito frequentemente a intervenção é adiada, resultando em uma angústia social persistente e cicatrizes irreversíveis que podem demandar cirurgia cosmética, a qual não é coberta pelo seguro-saúde.

Quase 85% dos adolescentes são acometidos pela acne em algum grau. Foto: Bigstock

A busca pelo tratamento apropriado é normalmente protelada quando as pessoas acreditam que logo tudo vai melhorar, mas Zaenglein alerta: “A acne pode demorar muitos anos para concluir seu ciclo. E as mulheres podem ser atormentadas por ela também na fase adulta.” Por razões ainda desconhecidas, dermatologistas estão observando um aumento de acne persistente em mulheres adultas, esclareceu Dellavalle.

A acne é uma doença da unidade pilossebácea – traduzindo: a haste do pelo, o folículo e a glândula sebácea. Sob a influência dos hormônios da adolescência, as glândulas aumentam a produção de uma substância oleosa chamada sebo, que, normalmente, lubrifica a pele. O sebo é fonte de alimento de uma bactéria chamada Cutibacterium acnes (também conhecida como Propionibacterium acnes), que mora na pele. À medida que essas bactérias proliferam, elas atraem células brancas do sangue que podem danificar as paredes do folículo, formando detritos e células mortas que causam espinhas e, às vezes, pústulas. Os folículos podem também ficar obstruídos, levando à formação de pontos pretos ou brancos.

Poluição e chocolate causam acne? 

Diferentemente do que acredita o senso comum, a acne não resulta de poluição ou falta de limpeza da pele. Em realidade, uma pele irritada por lavagem excessiva ou, por exemplo, por ser esfregada com as mãos ou por ter contato com um chapéu pode causar acne, explicou Dellavalle. Ele recomenda cuidar da pele com um produto suave, como o Cetaphil, em vez de sabão. Além disso, Zaenglein sugere lavar a pele apenas duas vezes por dia.

A influência da alimentação é controversa, em sua maior parte teórica e difícil de testar. Estudos globais sugerem que uma dieta com altos níveis de glicemia – ou seja, rica em carboidratos e açúcares refinados – pode promover a acne, assim como outras doenças ocidentais comuns. Uma dieta de índice glicêmico baixo, rica em grãos integrais e legumes, aparentemente alivia a propensão a acnes em adolescentes, além de “ser um ótimo conselho médico para todo mundo”, afirmou Dellavalle. A acne é virtualmente desconhecida em populações que consomem esse tipo de dieta.

Laticínios tendem a agravar a acne em algumas pessoas; portanto, os adolescentes que costumam tomar muito leite podem tentar reduzir a quantidade para ver se a acne melhora. Da mesma forma, aqueles que comem muita carne vermelha e frango, ricos em leucina, um aminoácido, têm mais probabilidade de desenvolver acne devido a uma reação em cadeia complexa que estimula as glândulas sebáceas da pele.

Laticínios tendem a agravar a acne em algumas pessoas. Foto: Bigstock.

Contudo, a influência que outros alimentos teriam sobre a acne, como chocolate e frituras, é mais mito do que fato. O dr. Steven R. Feldman, dermatologista na Escola de Medicina da Universidade Wake Forest, em Winston-Salem, Carolina do Norte, me esclareceu que “se mantida dentro do razoável, a alimentação não tem um grande efeito sobre a acne”. Ele suspeita que a maioria das crendices que relacionam dieta e acne se baseiam no fato de que “quando os hormônios da adolescência começam a agir, os jovens ficam famintos e, coincidentemente, as acnes também surgem”.

Mais importante do que restringir a alimentação é obter o tratamento apropriado. A maioria dos casos leves responde bem a remédios comuns, como o peróxido de benzoílo, que mata a bactéria causadora da acne. Normalmente, é usado em combinação com o gel de adapaleno, um retinoide tópico agora vendido sem prescrição com o nome Differin. Entretanto, Zaenglein não aconselha “ficar experimentando remédios comuns se a acne for extensa ou severa. É melhor procurar tratamento profissional imediato para prevenir cicatrizes”.

Antibióticos também são eficazes, mas, para evitar que a bactéria crie resistência, devem ser usados apenas por alguns meses como “terapia de resgate até que o tratamento tópico comece a fazer efeito”, complementou Zaenglein.

Casos mais graves, como o de Sophia, exigem tratamento médico e remédios prescritos. Para acne cística, Feldman declarou que “a grande arma, a isotretinoína, é geralmente recomendada, além de ser muito eficiente”. Para garotas e jovens mulheres, as pílulas anticoncepcionais costumam ser úteis, pois reduzem a flutuação de hormônios. O uso de um anticoncepcional de alta eficácia é imprescindível para quem toma a isotretinoína, uma vez que esta pode causar sérios defeitos no feto.

Apesar de Sofia apresentar um quadro mais desafiador do que a maioria, ela finalmente respondeu a uma combinação entre o bloqueador de andrógeno espironolactona e contraceptivos orais. Agora, ela está ansiosa para concluir o último ano do ensino médio sem tanto estresse.

Um dos aspectos mais árduos do tratamento da acne é a falta de comprometimento – ou seja, fazer com que os adolescentes sigam de forma consistente a terapia determinada. Quanto mais simples a rotina, melhor, aconselhou Zaenglein. Ela recomenda manter o remédio perto da escova de dentes para garantir que seja tomado. Mas o mais importante, ensinou, é “ser paciente – pode levar de seis a oito semanas de tratamento contínuo para notar alguma melhora”.

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