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Pouca massa muscular indica risco de morte 63 vezes maior em idosas

Estudo da USP mostrou que mulheres idosas com pouca massa muscular em braços e pernas têm até 63% mais risco de mortalidade geral

Estudo identificou que massa muscular de braços e pernas está relacionado a risco de mortalidade em idososEstudo identificou que massa muscular de braços e pernas está relacionado a risco de mortalidade em idosos. Foto: Bigstock.

Com o passar da idade, os parâmetros que indicam uma boa saúde não são apenas os valores que aparecem nos exames solicitados pelos médicos, mas no próprio relato do paciente idoso. Ele caminha bem, sem muita dificuldade? Tem força nos braços para carregar as próprias compras?

>>> Como os idosos podem prevenir a perda de massa magra?

Quando a resposta é positiva a essas questões, o médico geriatra sabe que o paciente pode ter alguns bons anos pela frente — e pesquisadores da USP trouxeram novos dados para essa discussão.

Ao acompanharem um grupo de 839 idosos durante um período de quatro anos, os estudiosos da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP) perceberam que avaliar a massa muscular de braços e pernas (regiões conhecidas pelos especialistas como “apendicular”) de pessoas acima de 65 anos é uma ferramenta eficaz na estimativa da longevidade do paciente idoso.

Em mulheres com pouca massa muscular nessas regiões, por exemplo, percebeu-se que o risco de mortalidade geral durante o período foi quase 63 vezes maior que em relação às mulheres com mais massa muscular. Entre os homens, especialmente aqueles que tinham uma baixa massa muscular logo na primeira avaliação, o risco de mortalidade foi 11,4 vezes maior. 

“Avaliamos a composição corporal da nossa população, com ênfase na massa muscular apendicular, gordura subcutânea e gordura visceral. Em seguida, buscamos identificar quais desses fatores poderiam predizer a mortalidade nos anos seguintes. A quantidade de massa magra nos membros superiores e inferiores foi o que mais se destacou na análise”, diz Rosa Maria Rodrigues Pereira, professora de Reumatologia da FM-USP e coordenadora da pesquisa, em entrevista à Agência FAPESP. Os resultados do estudo foram divulgados no Journal of Bone and Mineral Research, em março desse ano.

Mulheres em maior risco?

Apesar dos diferentes fatores que podem influenciar na longevidade do paciente idoso, os pesquisadores perceberam que a massa muscular reduzida foi, sozinha, uma variável muito importante, especialmente na avaliação das mulheres.

De acordo com Renato Bandeira de Mello, médico geriatra, diretor científico da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), homens tendem a desenvolver uma reserva muscular maior ao longo da vida, ao contrário das mulheres, o que explicaria a diferença.

“Por mais que ele [homem idoso] perca [massa muscular], ainda tem uma reserva muscular suficiente para se manter funcional. Outras questões que diferenciam são os hormônios, principalmente a testosterona, que tende a dar maior longevidade à capacidade muscular no homem do que na mulher”, explica o especialista.

Para Rosa Maria, coordenadora da pesquisa, os hormônios femininos e a menopausa também têm seu papel nessa diferença. Conforme a pesquisadora citou à Fapesp:

“Talvez a transição rápida e significativa de um ambiente estrogênico protetor para um ambiente hipoestrogênico deletério – principalmente no que se refere ao sistema cardiovascular – faça com que o papel metabólico protetor da musculatura esquelética, que inclui a produção de citocinas anti-inflamatórias, ganhe importância na pós-menopausa. Essa alteração hormonal é muito menos abrupta nos homens.”

Ainda que tivessem diferenças entre os gêneros com relação ao risco de mortalidade, os voluntários da pesquisa que morreram durante o período de estudo eram, em geral, mais velhos, mais sedentários, com doenças crônicas, como diabetes e cardiovasculares.

Menos músculo, mais quedas

Quando pensamos em pouca massa muscular em idosos e o aumento no risco de mortalidade, é impossível não associar às temidas quedas. Mas essa não é a única conclusão possível.

Conforme explica o médico geriatra Renato de Mello, a massa muscular é um indicativo claro da reserva funcional do corpo humano. “A perda de massa muscular seria um indicador que o corpo como um todo está começando a falhar, ou a perder as suas capacidades orgânicas e sistêmicas.”

E, por isso mesmo, é também uma preocupação constante entre os geriatras, que aplicam como rotina no consultório a medição da circunferência da panturrilha.

“Se o valor [da circunferência da panturrilha] estiver abaixo do esperado, já aumenta o risco de mortalidade. Essa é uma das regiões do corpo com pouco impacto no ganho ou perda de peso. A perda de massa muscular está diretamente associada à mortalidade porque torna o idoso dependente. Ele já come menos e tem menos apetite, é mais sedentário e fica mais doente. Tudo isso acelera a perda de massa muscular”, explica Debora Christina de Alcântara Lopes, médica geriatra e diretora científica da SBGG – seção Paraná. 

De outros testes feitos em consultório para medir a perda de massa muscular, Debora cita a pressão das mãos, que avalia a função da musculatura dos membros superiores, e a velocidade de marcha, onde é solicitado ao idoso fazer uma caminhada de poucos minutos. “Se a velocidade que o idoso atingir for inferior a 0,8 m/s [metros por segundo], é um indício de uma marcha diminuída, que aumenta o risco de mortalidade e a perda de funcionalidade”, explica a geriatra, que também é coordenadora do serviço de Geriatria do Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Paraná (HC/UFPR).

Idoso tem que andar

De nada adianta chegar aos 80 anos e só então se preocupar com a massa muscular ou com a própria saúde. Ser fisicamente ativo, com exercícios aeróbicos (como corrida ou natação) e de resistência/força (como aparelhos na academia), deve ser rotina desde muito antes.

Ainda assim, entre os idosos, a prática não deve ser desaconselhada, principalmente pelos familiares:

“Idosos de hoje vinham de uma cultura diferente, onde o idoso era mais independente. Hoje o idoso não pode caminhar, não pode cuidar de casa e isso impacta muito na saúde dele. O que mais garante a qualidade de vida é a atividade física, seja natação, musculação, mas também os exercícios em casa. Se o idoso quer carpir o quintal, é um exercício de força, deixe ele carpir”, sugere Debora Lopes, geriatra. 

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