Gordura no fígado: doença silenciosa exige mudança de hábitos

Sem tratamento medicamentoso, a única solução para reduzir a esteatose hepática é através da mudança de hábitos

A gordura no fígado também é conhecida entre os médicos e especialistas como esteatose hepática e nã há medicamento para tratar a doença. Foto: Bigstock

Não há medicamento que trate a gordura no fígado, conhecida entre os médicos e especialistas como esteatose hepática. A melhor solução está na mudança de hábitos de vida, especialmente porque o tipo mais comum da esteatose acomete um grupo específico — e cada vez maior — da população. Estão nos fatores de risco as pessoas obesas, sedentárias, diabéticas, com colesterol alto, fumantes e mais velhas, a partir dos 50 anos.

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No tipo mais comum, e mais leve da condição, a esteatose hepática não apresenta qualquer sintoma, e o diagnóstico mais frequente se dá através de exames de sangue e de imagem normalmente solicitados para verificar outras doenças.

“Hoje, como se realizam exames de ultrassom e ecografia com mais facilidade, a pessoa faz o exame por outro motivo e acaba encontrando a gordura no fígado. Ou procura o médico por um sintoma mais vago, como uma dor abdominal, embora isso seja mais raro”, explica Glauco Morgenstern, médico especialista em cirurgia do aparelho digestivo e cirurgião bariátrico da equipe do Centro VITA de Tratamento da Obesidade e Diabetes, do VITA Curitiba.

Como tratamento, médicos indicam caminhadas, corridas ou qualquer exercício que o paciente se disponha a fazer com frequência, além de uma alimentação mais saudável e a redução de vícios importantes, como o cigarro e o álcool. É importante também controlar os níveis de glicemia e de colesterol no organismo.

“O risco da gordura no fígado, a longo prazo, é que evolua para uma fibrose hepática ou mesmo o início de uma cirrose. Esse seria o risco maior e mais extremo”, reforça o cirurgião. Uma vez comprometido o fígado, a solução está no transplante do órgão.

Evolução da doença

A evolução da esteatose hepática não acontece em todos os pacientes e, na maioria deles, a condição vai permanecer equilibrada por um bom tempo. No entanto, entre alguns, há progressão da esteatose hepática para uma fibrose, uma cirrose ou câncer de fígado.

O tratamento, uma vez iniciado, pode levar anos até reduzir ou acabar com a gordura no fígado, de acordo com Glauco Morgenstern, cirurgião bariátrico:

Obesidade, sedentarismo e hábitos de vida não saudáveis marcam os grupos de risco da gordura no fígado, ou esteatose hepática (Foto: Marcelo Andrade / arquivo / Gazeta do Povo)

“Hoje em dia a maioria dos pacientes com obesidade apresentam esteatose hepática. E, muitos deles, mesmo os que fazem a cirurgia bariátrica para a perda rápida de peso, quando refazemos os exames depois de seis meses ou um ano, percebemos que ainda tem gordura no fígado”, reforça. 

Medicamentos e álcool

Pessoas viciadas em bebidas alcoólicas também se encaixam no grupo de risco para uma esteatose hepática específica ao álcool — e o tratamento, como previsto, se dá pela exclusão total das bebidas.

Há também alguns medicamentos que podem favorecer a condição, de acordo com Alcindo Pissaia Junior, médico hepatologista, professor da Universidade Positivo e médico do hospital Nossa Senhora das Graças. Entram nessa categoria os remédios corticoides e o tamoxifeno, usado no tratamento contra um tipo específico do câncer de mama.

“Não há estatística no Brasil de prevalência da doença, que variam conforme a população. Mas quanto mais a população engordar, permanecer sedentária e com as morbidades decorrentes, mais esteatose hepática tende a surgir”, reforça o hepatologista.

Uma vez feito o diagnóstico, o médico procura por alterações no fígado, através de exames de imagem específicos, como a elastografia hepática, e de sangue também, que avalia a presença das enzimas hepáticas.

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