Saúde e Bem-Estar

Carolina Kirchner Furquim, especial

Contracepção no pós-parto exige atenção especial. Conheça as alternativas

Carolina Kirchner Furquim, especial
23/08/2016 20:30
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Pílulas anticoncepcionais tradicionais, ou seja, com estrogênio na formulação, não podem ser adotadas como método contraceptivo pela mulher que está amamentando (Foto: Bigstock)

A chegada de um bebê provoca uma série de transformações no corpo de uma mulher, que vai levar algum tempo para voltar a ser o que era antes. O ciclo menstrual passa a ser algo incerto, dificultando assim o controle da própria fertilidade. Portanto, discutir com o médico os métodos contraceptivos que podem ser adotados após o parto é importante para a mulher que não deseja outro filho tão cedo. Conheça as alternativas indicadas para a mulher que acabou de dar à luz.
Método natural
O período de lactação é considerado um método contraceptivo natural e de alta eficácia (cerca de 97%). “Enquanto a mulher amamenta, ela vive um período chamado pela medicina de amenorreia lactacional, ou seja, com ausência de menstruação”, explica Rosires Pereira de Andrade, professor titular de Reprodução Humana, chefe do departamento de Tocoginecologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e membro da Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Paraná (Sogipa).
Embora considerado seguro, é recomendado que ele seja associado outro método, para aumentar ainda mais a garantia. Também funciona somente em mulheres que amamentam de forma exclusiva e tem caráter temporário: quando a criança completa seis meses de vida e outros alimentos passam a complementar a alimentação, perde-se o efeito natural da amamentação sobre a fertilidade. Isso acontece porque os picos de prolactina, um hormônio que inibe a ovulação, só são assegurados quando a mulher amamenta com frequência e em intervalos curtos.
Para as mulheres que não amamentam de forma exclusiva, espera-se que o retorno da fertilidade aconteça em até quatro semanas após o parto, possibilitando assim uma nova gravidez. “Entretanto, esta retomada depende de inúmeras variáveis maternas, o que torna a questão bastante imprevisível e exige a adoção de outros métodos contraceptivos, hormonais ou de barreira”, orienta Andrade. Tudo isso pode ser discutido com o médico durante o pré-natal ou na primeira consulta de retorno após o nascimento do bebê, que também coincide com o fim do período de resguardo geralmente adotado pelo casal.
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Métodos hormonais
A mulher que amamenta e que optar pela contracepção oral deve conversar com o médico sobre o uso de pílulas especiais, livres de estrogênio. Isso porque esse hormônio pode provocar a diminuição da produção e também interferir na qualidade do leite materno. Ainda que alguns estudos conduzidos indiquem que esta interferência é mínima, não há comprovação de que o hormônio não afete o bebê com o passar do tempo. “Neste caso, pílulas combinadas (tradicionais) estão fora de questão, adotando-se, geralmente, comprimidos de desogestrel, um fármaco presente em contraceptivos hormonais de terceira geração, também conhecidos por serem minipílulas de uso contínuo”, diz Ricardo Schwarz, ginecologista, obstetra e ultrassonografista da Maternidade Curitiba.
Qualquer outro método hormonal cuja formulação contenha estrogênio deve ficar para depois do período de amamentação. Isso inclui adesivos e contraceptivos injetáveis mensais. “Os que levam apenas progesterona em sua composição, como os injetáveis trimestrais ou pílulas de progesterona, estão liberados para uso durante a lactação”, continua Schwarz.
DIU
Os dispositivos intrauterinos (DIU), hormonais ou de cobre, estão liberados. O DIU de cobre, como é livre de hormônio, funciona como um método de barreira ao impedir que os espermatozoides cheguem até as trompas, e não exerce nenhuma interferência no leite materno. O DIU hormonal, por ser feito de levonorgestrel, uma versão sintética da progesterona, também é indicado. Ambos podem ser inseridos no útero um mês após o parto, geralmente na consulta de retorno. Implantes anticoncepcionais, posicionados na face interna do braço, também estão liberados e podem, inclusive, ser colocados no período de hospitalização para a chegada do bebê.
Métodos de barreira
O preservativo, tido como um dos métodos mais confiáveis, está liberado assim que o casal retomar suas atividades sexuais. Além de prevenir uma nova gestação, ele também protege contra o HIV e outras doenças sexualmente transmissíveis, ao contrário de todos os outros métodos anticoncepcionais disponíveis. Outra opção é o diafragma, que também age como método de barreira, ainda que a recomendação de seu uso aconteça em associação a um espermicida e somente depois que a anatomia pélvica da mulher volte ao normal, o que pode levar alguns meses.

De modo natural

A lactação como método contraceptivo, com índice de eficácia de até 97%, só funciona se a mulher obedecer a todos os critérios abaixo. Eles garantem picos de prolactina no organismo, um hormônio que inibe a ovulação.
– Amamentar de forma exclusiva, com intervalos curtos entre as mamadas (livre demanda);
– Ter um bebê menor de seis meses (depois dessa idade são introduzidos alimentos na dieta e a amamentação deixa de ser exclusiva);
– Estar em um período de amenorreia, ou seja, com ausência total de sangramento.