Saúde e Bem-Estar

5 dicas para a mãe e o bebê terem o melhor parto possível

Camille Bropp Cardoso
27/12/2015 09:00
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Foto: Bigstock

O melhor parto é aquele em que todos saem sem traumas, lembra autora. Foto: Bigstock
Além de médica pediatra, Luciana Herrero é mãe de dois filhos. Isso fica bem claro em Diário de Bordo do Parto (Instituto Aninhare, 392 págs., R$ 88,50). Estão no livro, detalhadamente, as lições que a autora obteve com os erros de percurso da primeira gravidez — uma cesariana agendada antes do tempo — e o trabalho que ela teve para entender melhor o processo na segunda gestação.
“Nos primeiros três meses de vida, o bebê ainda carrega na memória a sua experiência do nascer”, escreve a médica. “Pelo menos, foi o que percebi nas minhas meninas e nas mamães que atendo”. Segundo a médica, poucos se dão conta de que o parto de sucesso não é aquele em que a mãe e o bebê saem vivos, mas sim vivos e sem traumas.
Luciana defende que a gestante (ambos os pais, na verdade) precisam se cercar de informações para escolher o melhor parto possível, que “seja bom para a mulher e para o bebê”. É a melhor forma de não se tornar uma vítima de escolhas alheias, como ela acredita ter ocorrido no seu primeiro parto.
O Viver Bem selecionou algumas orientações de Luciana. Veja abaixo:
1) Faça um plano de parto
Não importa se a escolha é por parto natural ou cesariana; em casa ou no hospital; com doula ou médico obstetra. É necessário deixar explícito aos envolvidos (pôr no papel mesmo) o que os pais aceitam que seja feito com a mulher e com o bebê. O desconhecimento sobre o assunto, diz Luciana, é a causa para que o Brasil tenha uma escalada de cesáreas. Apesar de importante em várias situações, a cirurgia é cômoda para médicos e hospitais, mas nem sempre para a mãe e o bebê. Ao mesmo tempo, quem opta pelo parto natural precisa vencer a ansiedade e não correr logo para o médico assim que as contrações começam. E não ligue para as críticas às suas escolhas, que com certeza virão.
2) Deixe a casa pronta para o pós-parto
Pensar apenas em deixar a casa aconchegante para o bebê é comum, mas também um tiro no pé. Para a volta do hospital, pais precisam de comida na dispensa e de roupas limpas, por exemplo. O ideal é deixar a rotina da casa toda planejada para a pouca atenção que esses aspectos práticos receberão nas próximas semanas. Os parceiros também devem se comprometer a dividir as tarefas, então é melhor deixar tudo acertado desde o início.
3) Aprenda a identificar procedimentos desnecessários
Infelizmente, ainda é comum no Brasil partos em que procedimentos totalmente ultrapassados são considerados regra. Já está clara a ineficácia, por exemplo, de deixar a mulher deitada o tempo todo antes do parto natural ou exagerar nos exames de toque (principalmente quando feitos por vários profissionais diferentes). Os pais podem e devem reclamar dessas situações.
4) O pai pode ajudar no parto
Ele pode ter um papel muito mais ativo do que se pensa. No parto normal, o pai do bebê pode ajudar a aliviar a dor das contrações massageando as costas da mulher. Também pode orientar a equipe para que sejam mantidos silêncio e as luzes baixas. Durante a cesárea, vale que ele peça para desligar o ar-condicionado para o bebê nascer mais confortável. É dele também o papel de prestar atenção à mãe, já que boa parte da equipe estará concentrada no bebê.
5) Não tema a dor, mas não aceite sofrimento desnecessário
A analgesia usada hoje durante o parto, mesmo o natural, permite que a mulher tenha liberdade de movimentos. Ela pode até andar e dar à luz de cócoras. O parto na banheira de água morna ajuda a mitigar a dor das contrações. O que não é aceitável é a ideia de que toda a mulher precisa sofrer dores excruciantes para dar à luz e durante o pós-operatório. Conhecer as possibilidades de analgesia protege a mulher contra situações desagradáveis.