Até 2022, brasileiros encontrarão biscoitos e refrigerantes com toneladas a menos de açúcar

Acordo entre Ministério da Saúde, Anvisa e entidades do setor alimentício prevê redução de 144 mil toneladas de açúcar nos industrializados

Refrigerantes, bolos, misturas para bolos e biscoitos serão impactados pela redução proposta pelo Ministério da Saúde. Foto: Bigstock

Bolos e misturas para bolos, produtos lácteos, achocolatados, refrigerantes e biscoitos terão a quantidade de açúcar reduzida nos próximos anos, conforme acordo anunciado na última segunda-feira (26) pelo Ministério da Saúde. A meta prevê uma redução de 144 mil toneladas de açúcar na composição dos alimentos processados e industrializados até o ano de 2022.

O objetivo, conforme informações divulgadas pelo Ministério da Saúde, está na redução da incidência de doenças crônicas importantes, como hipertensão e diabetes. Em parceria com a Anvisa e 68 empresas do setor alimentício, o órgão afirma que seguirá o mesmo modelo usado na diminuição dos teores de sódio. Em quatro anos, 17 mil toneladas de sódio foram retiradas de alimentos processados vendidos no Brasil.

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Cada alimento terá uma taxa máxima permitida de açúcar, que passará por uma redução gradual, monitorada em dois momentos pela Anvisa: 2020 e, então, 2022. No caso dos biscoitos recheados, a taxa de açúcar que deverá ser eliminada da composição será de 62,4% — o maior número dentre os alimentos listados, devido à maior quantidade de açúcar, hoje, encontrado nesse produto.

Confira a redução de açúcar conforme cada grupo de alimentos:

Misturas para bolos reduzirão até 46,1% dos açúcares;

Bolos terão de reduzir até 32,4% dos açúcares;

Bebidas açucaradas, como refrigerantes e sucos de caixinha, deverão diminuir 33,8% dos açúcares;

Produtos lácteos, como iogurtes, leites fermentados, iogurtes tipo grego, 53,9% dos açúcares. 

Achocolatados até 10,5% dos açúcares;

Biscoitos recheados até 62,4% dos açúcares. 

Os critérios que determinam as metas de cada categoria de alimento variam conforme o consumo, a distribuição dos teores de açúcar dos alimentos e até o percentual de produtos que deverão ser reformulados a fim de atingirem a meta.

Refrigerantes e outras bebidas açucaradas também terão as taxas de açúcar reduzidas

Indústrias terão metas para reduzir os açúcares dos produtos e serão monitorados em 2020 e 2022, ano limite para a mudança (Foto: Jonathan Campos / arquivo / Gazeta do Povo)

Impacto na saúde

Reduzir a quantidade de açúcar consumida pelo brasileiro, deixando de ser algo excessivo, é uma medida sempre bem-vinda, segundo Fábio Trujilho, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). Isso não significa, porém, que terá um impacto imediato e efetivo contra obesidade, hipertensão ou diabetes.

“Vai depender muito de como esse acordo será cumprido. A redução do açúcar vai trazer para a população a possibilidade de escolher produtos menos calóricos, e associado a campanhas de educação sobre os riscos desses alimentos calóricos, a médio e longo prazo pode ter um impacto. Mas, é difícil quantificar”, explica o especialista.

Entre 2008 e 2015, a quantidade de bebês (entre 0 a 5 anos) e crianças (entre 5 a 10 anos) que apresentavam sobrepeso, obesidade e obesidade grave  só aumentou – chegando a quase 400 mil meninas, entre 5 a 10 anos, diagnosticadas com sobrepeso, em 2015 no Paraná. Os dados são do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN) do Ministério da Saúde.

A medida, segundo Trujilho, traz benefício semelhante à campanha de favorecer a rotulagem frontal dos produtos, com informações claras, que propiciem uma escolha consciente por parte dos consumidores.

“O acordo, pelo que vi, não prevê a substituição do açúcar por outro ingrediente, nem mesmo por adoçante, como é feito em outros países que adotaram medidas semelhantes. É uma redução do açúcar mesmo, para tornar o alimento com um paladar menos doce. Isso pode afastar o consumidor, mas é importante que as pessoas se adaptem a um paladar menos doce”, completa o presidente. 

Brasileiros amam açúcar

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda um consumo máximo de açúcar de 50 g por dia e, se possível, até 25 g/dia. O brasileiro, no entanto, ultrapassa em 50% essa recomendação, e ingere, em média, 80 g de açúcar todos os dias — algo em torno de 18 colheres de chá do alimento.

Esse açúcar está nos alimentos processados, mas 64% do total está naqueles que são adicionados pela própria pessoa. Exemplificando, o açúcar extra está nas colheres de chá a mais que adoçam o café, o achocolatado, o suco natural e o chá.

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