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Câncer de pulmão: 86% dos casos são diagnosticados em estágio avançado

Quando a doença é encontrada em fase avançada, o risco de que o paciente venha a morrer nos próximos cinco anos é de 87%

Na maior parte dos casos, câncer de pulmão não é diagnosticado antes de chegar a uma fase avançadaNa maior parte dos casos, câncer de pulmão não é diagnosticado antes de chegar a uma fase avançada (Foto: Bigstock)

Em um grupo de 100 pessoas com câncer de pulmão no Brasil, 86 deles recebem o diagnóstico apenas quando a doença está em um estágio avançado. O alerta veio da organização não governamental Oncoguia e os números foram repercutidos pela Agência Brasil, nesta quinta-feira (01).

Quando a doença atinge essa fase, a expectativa de vida reduz significativamente.

Se o tumor é identificado em um primeiro estágio, o risco de que o paciente venha a morrer nos próximos cinco anos chega a 64%, conforme os dados do Oncoguia.

>>> Cigarro causa um dos cânceres mais comuns nos brasileiros, e não é o do pulmão

Mas, se a doença for identificada no terceiro estágio, o risco  de mortalidade no mesmo período aumenta para 87%. E, até o quarto ano, a ameaça de que o câncer mate o paciente chega a 90%.

Por que não se descobre antes?

O câncer de pulmão é o segundo mais comum em homens e mulheres no Brasil, de acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) e cerca de 13% dos novos casos de câncer são de pulmão.

Apesar do registro de 6,9 mil casos no país em 2016, estima-se que o número seja maior justamente pela demora no diagnóstico, chegando a 28 mil casos. Os números do INCA, para 2018, são de 31 mil casos no total, sendo 18,7 mil homens e 12,5 mil mulheres.

Há dois motivos principais, na visão do médico pneumologista Gustavo Prado, para essa demora no diagnóstico:

“Normalmente, o câncer [de pulmão] nas fases mais iniciais não provoca sintoma. E, mesmo quando provoca um sintoma, como falta de ar, as pessoas com câncer de pulmão frequentemente têm outras doenças com sintomas respiratórios ou cardiológicos, que não chamam atenção do paciente”, explica o especialista, que também é coordenador da Comissão Científica de Câncer de Pulmão da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT).

Outra questão levantada por Prado é a dificuldade de acesso a médicos especialistas que fariam uma identificação precoce da doença.

“Talvez pelo acesso mais difícil e mais tardio ao sistema de saúde, especialmente de alta complexidade, para uma avaliação especializada, que é uma realidade em boa parte do Brasil. Mesmo o paciente com suspeita clínica pode ter dificuldade de acesso a um centro especializado”, reforça o pneumologista.

Fuma? Você está em risco

Dentre os fatores que favorecem o desenvolvimento do câncer de pulmão, um extrapola qualquer outro: o tabagismo. Quase 80% (79,1%) dos casos da doença estão relacionados ao hábito e a ameaça atinge tanto quem faz uso do cigarro frequentemente quanto “só de vez em quando” e mesmo quem está passivamente recebendo a fumaça.

“Temos estudos, e essa não é só uma opinião de especialista, que avaliaram que, no longo prazo, até padrões de consumo inferiores a um cigarro por dia estão associados a um risco cardíaco, morte por doença cardíaca, risco de câncer e mortalidade por câncer. Não há limite seguro de exposição, nem para quem fuma ou para quem recebe a fumaça passivamente, de cigarro ou qualquer derivado de tabaco”, alerta Gustavo Prado, pneumologista. 

Embora a população pareça mais consciente dessa relação, há grupos de pessoas que ainda são mais vulneráveis. “A percepção [do risco] aumentada é provavelmente onde há uma boa escolaridade e acesso a médicos. O tabagismo é uma doença cruel com as pessoas com pouca renda e escolaridade, menos acesso a informação, serviços sociais e de saúde. Esse é o extrato da população que mais fuma e está menos preparado para o enfrentamento da doença”, reforça o especialista.

Depois do cigarro, o cirurgião oncológico Bruno Roberto Braga Azevedo lista outras situações que colocam as pessoas à mercê da doença: “Obviamente o cigarro é o fator principal, mas a exposição ocupacional a agentes químicos ou físicos também aumentam a ameaça. Existe risco na construção civil, na fundição de metal, na indústria de metal pesado, de fertilizantes”, explica o especialista, que também é presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) – regional Paraná e cirurgião oncológico do hospital São Vicente, de Curitiba.

Quem deve ser avaliado

Há dois grupos de pessoas, conforme explica o cirurgião oncológico Bruno Azevedo, que devem receber uma investigação mais aprofundada para o diagnóstico de câncer de pulmão:

  • Paciente que já tem algum sintoma, como tosse frequente ou escarro com sangue, perda de peso, ou dor torácica.
  • Paciente que se encaixe no principal fator de risco: fumante. Especialmente quem está entre 55 a 74 anos e fumou nos últimos 15 anos (mesmo que tenha parado recentemente), conforme a orientação da Sociedade norte-americana de Câncer.

“No paciente com sintoma, geralmente, não vamos ver uma doença na fase inicial [mas mais avançada]. Já no paciente com fator de risco podemos identificar uma lesão e indicar o tratamento precoce”, explica Azevedo.

Screening

A esses grupos listados acima, um programa de screening ou rastreamento tende a ser muito benéfico para o diagnóstico precoce do câncer de pulmão — possivelmente reduzindo os números atuais de diagnóstico tardio.

“Nessa população de risco, iniciar um programa anual de tomografias, onde se calibra o aparelho para obter a melhor imagem com baixa dose de radiação e minimizar o risco relacionado ao exame, pode reduzir a mortalidade pelo câncer de pulmão em 20%. Temos pelo menos três estudos internacionais que mostram que o rastreamento reduz a mortalidade por câncer”, diz Gustavo Prado, pneumologista.

Além do exame de imagem, o cirurgião oncológico Bruno Azevedo destaca a importância da biópsia, quando o médico avaliar necessário:

“A sequência inicial que temos para o diagnóstico é o exame de imagem e a biópsia. Um raio x simples ou exame de tomografia do tórax ajuda, mas só esse exame não dá o diagnóstico. Pensamos, então, na coleta de material para avaliar a patologia, que pode ser feito por endoscopia (broncoscopia); ou através de uma agulha inserida no tórax para coleta do material ou ainda cirurgia, quando há um nódulo muito suspeito”, diz.

Se você se encaixar em algum desses grupos de risco, ou souber de alguém com essas características, procure um médico pneumologista ou oncologista para tirar a dúvida. 

Tratamento atual

A indicação de tratamento da doença oncológica segue conforme o avanço do câncer, e se divide em diferentes estágios.

No estágio 1 e 2, a doença é vista como inicial e o tratamento mais indicado é o cirúrgico.

Quando está no estágio 3, a doença está localmente avançada no tórax, mas não há evidência de um acometimento maior. O tratamento costumeiro é uma associação de quimioterapia e radioterapia.

No estágio 4, a doença chega a uma fase metastática, onde há focos de disseminação para fora da região primária do tumor. Quimioterapia é indicada e, onde há acesso, sessões de imunoterapia.

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