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Pneumonia e outras complicações que podem prejudicar a saúde de Bolsonaro

Diagnosticado com pneumonia, a complicação pós-cirúrgica é comum entre pacientes que passaram por uma intervenção abdominal extensa

Jair Bolsonaro recebe diagnóstico de pneumoniaPresidente Bolsonaro foi diagnosticado com pneumonia na última quarta-feira (6) e saída do hospital será postergada, novamente (Foto: Alan Santos/arquivo/ Gazeta do Povo)

Depois de 11 dias internado, devido à cirurgia de reversão da bolsa de colostomia, o presidente Jair Bolsonaro recebeu o diagnóstico de que havia desenvolvido uma pneumonia — constatada em um exame de imagem, na última quarta-feira (06) ,depois de apresentar febre de 38°C. A infecção no trato respiratório não é incomum em pacientes que, como Bolsonaro, passaram por uma intervenção extensa na região do abdome, mas é uma das complicações que podem surgir nesse período de recuperação.

>> O que significa a demora na cirurgia de Bolsonaro: sete horas de duração

Pneumonias tendem a surgir devido a reações das próprias cirurgias abdominais de grande porte, e não significam que o paciente tenha se infectado com bactérias do hospital — como é comum de se imaginar.

“Cirurgias grandes no intestino, estômago, pâncreas, onde o paciente fica muito tempo no hospital, podem desencadear uma pneumonia pós-operatória. Ela é diferente da pneumonia comunitária, aquela desenvolvida depois de uma gripe”, explica Marciano Anghinoni, cirurgião oncológico e chefe do serviço de cirurgia oncológica do aparelho digestivo do hospital São Vicente, em Curitiba. 

Isso acontece porque quando o médico cirurgião opera órgãos/vísceras que carregam bactérias, como o intestino e estômago, esses micro-organismos podem sofrer a chamada translocação. “Quando se opera essas áreas, as bactérias podem ir para o sangue e gerar infecções. Mas trata-se de um somatório de fatores, como o longo tempo em anestesia geral [com entubação do paciente e ventilação artificial], a baixa imunidade do paciente e a manipulação dessas regiões com bactérias, que podem levar a essa infecção”, reforça Anghinoni.

Embora a translocação das bactérias do intestino seja uma causa possível para a pneumonia, pacientes podem também desenvolver a doença a partir da via mais comum: respiratória. “O ar tem bactérias e os hospitais, onde estão pessoas com diferentes doenças, albergam bactérias de perfil diferente daquelas que habitam as nossas casas, o ambiente comunitário. Não significa que a pessoa no hospital fatalmente pegará uma pneumonia”, explica Ricardo Amorim Corrêa, médico pneumologista da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT).

O especialista, que também é professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), lembra que existem condições que contribuem para o desenvolvimento das pneumonias em pacientes internados. Das principais:

Tempos longos de internação. Quanto mais tempo o paciente passa internado, maior o risco.

Pacientes que sofreram entubação, ventilação mecânica.

Pacientes em pós-operatório.

Pacientes com deficiências na imunidade, ou que fazem uso de medicamentos que alteram o sistema imunológico.

Pacientes que fazem uso de antibióticos com frequência. Situação que cabe a Bolsonaro, que fez uso da medicação com o intuito de evitar infecções.

“A chance de a pessoa no hospital desenvolver pneumonia (chamado de pneumonia adquirida no hospital) varia com os fatores de risco. O tempo de internamento, o estado no pós-operatório, e o uso prévio de antibióticos, são fatores importantes neste caso”, reforça Corrêa.  

Quando diagnosticada precocemente, o uso de medicamentos antibióticos adequados favorecem um desfecho positivo ao paciente. “É muito cedo para dizer a evolução. Bolsonaro está há 11 dias internado e, normalmente, quando há essas pneumonias e é feita a medicação antibiótica, aconselha-se que o paciente fique mais sete dias para a recuperação”, diz o cirurgião oncológico.

Dentre outras infecções que podem surgir, como complicações da cirurgia de reversão da bolsa de colostomia, estão a insuficiência renal, as infecções da parede abdominal, além da pneumonia. Dentre as doenças mais tardias, o surgimento de hérnias no abdome. 

Demora na alimentação

Apesar da tentativa, na última semana, que Bolsonaro voltasse a se alimentar oralmente, o presidente só conseguiu retomar uma alimentação mais sólida nesta sexta-feira (8), conforme divulgou via Twitter a nova rotina:


Na última tentativa, Bolsonaro sentiu-se mal e uma sonda nasogástrica foi utilizada para drenar o líquido parado no estômago. A medida foi necessária porque, provavelmente, o intestino ainda não estava trabalhando em um ritmo adequado — resultado das muitas aderências encontradas pelos cirurgiões durante o procedimento de reversão.

“A cirurgia dele foi demorada, durou sete horas. Eles [cirurgiões] encontraram bastante aderência e não conseguiram religar diretamente uma boca do intestino, que estava para fora, com a interna. Foi necessário ressecar mais um segmento do órgão, que é uma técnica mais complicada. Nesses casos, o intestino demora mais tempo para voltar a funcionar”, explica o cirurgião oncológico.

Fístulas: maior temor

Os primeiros sete dias depois da cirurgia de reversão da bolsa de colostomia são os mais temidos pelos médicos cirurgiões devido ao risco aumentado das fístulas. No caso de Bolsonaro, essa preocupação reduziu com o passar dos dias em internamento e a ausência dessa complicação.

>> Confira o passo a passo do procedimento cirúrgico realizado em Bolsonaro

As fístulas surgem quando, após a ligação entre as duas partes do intestino, a área da sutura ou emenda sofre alguma alteração e as fezes acabam extravasando para a cavidade abdominal. Em geral, os cirurgiões usam drenos que fazem essa limpeza, mas quando a fístula surge pouco tempo depois da cirurgia, um novo procedimento pode ser exigido.

“No caso de Bolsonaro, já se passaram 11 dias, então o risco de fístula diminuiu bastante. É claro, que no caso dele, estamos nos baseando em informações oficias e ninguém falou em fístulas. Acreditamos, portanto, que não ocorreu nenhuma fístula”, explica Marciano Anghinoni, cirurgião oncológico.

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