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Saúde e Bem-Estar

Os hábitos de vida que melhoram os sintomas da Síndrome dos Ovários Policísticos

Reeducação alimentar e mudança no estilo de vida é parte do tratamento para a síndrome dos ovários policísticos

  • PorDanielle Blaskievicz, especial para a Gazeta do Povo
  • [13/08/2018] [09:00]
Atividade física regular ajuda a diminuir os sintomas da SOP. Foto: Unsplash.
Atividade física regular ajuda a diminuir os sintomas da SOP. Foto: Unsplash. | Foto:

A alimentação balanceada e o controle do peso podem ser os diferenciais para melhorar a qualidade de vida e as condições de saúde das mulheres diagnosticadas com síndrome dos ovários policísticos (SOP). A doença endócrina é caracterizada pelo aumento da produção de hormônios masculinos e atinge cerca de 15% da população feminina em idade reprodutiva, aumentando o risco de resistência à insulina, diabete tipo 2, câncer e infertilidade.

E um dos sintomas comuns em boa parte das mulheres que sofrem com a doença é o sobrepeso ou mesmo a obesidade, além de outros problemas desencadeados em função da irregularidade na produção hormonal —diversos estudos científicos já mostraram a relação entre os sintomas da síndrome e a obesidade.

>> Os sinais do silencioso câncer do endométrio, que vai atingir 6 mil mulheres em 2018

Segundo o endocrinologista Henrique Suplicy, professor de endocrinologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a associação da dieta com exercícios físicos é fundamental para melhorar a resistência insulínica da paciente, além do uso de medicamentos para tratar outros fatores da síndrome quando necessários. “É essencial que a mulher que tem esse diagnóstico passe por uma mudança de comportamento. Isso inclui a perda de peso e a adoção de uma dieta balanceada”, enfatiza.

Desequilíbrio

Segundo dados do Ministério da Saúde, a Síndrome do Ovário Policístico (SOP) é um distúrbio hormonal que provoca formação de cistos nos ovários, o que fazem com que eles aumentem
de tamanho. O problema atinge, principalmente, mulheres em idade reprodutiva e se caracteriza pela menstruação irregular, alta produção de testosterona (hormônio masculino) e presença
de microcistos nos ovários. Sua causa ainda não é totalmente esclarecida. A hipótese é que tenha uma origem genética e estudos indicam uma possível ligação entre a doença e a resistência à ação
da insulina no organismo.

Outros sintomas

O ginecologista e obstetra Wagner Barbosa Dias explica que o aumento de peso é apenas um dos sintomas, mas serve como um sinal de alerta para a paciente e para o médico que a acompanha. Aparecimento de acne, irregularidade menstrual, pelos em áreas como rosto, seios e abdome são outros problemas que costumam surgir em quem desenvolve a doença.

Dias comenta que é comum a paciente perceber que tem algo errado precocemente, ainda na adolescência, preocupada com as questões estéticas. Mas o tratamento adequado, com uma alteração na dieta para reverter o quadro de obesidade, é essencial para evitar problemas de infertilidade na vida adulta. “Apenas os casos mais complexos necessitam de uma intervenção cirúrgica. Na maioria das vezes, o tratamento é conservador, com dieta, exercícios físicos e medicamentos para regular os hormônios”, afirma o ginecologista.

Segundo Dias, pacientes que não fazem o tratamento na idade reprodutiva, apresentam mais riscos de desenvolver problemas cardiovasculares quando chegar a menopausa. “É uma doença que não pode ser negligenciada. Há um grande risco de chegar na maturidade e surgirem outros problemas decorrentes da falta de tratamento”, destaca o médico.

Diagnóstico ainda é demorado

Um estudo publicado em dezembro de 2016 pelo The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, da Universidade de Oxford, mostrou que entre 1.385 pacientes ouvidas, 33% levaram mais de dois anos para receber o diagnóstico correto da doença e 47% delas precisaram passar por pelo menos três profissionais para isso.

Apesar de o estudo ter sido feito entre mulheres residentes em países da América do Norte e da Europa, a realidade no Brasil não é muito diferente. A advogada Maria Clara* (o nome foi trocado a pedido da entrevistada, que não quer ser identificada), 25 anos, descobriu aos 13 anos que tinha ovários policísticos. Com um ciclo menstrual irregular, pelos no rosto e cistos no ovário, o ginecologista lhe prescreveu pílula anticoncepcional para tentar contornar os sintomas e lhe informou que, diante desse quadro, dificilmente ela conseguiria engravidar um dia. “Eu cresci acreditando que era estéril”, comenta a jovem.

Maria Clara seguiu o tratamento médico, mas não percebeu evolução em seu quadro. Ao contrário. Engordou 46 quilos, ganhou pelos e espinhas no rosto. Decidiu buscar mais informações sobre o caso e, com a ajuda de outros profissionais, descobriu que seu diagnóstico não se limitava apenas aos ovários policísticos, mas à síndrome dos ovários policísticos. E que isso não significava que ela não poderia ter filhos. “Foi um grande alívio”, relembra a advogada, que planeja a maternidade para um futuro próximo.

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