Saúde e Bem-Estar

Rede pública e privada aplicam a vacina da gripe de forma diferente

Aplicação intramuscular ou subcutânea? Entenda a diferença e veja como as redes pública e privada estão aplicando as vacinas

Vacina da gripe está sendo aplicada via subcutânea no Paraná em 2018. Foto: André Borges/Agência Brasília.

A Campanha Nacional de Vacinação contra a gripe começou no dia 23 de abril em todo país e como ocorre todo ano, a vacina que está sendo aplicada em 2018 é diferente da distribuída no ano passado: traz duas importantes alterações nos componentes, incluindo uma variante do já conhecido H1N1 e outra do temido H3N2, além da proteção contra a cepa Yamagata da Influenza B. Mas é outra mudança que está sendo notada entre as milhares de pessoas que buscam os postos de saúde no Paraná: a agulha este ano está menor.

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Isto se deve à mudança na via de aplicação: a vacina, que até o ano passado era injetada via intramuscular, agora é feita via subcutânea.  “A recomendação do fabricante da vacina é a de que ela pode ser feita por qualquer uma das vias. Então, neste ano, optou-se por fazer via subcutânea, em razão dos insumos disponíveis. Foi uma decisão meramente técnica”, justifica Léia Regina da Silva, coordenadora da Central de Vacinas da Secretaria Municipal da Saúde de Curitiba, referindo-se às seringas e agulhas usadas. Segundo ela, a decisão coube à Secretaria Estadual de Saúde, que confirmou por meio de sua assessoria o caráter técnico da mudança.

Foto: Daniel Castellano / Agência de Noticias Gazeta do Povo.

“Algumas pessoas têm achado estranho, mas muitas vacinas, como a da febre amarela e algumas do calendário de vacinação infantil, são feitas mais superficialmente, na hipoderme da pele”, afirma Léia.

Mesmos efeitos

A doutora em enfermagem Lúcia Helena Linheira Bisetto, professora do curso de Graduação em Enfermagem da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), campus Curitiba, explica que a mudança não é motivo para preocupação. “A eficácia é exatamente a mesma, independentemente da via escolhida. Na minha experiência, aliás, a via subcutânea é até melhor, pois se mostra menos dolorosa para a maior parte das pessoas.” Sobre as possíveis reações locais que a vacina pode causar, ela diz ainda que ambas as vias podem causar as mesmas: vermelhidão, dor e inchaço são comuns entre 24 e 48 horas após a aplicação.

O local da aplicação

Mesmo com a mudança no tamanho da agulha (para as aplicações via intramuscular é comum se usar agulhas de 20 milímetros de tamanho por 5,5 milímetros de calibre, enquanto as subcutâneas têm 13 milímetros 4,5 milímetros), os locais de aplicação continuam os mesmos.

Para crianças entre 6 meses e 3 anos incompletos (2 anos, 11 meses e 29 dias) aplica-se na região do vasto lateral da coxa, do lado direito, e para adultos e crianças acima de 3 anos o local indicado é na região do deltoide, no braço, também no lado direito. “Apesar de ser possível a aplicação em outros locais do corpo, como inclusive ocorre em outros estados, nós padronizamos a aplicação nestas regiões para poder acompanhar possíveis reações, caso ocorram”, explica Léia Regina.

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Além deste protocolo, o das doses recomendadas também foi mantido. Para crianças de até 9 anos, o número de doses vai depender se ela teve ou não contato anterior com a vacina. No caso de crianças que nunca foram vacinadas, recomendam-se duas doses, com intervalo de 30 dias entre elas. Em relação ao tamanho da dose, para crianças entre 6 meses e 3 anos incompletos, são 0,25ml, enquanto para as maiores de 3 anos e adultos adota-se a aplicação de 0,5ml.

Rede privada

As mudanças adotadas neste ano pelo sistema público não foram replicadas na rede particular. “O protocolo da vacina tetravalente, ou quadrivalente, segue as recomendações do fabricante de aplicação via intramuscular”, alerta Andressa Hoinski, enfermeira coordenadora do Centro de vacinas do Hospital Pequeno Príncipe.

Segundo ela, em crianças de até dois anos ela é feita no vasto lateral da coxa, mas após dois anos opta-se por aplicar no músculo deltoide, no braço.

Alcance

Segundo a Central de Vacinas da Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba, até o dia 30 de abril (uma semana após o início da Campanha), 123.431 pessoas já tinham se vacinado nos postos de saúde da cidade.

O número representa 24% da população alvo pretendida pelo Ministério da Saúde, 515 mil pessoas na capital paranaense. “A busca pela vacina está dentro do esperado, mas entre os idosos vemos uma adesão maior. Quase 40% da população de idosos já se vacinou”, afirma Léia Regina

A Campanha vai até o dia 1º de junho e podem se vacinar gratuitamente os seguintes grupos:

-Crianças entre 6 meses de idade até 4 anos, 11 meses e 29 dias;

-Idosos acima com 60 anos ou mais;

– Pessoas com doenças crônicas como diabetes, hipertensão, câncer, asma, bronquite e doenças degenerativas do sistema nervoso central;

– Gestantes, independente do mês gestacional;

– Mulheres em pós-parto, até 45 dias após o nascimento do bebê;

– Profissionais de saúde da rede pública ou privada;

– Professores de escolas públicas ou privadas;

– População Indígena;

– População carcerária e funcionários do sistema prisional;

– Adolescentes e jovens entre com 12 e 21 anos sob medidas socioeducativas.

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